Histórias de torcedor: as recordações da organizada Tosca, contadas por quatro grenás - Esportes - Pioneiro

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Série 07/08/2020 | 21h30Atualizada em 07/08/2020 | 22h40

Histórias de torcedor: as recordações da organizada Tosca, contadas por quatro grenás

Fanáticos relembram passagens em viagens e jogos

Histórias de torcedor: as recordações da organizada Tosca, contadas por quatro grenás Arquivo Pessoal/TOSCA
Registro da TOSCA no Maracanã, em 1978 Foto: Arquivo Pessoal / TOSCA

A Tosca (Torcida Organizada da SER Caxias) foi fundada na década de 1970, logo após a retomada do Flamengo com o nome de SER Caxias, que ocorreu em 1975. O clima era de motivação em razão de uma identidade que estava perdida após a fusão com o Juventude, que durou de 1971 até 1975. Além disso, a construção do novo estádio Centenário foi um fator importante.

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A Série Histórias de Torcedor irá reviver viagens, jogos e lembranças de uma torcida que marcou época no Caxias. Gilmar Fernando Biegelmeyer, Venor Carlos Gomes,  Inacio Delcio Azambuja Sobrinho e Luciano Fedozzi são os quatro grenás que contarão as histórias da Tosca.

Os torcedores da extinta TOSCA vão contar sua história no quadro Histórias de Torcedor.Na foto, da esquerda para a direita: Gilmar Fernando Biegelmeyer, Luciano Fedozzi, Venor Carlos Gomes e Inacio Delcio Azambuja Sobrinho.<!-- NICAID(14541489) -->
Da esquerda para a direita: Gilmar, Luciano, Venor e Inacio, representantes da velha guarda da TOSCAFoto: Arquivo pessoal / TOSCA

— A fundação ocorreu sem nenhum planejamento ou elaboração prévia de ninguém. Todas as nossas atividades, o uniforme (um macacão grená), os instrumentos da charanga, as viagens, foram financiadas de forma autônoma, por meio de diversas maneiras (venda de mini-camisetas confeccionadas por torcedoras, rifas, pedágio no centro da cidade, jantas, etc.). Nunca fomos daqueles que dependem do clube para torcer. A direção nos cedeu uma sala nas arquibancadas da geral, que era nossa sede. O restante sempre foi por nossa conta — disse Luciano Fedozzi, 60 anos, que foi integrante da Tosca entre 1976 e 1982. 

A torcida mobilizava 150 pessoas na época. Quando foi fundada,  na década de 1970, as torcidas organizadas estavam expandindo no Brasil. A Tosca mobilizou amigos, torcedores, apaixonados e fanáticos que sempre tiveram histórias para contar.  Histórias que ficarão eternizadas na memória de cada um. 

— Nós fomos no Campeonato Brasileiro, em 1978, se não me falha a memória, quando o Caxias ficou melhor posicionado, em décimo lugar, no jogo contra o Flamengo, no Maracanã. Nós fizemos uma excursão com ônibus financiado e fomos para o Rio. E lá, com a nossa charanga, com a torcida organizada, com tudo que se apresentava, de bandeiras, confetes. Enfim, não foi possível, não nos deixaram entrar com a nossa buzina que era muito potente, mas foi muito interessante porque a torcida do Flamengo ficou muito impressionada e nós tivemos um contato com eles — lembra Luciano Fedozzi.

Maracanã

Integrantes da extinta torcida organizada TOSCA, da SER CAXIAS, participam da série especial Histórias de Torcedor. <!-- NICAID(14541491) -->
Antiga faixa da TOSCAFoto: Arquivo Pessoal / TOSCA

A torcida organizada esteve presente em várias cidades e estádios, mas um ficou marcado. Justamente, a passagem citada, pelo Maracanã. O torcedor Inacio Delcio Azambuja Sobrinho, 65 anos, foi um deles. No dia 21 de fevereiro de 1978, o Caxias jogou contra o Flamengo. 

— Foi uma das maiores emoções, inclusive dentro do estádio, época que o Zico estava sendo lançado, porque era um garoto ainda.  Então, foi um jogo sensacional, fomos muito bem recebidos, a torcida foi entusiasmada, a Tosca saiu no Jornal dos Sports, assim na contra-capa, uma foto da Tosca, dizendo "uma torcida pequena, mas alegre e feliz" aquilo foi uma coisa muito linda que aconteceu. Um jornal do Rio de Janeiro publicou a nossa foto pelo nosso entusiasmo, pelo entusiasmo da nossa charanga, da nossa bandinha. O pessoal gostava, inclusive, a gente sentia que os torcedores do Flamengo vinham se sentar próximos nós, não precisou de guarda, não precisou de guarnição para nos proteger, o pessoal mesmo vinha para perto querer trocar camisa, boné, ouvir o que a charanga tocava. Foi um dia maravilhoso —  lembrou Inacio Delcio Azambuja Sobrinho, que participou da torcida de 1977 a 1980.

Os torcedores da Tosca chegaram um dia antes ao Rio de Janeiro e assistiram o jogo do  Botafogo  contra o Atlético-MG. Esse duelo não envolvia o Caxias, mas ficou marcado pelos momentos que antecederam ao confronto:

— Nós estamos no sábado de manhã na praia do Leme e chegou a torcida do Atlético Mineiro: 150 ônibus, eu nunca tinha visto uma coisa tão espetacular. Chegaram na praia do Leme e quando viram que nós estávamos ali com dois ônibus, um da torcida feminina e um da Tosca, eles desceram. Eles foram estacionando aqueles ônibus perto de nós, na praia do Leme, e foram descendo e chegando perto da charanga do Caxias, que estava lá tocando na beira da praia. Então, eles pediram para puxarmos a torcida do Atlético-MG até o hotel de Copacabana onde o Atlético Mineiro estava hospedado, aquilo também foi um momento que nos marcou. A torcida do Caxias, a Tosca, puxando aquela massa de torcedores do Atlético Mineiro até o hotel de Copacabana, foi o que nós fizemos, fomos e voltamos com eles. Foi uma coisa assim: espetacular, não tem explicação — finalizou Inacio Delcio 

Viagens custeadas

Integrantes da extinta torcida organizada TOSCA, da SER CAXIAS, participam da série especial Histórias de Torcedor. Na foto: Venor Carlos Gomes e Luciano Fedozzi<!-- NICAID(14541495) -->
Luciano Fedozzi (E) e Venor Carlos Gomes com a nova faixa custeada pelos membros da TOSCAFoto: Arquivo pessoal / TOSCA

Para viajar e acompanhar o time do coração, os torcedores vendiam vários produtos customizados pelos próprios integrantes. Todos os esforço e as loucuras levavam os torcedores onde o Caxias estava. Era também uma oportunidade para conhecer outras cidades, muitos estádios. Gilmar Fernando Biegelmeyer, 59 anos, que participou da torcida entre 1979 e 1981, recorda histórias daquele tempo.

— Teve uma época que comprávamos tecido bordô e uma costureira da nossa turma confeccionava umas camisetinhas com cerca de 10 a 12 cm, com o logo do Caxias e cada um de nós, membros da Tosca, pegávamos 10/15 camisetinhas e saíamos vendendo durante o jogo. Eles penduravam as camisetinhas no retrovisor do carro. Vendíamos muito. Naquela época, custa 5 cruzeiros. E, para vender 15 camisetinhas, era questão de 10 minutinhos. Tinha outras coisas que fazíamos também para juntar dinheiro. Mas era bom, muito legal —  lembrou  Gilmar Fernando Biegelmeyer, que completou:

— Naquela época, não existia a rivalidade que existe hoje, de que uma torcida não pode chegar perto da outra. Naquela época a gente era recepcionado no estádio, dividia espaço com torcedores da casa. A mesma coisa acontecia aqui. Na verdade, as maiores rivalidades, os maiores problemas que a gente enfrentou foi no interior gaúcho, principalmente em Pelotas. Mas foi tudo muito gratificante. É algo que ainda nos marca.

Reencontro

Integrantes da extinta torcida organizada TOSCA, da SER CAXIAS, participam da série especial Histórias de Torcedor. <!-- NICAID(14541493) -->
O reencontro da velha guarda da TOSCA ocorreu neste anoFoto: Arquivo pessoal / TOSCA

Depois de muitos anos, alguns integrantes da Tosca resolveram se reencontrar. O principal motivo foi a conquista do primeiro turno do Gauchão, diante do Grêmio. Tudo isso, depois de mais de quatro décadas da fundação da torcida organizada. Antes da pandemia, era presencial, agora os encontros são online. Tudo para reviver histórias e matar a saudade.

— Tomamos a iniciativa de publicar, junto aos órgãos de comunicação do clube, que pretendíamos nos reunir ali, criamos um grupo de whatsapp e começou a surgir: 1, 2, 3, 4, 5, que foi o nosso número do reencontro. Cinco ou seis torcedores, alguns levando seus familiares para participar dessa mesma paixão de torcer e estar envolvido com o Caxias. Foi isso que determinou nosso reencontro. De forma muito natural surgiram nomes, somos os "saudosos da Tosca", somos a velha guarda da "Tosca" e esse movimento começou a tomar corpo a partir do jogo contra o Grêmio, em Caxias — lembrou Venor Carlos Gomes, 59 anos, integrante da organizada entre 1977 e 1980, que também ressaltou:

— Agora a gente pretende manter essa mobilização e convocar aos demais membros da Tosca que nos procurem, que façam contato, porque temos muita história para reviver. Nós estamos nos reencontrando via digital. Não há encontros programados, não há um cronograma para isso. Nós, basicamente, nos comunicamos através do grupo de whatsapp e tem sido uma ferramenta interessante, porque ele elimina as distância que cada um tem hoje.  Agora, estamos ansiosos para podermos estar juntos de novo.

Ouça a matéria no programa Show dos Esportes da Rádio Gaúcha Serra:

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