"A cultura da pobreza não interessou nem ao Brasil e muito menos à Itália", afirma Cleodes Piazza Ribeiro - Italianos da Serra - Notícias e Informações das cidades da serra gaúcha - Pioneiro

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Italianos da Serra20/05/2015 | 05h21

"A cultura da pobreza não interessou nem ao Brasil e muito menos à Itália", afirma Cleodes Piazza Ribeiro

Imigração italiana na Serra ainda recebe pouca atenção dos estudiosos europeus, que costumam se ocupar da imigração a partir dos anos 1930

"A cultura da pobreza não interessou nem ao Brasil e muito menos à Itália", afirma Cleodes Piazza Ribeiro  Ivo Batocco / reprodução/
Mostra La rotta della Speranza, do artista plástico Ivo Batocco Foto: Ivo Batocco / reprodução
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

A comoção e a curiosidade provocadas pela imigração italiana na Serra Gaúcha não têm equivalências na Itália, nem mesmo na região do Vêneto. Fenômeno recente, ainda recebe pouca atenção dos pesquisadores europeus, que costumam a se ocupar da imigração a partir dos anos 1930 e, com ênfase maior, à imigração para os Estados Unidos ou para a Argentina, especialmente hoje em dia, pelo fato do pai do Papa Francisco ser imigrante italiano.

A cultura da pobreza não interessou nem ao Brasil e muito menos à Itália sentencia Cleodes Piazza Ribeiro. Chama atenção, assim, qualquer interesse relativo ao assunto no Velho Mundo, seja num mosaico estampado no painel em Gênova, seja na mostra La rotta della Speranza, do artista plástico Ivo Batocco. O pintor expôs em prestigiados museus europeus e se prepara para levar a série de obras a Nova York.

O homem tem em seu DNA o espírito de evolução, é inconsciente, mas tudo gira em torno disso. Os nossos imigrantes, além desse sentimento, buscavam um lugar ao sol para se aquecer e aquecer a própria família, mas essa procura exigiu um esforço concreto afirma ele, que viu o pai emigrar para a França quando tinha sete anos.

As imagens melancólicas são, também, recortes pessoais do artista. A partir da própria realidade, representam sentimentos universais da partida, que fazem muito sentido aos descendentes aqui da região. Batocco usa a força da pintura figurativa, com camadas sobrepostas de luz e sombras, para dar um tom de memória ao trabalho:

O que desejei fazer emergir nas obras foi a profunda pobreza e a esperança que meu pai transmitiu com sua partida. Minha família viveu a falta de meu pai por três anos com muita serenidade, porque ele mandava dinheiro todo o fim do mês e voltava para a casa no Natal. O pensamento dominante sempre foi a grande pobreza, o medo do afastamento e a esperança de um futuro melhor. Não podemos esquecer nossas raízes.
 
 
 
 
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