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História15/06/2012 | 10h05

Galópolis, em Caxias do Sul, celebra 120 anos

Bairro de Caxias do Sul nasceu a partir da indústria têxtil trazida por imigrantes italianos

Galópolis, em Caxias do Sul, celebra 120 anos Casa Serafini/
Origem está vinculada a conflito trabalhista que ocorreu em 1890, na Itália Foto: Casa Serafini
A história do bairro Galópolis, em Caxias do Sul, está diretamente vinculada a um conflito trabalhista ocorrido na Itália, em 1890. Insatisfeitos com a redução salarial, 308 tecelões emigraram para o Brasil.

Em relato de João Spadari Adami, os italianos se dispersaram em São Paulo, Porto Alegre, Flores da Cunha e Veranópolis. O grupo que se fixou em Caxias encontrou primeiramente alternativa de trabalho na agricultura. Na 5ª Légua, os experientes operários da indústria têxtil depararam com a abundância de água do Arroio Pinhal, ideal para gerar força hidráulica.

A partir disso, idealizaram a possibilidade de constituir uma cooperativa de tecidos em lã. Por volta de 1894, os sócios José Comerlatto, João Batista Tisot, José Bolfe, Angelo Basso, José Casa, Ottavio Curtulo, Pedro Sbabo Jacinto Vial, João Sartor, Battista Mincato e José Berno organizaram o promissor mas incipiente lanifício.

Quatro anos depois, em 1898, na inauguração oficial, Ottavio Curtulo reivindicou das autoridades a construção de uma estrada para trazer matéria-prima e escoar a produção. Até então, a fábrica era acessada por terrenos particulares.

Em 1904, o empreendimento ganhou impulso com dinheiro de Hércules Galló. O italiano injetou investimentos na modernização do lanifício. Conforme o livro Cinquentenário Della Colonizzazione Italiana Nel Rio Grande Del Sud 1975-1925, a primeira fusão bem sucedida de uma empresa caxiense nasceu em Paris, na França. Galló, que viajara à Europa em outubro de 1911 para tratar de negócios, encontrou-se com Pedro Chaves Barcellos, um dos mais importantes empresários do Rio Grande do Sul. Houve um entendimento provisório para vincular o capital.

Em 1912, o Grupo Chaves & Almeida e Galló concretizou o negócio. Surgia o Lanifício São Pedro. Após a morte de Galló, em 1921, a família Chaves Barcellos assumiu o controle acionário da empresa. Conforme anotações do livro documental de João Laner Spinato (1899-1977), a presença do lanifício consolidou-se e influenciou aspectos culturais na Vila de Galópolis.

A dinâmica industrial estabeleceu uma certa autonomia na comunidade. O lanifício era o provedor e organizador das demandas sociais surgidas dentro e fora da empresa. A construção de um conjunto habitacional municiado com água e luz, alugado por um valor simbólico, garantia aos operários um ambiente confortável. A Escola Chaves Irmãos, dirigida pelas Irmãs do Imaculado Coração de Maria, difundia um ensino voltado aos valores cristãos.

A fundação do Círculo Operário integrava os associados numa estrutura recreativa diversificada, bem como disponibilizava salão de festas, orientação jurídica, creche e ambulatório. A Cooperativa de Consumo São Pedro propiciava o abastecimento alimentício, onde o leite era produzido num tambo próprio e o café da marca Pinhal era torrefado no próprio estabelecimento.

A religião católica também foi poderoso elemento que caracterizou a vida social de Galópolis. O próprio João Laner Spinato, então gerente da fábrica e ex-seminarista, incentivava permanentemente a participação dos operários nas missas dominicais. A partir de 1939, numa comunhão de esforços, com trabalho voluntário dos operários e sob administração de Spinato e apoio econômico de Ismael Chaves Barcellos, começou a construção da Igreja Matriz.

Inaugurada em março de 1947, a edificação caracteriza-se pela imponência da torre. Os vitrais, importados da Alemanha, então estocados no almoxarifado no lanifício, foram salvos de um incêndio que atingiu a seção de fiação cardado, testemunhou e escreveu Spinato. O grupo empresarial Kalil Sehbe ingressou em Galópolis em novembro de 1979.

Ao adquirir o parque fabril da família Chaves Barcellos, a nova gestão priorizou a regulamentação salarial e promoveu a venda de casas e terrenos aos funcionários. Internamente, adquiriu sofisticados teares e viabilizou a reforma predial. Em 1999, após enfrentar vicissitudes econômicas, a empresa passou a ser administrada pelos operários, que a transformaram em Cooperativa Têxtil Galópolis, retomando então o espírito cooperativista das origens do lugar.
 
 
 

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