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Abastecimento12/09/2014 | 10h02

Sistema Marrecas começa a funcionar neste sábado, em Caxias do Sul

Primeiros bairros a receber água da represa inaugurada há um ano e nove meses serão os da região nordeste

Sistema Marrecas começa a funcionar neste sábado, em Caxias do Sul Jonas Ramos/Agencia RBS
Barragem que represou o Arroio Marrecas, em Vila Seca, tem 435 metros de extensão e 60 de altura Foto: Jonas Ramos / Agencia RBS
Fabiano Finco
Um ano e nove meses depois de inaugurado, o Sistema Marrecas, a maior obra de interesse público da história recente de Caxias do Sul, finalmente entrará em operação. Do dia 22 de dezembro de 2012, quando o então prefeito José Ivo Sartori (PMDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT) cortaram a fita, até este sábado, dia 13, quando a água vai jorrar, deu-se tempo suficiente para os envolvidos na obra colecionarem críticas pela demora da água chegar às torneiras. Demorou tanto que nem Sartori nem Dilma poderão participar do momento solene porque ambos são candidatos. O Samae nunca demonstrou constrangimento quanto a reagendar por três vezes a data da inauguração argumentando que não havia necessidade emergencial porque a cidade não sofre com falta de água.

>>Confira uma galeria de fotos do Sistema Marrecas<<


Entende-se que ajustes são inevitáveis quando se trata de um sistema projetado para abastecer 250 mil pessoas concentradas nas regiões nordeste e Norte pelos próximos 20 anos. Tão complexo quanto construir a barragem gigantesca no Arroio Marrecas foi instalar 19 quilômetros de adutoras de água tratada e 7,2 quilômetros de adutoras de água bruta.

Muitos parafusos foram ajustados para calibrar válvulas de segurança e verificar a estanqueidade nas conexões. Em abril deste ano houve os primeiros testes de condução da água da Estação de Bombeamento de Água Bruta (Ebab), ao pé da barragem, até a Estação de Tratamento de Água (ETA) Morro Alegre, em Vila Seca, quase oito quilômetros distante. Não deu certo. Uma das flanges da casa de bombas não suportou a pressão de refluxo da água, provocando vazamento. Em janeiro deste ano, também em teste, uma peça de conexão se partiu em pedaços por conta da pressão da água.

Troca de peças feitas, agora parece estar tudo em ordem no complexo que custou, até agora, R$ 254,2 milhões. A água chega com boa pressão à ETA, onde é tratada. De lá, desce por gravidade (de uma altura de aproximadamente 200 metros) ao longo de 19 quilômetros até o Centro de Reservação, no bairro Jardim das Hortênsias. Dali, são mais 1,1 quilômetro até o Sistema de Adutora de Distribuição.

Neste sábado, o prefeito Alceu Barbosa Velho (PDT) estará bem próximo daquele ponto, em uma residência do Jardim das Hortênsias, abrindo uma torneira que vai simbolizar o início do funcionamento Marrecas.


SAIBA MAIS

O Sistema Marrecas foi inaugurado pela presidente Dilma Rousseff em 22 de dezembro de 2012. Fazem parte do sistema a barragem, a ETA Morro Alegre, o Centro de Reservação no Jardim das Hortênsias e 26,2 quilômetros de adutoras. O sistema foi projetado para suprir a demanda de abastecimento de Caxias pelos próximos 20 anos, atendendo 250 mil pessoas.

A área inundada de 215 hectares armazena 33 bilhões de litros de água e está em sua capacidade plena. Construída em concreto compactado a rolo (CCR), a barragem foi orçada inicialmente em R$ 65 milhões, mas custou R$ 104 milhões. O valor oficial divulgado pela prefeitura para construir todo o sistema é de R$ 254,2 milhões, entre desapropriações de terrenos, barragem, casa de bombas, adutoras, ETA e reservatório.

A parede de contenção da barragem tem 435 metros de extensão e 60 metros de altura. A barragem foi projetada pela Holanda Engenharia e a construção ficou a cargo do Consórcio Fidens-Sanenco. A STE Serviços Técnicos de Engenharia se responsabilizou pela fiscalização do projeto.

Uma das obras mais importantes do sistema é a ETA Morro Alegre, que custou R$ 25 milhões. Ela foi projetada para absorver os futuros mananciais Piaí, Mulada e Sepultura. A partir dos próximos 20 anos, quando forem construídas novas represas nesses arroios, toda a água será direcionada para a ETA Morro Alegre para receber tratamento.

Sistema dará folga a outras represas

O maior benefício do Sistema Marrecas não está na garantia de abastecimento nas zonas nordeste e Norte, mas no que representa em termos de readequação e ampliação do abastecimento em toda cidade. Áreas antes abastecidas pelo Faxinal ou pela Maestra passarão a ser supridas pelo Marrecas, dando folga aos sistemas antigos para que abasteçam outras regiões. É um plano que prevê abastecimento pleno pelos próximos 20 anos, inclusive projetando áreas de expansão urbana nas zonas Sul e noroeste.

Nesta primeira etapa (próximos seis meses), os primeiros bairros a serem abastecidos com a água do Marrecas são Jardim das Hortênsias, São Cristóvão, São Ciro, São Ciro II, De Lazzer, Sagrada Família, Presidente Vargas, Mariland, Século XX e Serrano. São bairros que atualmente nem sofrem tanto com a falta d'água e que terão de se adaptar, nos primeiros dias, aos trabalhos de readequação das redes adutoras. Com nova pressão e fluxo da água, serão necessários alguns ajustes nas redes de distribuição. 

— A operação plena do Sistema Marrecas, incluindo abastecimento também para a região Norte, em bairros como Santa Fé e Belo Horizonte, vai demandar três anos — diz o engenheiro Gerson Panarotto, diretor da Divisão de Água do Samae.

Para a água chegar àquela região será necessário construir uma nova adutora. A verba de R$ 26 milhões (R$ 23 milhões do governo federal, R$ 3 milhões do município) já está aprovada. As obras começam até o final do ano.
 
 
 

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