Atacante do Brasil-Fa defende qualidade do futebol feminino e sonho de carreira profissional - Esportes - Pioneiro

Versão mobile

 
 

Elas e o esporte #415/10/2020 | 07h00Atualizada em 15/10/2020 | 19h39

Atacante do Brasil-Fa defende qualidade do futebol feminino e sonho de carreira profissional

Tuca foi vice-artilheira da equipe da Serra no Gauchão de 2018 e goleadora no Estadual de 2019

Atacante do Brasil-Fa defende qualidade do futebol feminino e sonho de carreira profissional Porthus Junior/Agencia RBS
Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

A infância é repleta de sonhos e projeções para o futuro. Tem os que se inspiram nos contos de fada e, bem pequenos, buscam fazer parte da realeza: "Quero ser princesa ou príncipe". Tem também aquelas crianças que sonham com determinadas profissões: "Quero ser professora, médica ou escritora...". E, no meio de tantas opções, há aqueles que vislumbram ser jogadores ou jogadoras de futebol.

Leia mais:
Gandulas da dupla Ca-Ju expõem vivências da função
Em momentos diferentes da história, como as torcedoras vivenciaram o dia a dia do Caxias
Integrante da primeira torcida feminina do Juventude relembra: "objetivo era colaborar e ajudar o clube"

A atacante Graziela Estevo, a Tuca, como é conhecida no Brasil de Farroupilha, faz parte desse último grupo. Quando criança, sonhava em viver do futebol e ainda lembra do dia em que ganhou a primeira bola. O pai Baltazar foi o responsável por isso. Sempre foi fã da filha e do esporte. 

— Sempre quando tinha treinos ou jogos, meu pai ia assistir e ficava apoiando, torcia, gritava. Isso sempre foi um incentivo a mais. Eu tentava me empenhar ao máximo, sabendo que lá fora tinha alguém que torcia por mim — conta Tuca.

A jogadora do rubro-verde conta que começou a praticar futsal aos oito anos. À época, ela participava de diversas competições, tentando desenvolver o esporte e praticá-lo com maestria. Essa dedicação, ao longo de toda sua vida, atraiu o convite do Brasil de Farroupilha para integrar a equipe que disputaria o Estadual, em 2018.  

— O convite surgiu de algumas meninas que iniciaram o projeto. Em 2018, o Brasil teve a participação no Gauchão e eu tive a oportunidade de treinar e jogar profissionalmente — relembra.

Naquele ano, o Brasil-Fa chegou às semifinais do Estadual e Tuca foi a vice-artilheira do time, com cinco gols marcados. No ano subsequente, as gurias do rubro-verde conquistaram o título do Interior no Gauchão Feminino. Tuca marcou quatro gols — sendo dois sobre o Grêmio — e foi a goleadora da equipe na competição. 

Com o título do Interior no Estadual, as gurias garantiram vaga no Brasileirão Feminino A-2. A competição nacional iniciou em março, e as representantes da Serra estrearam com vitória por 4 a 3 sobre a Chapecoense. No entanto, mesmo disputando um campeonato em âmbito nacional, elas ainda precisam driblar dificuldades.

— Contra a Chape, foram quase sete horas de viagem, foi bem cansativo. Mas fomos um dia antes do jogo. Então, tivemos um tempo de descanso no hotel — celebrou Tuca.

De acordo com o regulamento do Brasileirão A-2, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é responsável pelas passagens rodoviárias ou áreas. Além da cobertura das despesas de alimentação e hospedagem. No entanto, para vestir a camisa do Brasil-Fa, as atletas não recebem uma remuneração financeira. O clube fornece, para algumas jogadoras, apenas uma ajuda de custo.

Futebol, trabalho e família

Tuca ainda precisa conciliar sua rotina no futebol com a profissão, numa empresa de cartonagem. A atleta também tem uma filha de sete anos, Isabelli. Ela conta que, assim como o seu pai Baltazar, ela também incentiva à pequena a gostar de esporte:

— Estamos sempre com uma bola embaixo do braço. Então, é natural ela gostar bastante do esporte. Ela não joga ainda, mas sempre me acompanha quando dá e está sempre presente nos treinos e jogos.

A jogadora faz questão de expor o seu amor pelo esporte. Mesmo não recebendo para atuar pelo Brasil, a dedicação é máxima para mostrar, dentro de campo, que o futebol feminino é sim de qualidade.

— Às vezes, se torna um pouco cansativo, mas para mim sempre foi um prazer estar treinando, estar jogando. Estamos ali porque gostamos mesmo, não recebemos nada por isso, mas sempre estamos lá dispostas — diz Tuca, que ainda comenta sobre o olhar cruel em relação aos jogos femininos:

— O futebol feminino tem muita qualidade, assim como o masculino. Acho que falta algumas pessoas serem um pouco menos preconceituosos, verem que atrás de cada mulher, atrás de cada menina que joga futebol, existe um sonho, existe um ser humano que está tentando lutar por um futuro melhor, por um sonho que é dela. E muitas pessoas não valorizam isso — desabafa.

Outra realidade

No cenário mundial, a valorização também está longe da desejada. Um exemplo dessa situação é a da seleção norte-americana, a maior campeã da Copa do Mundo. As atletas que participaram da conquista do Mundial de 2015 receberam 75 mil dólares pelo título. Enquanto isso, os homens — que nunca chegaram a uma decisão desse porte — ganharam 407 mil dólares apenas por chegar às oitavas de final, em 2014. 

No cenário nacional, apenas em setembro deste ano a CBF igualou as diárias do futebol feminino e masculino, sem diferença de gênero. 

— Há uma grande desvalorização, sim. Hoje a qualidade das mulheres que jogam futebol não fica nem um pouco atrás do futebol masculino. Mas, ao longo do tempo, do trabalho que a gente fazendo e vai evoluindo, mostramos dentro de campo que podemos ir muito mais além — vislumbra.

Para os que ainda não acompanham, mas ficaram interessados, lembrem-se: o Brasileirão A-2 retorna, para as gurias do Brasil-Fa, no dia 25 de outubro, contra o Napoli, de Santa Catarina, com jogo no Estádio das Castanheiras.

Ouça o especial:

Leia Também
Juventude e Cruzeiro se reencontram após 13 anos em confronto repleto de histórias

 

 
 
 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros