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Série25/06/2020 | 07h43Atualizada em 25/06/2020 | 12h10

Histórias de torcedor: paixão pelo Juventude transcende os limites territoriais

Fritz, 26 anos, é natural de Ivoti, mora em Igrejinha, mas torce para o Ju

Histórias de torcedor: paixão pelo Juventude transcende os limites territoriais Arquivo pessoal/Anderson Rodrigo Petry
Foto: Arquivo pessoal / Anderson Rodrigo Petry

Quem disse que para torcer por um clube do interior precisa nascer na cidade dessa equipe? Nosso oitavo personagem da série Histórias de Torcedor é natural de Ivoti, mora em Igrejinha, mas torce para o Juventude. Anderson Rodrigo Petry, ou Fritz, como é conhecido, tem 26 anos e passou a acompanhar o Verdão entre 2004 e 2005, quando o clube estava na Série A do Brasileirão. Tudo sem nenhuma relação familiar ou qualquer ligação com Caxias do Sul. Uma verdadeira paixão sem limites territoriais. 

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– Nunca na vida tinha ido para Caxias, não tenho nenhum parente na cidade, não tinha nenhuma relação. Só que eu não via graça em torcer para a dupla Gre-Nal, porque todo mundo já torcia. Quando eu ganhei a primeira camisa, em 2005, que a minha mãe achou numa loja em Novo Hamburgo, foi um dos melhores dias da minha vida. Eu fiquei realizado. Tinha apenas 10 anos, ganhando a primeira camisa do clube que só eu torcia. Eu ia com ela para a escola todo dia – recorda Fritz.

Além da camisa, a primeira visita ao Estádio Alfredo Jaconi completou essa realização e deu um novo significado para a paixão pelo Juventude. Foi em 2009, aos 15 anos. A fase não era boa, o Ju perdeu para o Vasco por 2 a 1, na Série B do Brasileiro. 

O pior é que nos oito jogos seguintes que Anderson assistiu na casa jaconera, o Verdão não venceu. O jovem torcedor só conseguiu assistir a primeira vitória após dez jogos. Foi um 2 a 1 contra a Chapecoense, na Série C do Campeonato Brasileiro de 2010. 

– A partir dali, quando eu ganhei a primeira camisa, o meu sentimento começou a ficar mais forte e ele aumentou mais ainda quando eu comecei a ir para o estádio. Então, ali, quando eu vi o Jaconi, quando eu senti a torcida e tudo, o sentimento começou a ficar muito mais forte. A primeira vez no estádio, acho que é o que faz a gente se apegar mais no clube, sem dúvida nenhuma. Eu passei a frequentar o estádio no pior momento da história do Juventude, me chamavam de pé-frio na minha cidade, e diziam que o Ju deveria proibir minha entrada no estádio – lembra o torcedor jaconero. 

Momento marcante

O ano era 2013. Naquela temporada, o Juventude completou 100 anos de história, um momento importante para o clube. O time alviverde estava na Série D do Campeonato Brasileiro, no ostracismo do futebol nacional e lutava por voltar a viver dias melhores.

– Eu acho que era tudo ou nada naquele ano. Se a gente não subisse, eu não sei se o Ju teria forças para conseguir sair da onde estava depois de tudo aquilo. Aquele ano era o ano do centenário. Então, tinha uma pressão, uma esperança da torcida – afirmou o jovem.

E 2013 foi o ano em que Anderson mais conseguiu assistir jogos do clube do coração. Esteve em 16 partidas. Até prova da faculdade de administração perdeu para ir no jogo dos 100 anos. 

– O jogo dos 100 anos também foi muito marcante, eu chorei muito e sentia que o Ju ia subir naquele ano. Foi o ano que “vamos pegar junto com o Ju, vai dar certo e a gente vai sair dessa”. E a gente se livrou da Série D. Foi o ano de lavar a alma. Por isso que a história de 2013 me marca muito como torcedor – recorda, emocionado.

Saudade sem distância

O torcedor Anderson Rodrigo Petry é natural de Ivoti, mora em Igrejinha, mas optou pelo Juventude, como time do coração. <!-- NICAID(14527989) -->
Foto: Arquivo pessoal / Anderson Rodrigo Petry

Igrejinha, cidade onde Fritz mora, fica a 100 km de Caxias. O torcedor já enfrentou muitos obstáculos para ver o Juventude em Caxias do Sul. Até 2012, pegava carona com um amigo do pai ou um ônibus que saía às 11h e chegava às 13h30min em Caxias do Sul. 

Os jogos começavam as 16h, e ele voltava no ônibus das 19h até Gramado, onde seu irmão lhe buscava para chegar em casa às 21h. Agora, sem os jogos e sem essas “aventuras”, a saudade é grande.

– São os amigos, o futebol, o estádio. Eu me sinto muito bem dentro do estádio. Não sei, parece que às vezes saio da cidade, de Igrejinha, um pouco cansado, estressado, e quando eu chego em Caxias, chego no estádio, a minha energia muda totalmente. Então, talvez essa tenha sido a questão que mais tenha feito falta para mim, toda a questão de me sentir bem dentro do estádio – disse Fritz que completou: 

– A saudade do clube, dos amigos, de tomar uma cerveja antes do jogo, de dormir em Caxias do Sul. Não precisava fazer um bate e volta no mesmo dia, porque são 200 km. E eu gosto muito da cidade também. Caxias é uma cidade gigante, muito diferente do que nós temos aqui em Igrejinha. Então, a cidade também me faz falta, tenho saudade. Mas, com certeza, se sentir bem dentro do Alfredo Jaconi, acho que essa é a maior saudade. 

Perfil do torcedor

O torcedor Anderson Rodrigo Petry é natural de Ivoti, mora em Igrejinha, mas optou pelo Juventude, como time do coração. <!-- NICAID(14527980) -->
Foto: Arquivo pessoal / Anderson Rodrigo Petry

Nome completo: Anderson Rodrigo Petry
Apelido: Fritz
Idade: 26 anos

Um Jogo marcante do Ju: Semifinal do Gauchão de 2013, quando vencemos aquele timaço do Grêmio nos pênaltis. Foi sensacional, um jogo de muita superação e foi marcante pela torcida, pois há muito tempo nós estávamos, podemos dizer, “feridos”. Dos anos para cá, o dia em que derrubamos o São Paulo na Copa do Brasil, um gigante do futebol brasileiro, com o estádio indo abaixo, foi épico também.

Um ídolo do Ju: Desde que acompanho o clube, sem dúvidas o Zulu. Sempre honrou a camiseta e nunca deixou de ser esforçado pelo clube. Foi um jogador fundamental para sairmos daquela fase difícil.

Um gol do Ju: Eu poderia citar o gol do Zulu contra o Londrina, mas vou falar de outro, do Dalberto contra o Botafogo, na Copa do Brasil do ano passado. Não só pelo contexto de eliminar o mesmo grande da edição de 1999, mas aquele gol e a classificação causaram uma grande reviravolta no clube e, a partir dali, as coisas se alinharam e o Ju entrou forte na Série C.

Por que torce pelo Ju? Não sou natural de Caxias e não tinha nenhuma relação com a cidade. Por parte de família não houve influência, pois eles não gostam de futebol. Eu passei a acompanhar em 2004 e não via graça em torcer para Grêmio ou Inter, então passei a acompanhar o Juventude, inclusive tinha um outdoor grande do clube em uma cidade vizinha de Igrejinha, escrito “um clube feito para amar”, que eu achava o máximo. 

Qual o primeiro jogo no estádio? Juventude 1x2 Vasco na Série B de 2009.

Costuma assistir os jogos em que parte do Jaconi? Antigamente eu assistia na ferradura Norte. Agora normalmente faço a romaria com o pessoal, mas não tenho um lugar de preferência, amo todos os cantos do estádio.

Costuma assistir os jogos com quem? Com minha melhor amiga, Renata Corso, que conheci em 2011 no estádio e sempre me recebeu muito bem em Caxias, e todos nossos amigos. Também levo comigo dois amigos de Igrejinha, que aos poucos estão ficando mais próximos do clube, inclusive já associamos um deles.

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