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Driblando as dificuldades05/08/2020 | 20h13Atualizada em 05/08/2020 | 20h13

Por conta da parada do futebol, ex-atacante do Caxias busca emprego em outra área durante a pandemia

Jogador de 34 anos está trabalhando em uma fruteira há cerca de dois meses

Por conta da parada do futebol, ex-atacante do Caxias busca emprego em outra área durante a pandemia Arquivo Pessoal/Jajá
Foto: Arquivo Pessoal / Jajá

O dia-a-dia de muitos clubes do futebol do interior é bem distinto daquela que, por vezes, julgamos ser a realidade de todos. Com a pandemia, a situação agravou-se ainda mais e muitos atletas tiveram que partir para outras funções profissionais, para garantir o sustento da família.

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Esse é o caso do atacante Jajá, 34 anos, que já defendeu as cores do Caxias e está no Santa Cruz, time do interior gaúcho. Com o adiamento da Segunda Divisão do Gauchão — popularmente chamada de Terceirona Gaúcha — e sem uma nova data para o início da competição, ele teve que buscar emprego em outra área. Há cerca de dois meses, o atleta trabalha em uma fruteira, em Alvorada.

— No início, até não imaginei que fosse durar por tanto tempo essa pandemia. Tanto é que deixei muitas coisas lá em Santa Cruz do Sul. Acabei voltando para casa com pouca coisa, achando que duraria questão de, no máximo, um mês. E agora estamos nesse caos que não tem fim. Então, estou tendo que me virar de outras formas, tive que procurar um emprego e, graças a Deus, consegui. Porque nesse momento, até para conseguir alguma coisa está complicado. Para quem paga aluguel e tem filhos para sustentar, as contas acabam se tornando um pouco pesadas — conta Jajá.

Alguns vislumbram que todo jogador de futebol é milionário. A realidade, no entanto, é bem distinta. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou, no final de 2019, o estudo “Impacto do futebol brasileiro”, realizado pela consultoria Ernst Young. O levantamento apontava que apenas 1% dos jogadores profissionais tinham, na carteira de trabalho, salários acima de R$ 500 mil. A maioria, cerca de 55%, tinha uma remuneração na faixa dos R$ 1 mil.

Com essa realidade, Jajá conta que já teve que trabalhar em outros setores ao longo de sua carreira. No entanto, por períodos bem menores. Durante a vida, o atleta diz ter tido experiência em supermercados, hotéis, até como auxiliar de pedreiro e engenho de arroz.

— Já fiz bico de alguns dias só, mas agora está sendo de uma outra forma. Já estou há dois meses e alguns dias trabalhando lá na fruteira. Então está sendo bem diferente, mas estou feliz por ter conseguido, porque é de lá que está saindo o sustento da família — relata.

Com a rotina de trabalho, Jajá diz ter dificuldades em conciliar a preparação de atleta. Especialmente, pela falta de tempo:  

— No último mês, está bem complicado. Eu moro em Viamão e trabalho em Alvorada. Eu saio de casa por volta das 6h30min e acabo retornando às 20h30min/21h, ou até mais tarde, dependendo do dia. Acabo chegando exausto, o cansaço do dia acaba pesando e eu não consigo fazer nada. Está bem complicado para manter a questão física, o negócio agora é aguardar para quando voltar (a Terceirona), a gente se empenhar na pré-temporada novamente.

No entanto, quanto ao retorno da competição, o atacante não está muito confiante. Jajá acredita que, talvez, a Divisão de Acesso e a Terceirona Gaúcha não sejam disputadas neste ano.

— Para ser bem sincero, estou perdendo a expectativa de retorno. Eu estava conversando, no final de semana, com alguns amigos e familiares, que perguntavam sobre o isso. Eu disse que estava bem desanimado, porque a gente não tem uma posição da Federação Gaúcha (de Futebol, FGF). Acredito que vai ser uma briga para ter o retorno do Acesso e da Terceirona. Do jeito que está esse caos, essa pandemia, acho que vai ser bem difícil voltarem essas competições ainda nesta temporada — crê o camisa 9 do acesso grená na Divisão de Acesso em 2016.

O atleta conta que tem bastante contato com o técnico William Campos, do Santa Cruz. Ele relata que o time ainda aguarda uma posição da FGF para marcar a reapresentação e a nova pré-temporada. Inclusive, foi graças as conversas com o comandante do Galo que ele decidiu não pendurar as chuteiras.

— Eu já teria encerrado (a carreira), mas o professor William Campos conversou bastante comigo e acho que dá para queimar mais uma lenha por um ou dois anos, por aí. Para ajudá-lo também, neste início de carreira, acabei aceitando o convite e indo para o Santa Cruz. Agora, vamos ver, eu tinha um objetivo que era recolocar o Santa Cruz na Divisão de Acesso e futuramente, quem sabe, voltar à elite do Gauchão. Vamos ver se sair a competição. Pretendo ainda cumprir essa meta, para depois pensar no que fazer no futuro — projeta o atacante.

Para concluir o objetivo, é necessária uma posição da FGF, marcando uma nova data para o início da competição. Sendo assim, Jajá faz um pedido à entidade:

— Eu gostaria de pedir que eles olhassem com bons olhos para a situação dos clubes do interior. Têm alguns que, dependendo da situação, podem decretar falência daqui há algum tempo. Alguns também têm pouco recursos e os poucos recursos que têm são durante as competições. Não havendo competição, os clubes dificilmente vão conseguir se manter. Gostaria de pedir que eles olhassem com outros olhos, a gente é profissional assim como o pessoal que está disputando o Gauchão. Então, se teve o Gauchão, acredito que, com a ajuda da FGF e de alguns empresários, a gente possa ter uma Divisão de Acesso e uma Terceira Divisão. O pedido é esse: que a FGF não olhe só para a elite, mas para os times do interior também, com bons olhos, porque eles também precisam de competição para se manter — conclui.

Ouça a 143ª edição do Show dos Esportes e a entrevista na íntegra:

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