Hospital de Bom Jesus corre risco de fechar as portas - Cidades - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Precariedade05/11/2014 | 15h01

Hospital de Bom Jesus corre risco de fechar as portas

Ninguém nasce na cidade desde 2012. Pacientes são atendidos em Vacaria, distante 60 quilômetros

Hospital de Bom Jesus corre risco de fechar as portas Roni Rigon/Agencia RBS
Os quartos mal iluminados têm camas com colchões finos e infiltrações Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Nenhum bom-jesuense nasce na terra natal desde 2012, quando o Hospital de Bom Jesus fechou o bloco cirúrgico para reforma. Todos os nascimentos ocorrem em Vacaria.

>> Galeria de fotos: veja imagens da instituição

Engravidar, portanto, é arriscado, já que em situações de emergência é preciso viajar 60 quilômetros. Diante da proibição de realizar partos no Hospital de Bom Jesus, a solução encontrada pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde é fazer o procedimento do lado de fora. É na ambulância, enquanto se dirige ao Hospital Nossa Senhora da Oliveira, de Vacaria. Desde o começo do ano, seis mulheres tiveram bebês nessas condições.

Não são apenas os nascimentos que estão prejudicados por lá. A saúde da população dos Campos de Cima da Serra depende exclusivamente do hospital de Vacaria. A crise que se instaurou no começo dos anos 1990 no Hospital de Bom Jesus, que desafogava filas em Vacaria e era referência para São José dos Ausentes e Jaquirana, até hoje não cessou. Um passeio pelos corredores mostra o abandono. Há infiltrações nos quartos, os colchões são velhos e finos. Há dez anos o hospital executava cirurgias e internações, mas hoje quase não recebe pacientes. No dia 21 de outubro, enquanto quase duas dezenas de bom-jesuenses percorreriam 60 quilômetros para serem hospitalizadas em Vacaria, apenas três moradores ocupavam leitos na própria cidade. Para quem mora em Ausentes, a distância chega a 100 quilômetros até Vacaria.

O Hospital Nossa Senhora da Oliveira afirma que o número de pacientes de Bom Jesus atendidos na instituição aumentou 15% em relação ao ano passado.

A falta de equipamentos e profissionais provoca insegurança entre os 19 mil moradores da região e tira o sono do secretário da Saúde de Bom Jesus, Julio Nagiby Godoi Tessari.

— Estou de mãos atadas. Nós pressionamos direção, Ministério Público, Estado. E repassamos verba todo mês, não há mais nada que possamos fazer. Mas o paciente chega no hospital e é levado para Vacaria até para colocar um gesso numa perna — desabafa.

Há vagas abertas para enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêutico e médico anestesista. Poucas pessoas se interessam em trabalhar no hospital, segundo a então diretora, Bruna Grazziotin, desligada da instituição no dia seguinte da entrevista ao Pioneiro. Quem responde agora é o administrador hospitalar Juliano Dalsotto da Silva.

Bruna admitia que a equipe não tem experiência na função. Para reabrir o bloco cirúrgico, fechado há dois anos depois da reforma, é necessário que os profissionais se qualifiquem e vivenciem a rotina de hospitais maiores, como os de Caxias do Sul.

— Os médicos encaminham os pacientes para Vacaria porque avaliam que é necessário. Não podemos interferir na conduta médica. Se não há alguém que saiba colocar gesso, o melhor é o paciente ir para Vacaria — confessou ela.

Ainda que a média de atendimentos prestados seja pequena, cerca de 900 por mês, o hospital sustenta déficit de mais de R$ 25 mil mensais.

— As pessoas não entendem que precisamos manter o estoque de remédios em dia, a folha de pagamento, as contas — justifica.

Notícias Relacionadas

Saúde 08/05/2014 | 17h02

Ala cirúrgica de hospital de Bom Jesus não é liberada pela Coordenadoria de Saúde

Mulheres ainda precisam se deslocar até Vacaria para dar à luz

Saúde 29/04/2014 | 16h01

Reforma no hospital de Bom Jesus impede que crianças nasçam na cidade desde 2013

Mães precisam se deslocar até Vacaria para cesárea ou até parto normal

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros