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Lição de vida15/05/2020 | 17h57Atualizada em 15/05/2020 | 18h04

Conheça o jogador do Brasil-Fa que virou servente de obras durante pandemia

Enquanto aguarda auxílio do governo, volante Maylon busca renda em outras áreas

Conheça o jogador do Brasil-Fa que virou servente de obras durante pandemia Luiz Erbes / Arquivo Pessoal / Divulgação/Divulgação
Maylson atuando pelo Brasil-Fa e trabalhando ao lado do pai, Carlos Alberto, como servente de obras Foto: Luiz Erbes / Arquivo Pessoal / Divulgação / Divulgação

A pandemia do novo coronavírus tem causado uma crise sem precedentes na saúde e na economia. Com a paralisação de várias áreas da sociedade, o momento é de buscar alternativas e se reinventar para conseguir ultrapassar as dificuldades. No futebol, não é diferente.  Muitos clubes do interior foram obrigados a suspender os contratos dos atletas e incluí-los na Medida Provisória, do Governo Federal. Porém, como muito brasileiros, os atletas também têm encontrado dificuldades para receber o auxílio. É o caso do volante Maylon, 22 anos, do Brasil-Fa. 

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O jogador mora em Porto Alegre e, nesta época sem futebol, trocou o uniforme e as chuteiras, pela pá e o carrinho de mão, para ajudar o pai como servente na construção civil e conseguir uma renda extra

– A gente busca uma renda extra, fazendo uns “bicos” e trabalhando. Eu ajudo meu pai como servente, já trabalhei como garçom em outras oportunidades. Esses foram os meios que eu tinha que abraçar para conseguir uma renda. A pandemia pegou todos de surpresa e está sendo um momento para rezar e pedir que passe logo. O máximo que eu puder ajudar meu pai a trazer essa renda para dentro de casa, faço isso como servente. Às vezes, entra trabalho, às vezes, não. Tudo é um processo – conta Maylon.

A crise econômica faz todos pensarem nas finanças e em segurar despesas. Isso tem impacto diretamente nos serviços pequenos que são muito inconstantes. Em algumas semanas, não aparece nada para conseguir a renda esperada e Maylon passa por isso. No entanto, quando surge o trabalho, a rotina inclui acordar bem cedo, pegar o material de trabalho, com enxada e pá, para entrar em cena a outra atividade.

– Por vezes, é colocar um aterro para dentro, dar uma capinada num pátio, quebrar ou levar uma parede. Pelo momento de crise, está difícil achar trabalhos assim. Essa semana, tínhamos um, mas o responsável desmarcou, porque não poderia pagar nós. Está bem complicado. Em termos de serviços pequenos, está bem difícil – lembra o atleta. 

Maylon joga futebol desde os oito anos e se espelha na longevidade e na vida pessoal de Zé Roberto, ex-jogador que atuava como meia, volante ou lateral-esquerdo e jogou por grandes clubes do futebol mundial, como Grêmio, Santos, Palmeiras e Bayern de Munique.

Maylon já defendeu o Lajeadense e foi campeão da Copinha em 2015. Depois, passou pelo Criciúma. Na sequência, chegou a ficar oito meses desempregado, jogando na várzea, até conseguir um teste no Cruzeiro, de Porto Alegre,  e lá ficou um ano. Posteriormente, se transferiu para o Gaúcho, de Passo Fundo, onde jogou por dois anos. Nesta temporada veio para o Brasil. A realidade do volante está longe dos holofotes da grande mídia, da badalação dos grandes clubes e dos salários astronômicos. 

– Todos os jogadores do interior sabem o quanto é difícil, pelo calendário. Muitos clubes abrem as portas só no primeiro semestre e fecham no segundo. Já aconteceu de eu parar no segundo semestre, mas nos últimos dois anos consegui me manter empregado – relembra.

Dificuldades

O volante Maylon, 22 anos, do Brasil de Farroupilha, é natural de Porto Alegre.Atleta ajuda o pai como de servente.<!-- NICAID(14500787) -->
Em ação pelo Brasil-Fa na Divisão de Acesso, antes da pandemiaFoto: Luiz Erbes / Divulgação

Maylon mora com o pai Carlos Alberto, em Porto Alegre. A irmã e a mãe moram separadas deles. O volante marcador, de força e com chegada no ataque, é de família humilde. Já passou por grandes dificuldades na vida e essa é mais uma que ele buscará superar.

– Eu sou um cara que vem de baixo, então já passei por várias dificuldades e não é só o momento. Essa é mais uma pedra no caminho, mas tenho a esperança que tudo vai se ajeitar logo. Meus pais nunca deixaram faltar comida dentro de casa, mas por vezes não tinha dinheiro para passagem para o treino, e não tinha lanche. Essa foi uma das pedras, mas quando não tinha passagem, ia caminhando para o treino, e quanto não tinha o lanche, ia treinar igual – conta Maylon, que como a grande maioria dos garotos, sonhou em ser jogador. Mesmo com dificuldades, conseguiu e quer mais:

– Todo menino nasce querendo ser jogador. Para mim, não é só uma profissão. Tenho objetivos pessoais. Eu quero jogar em clubes grandes e dar uma estrutura melhor para meu pai, mãe e amigos. É o que eu mais sonho – lembrou.

Para seguir em frente neste sonho, Maylon aguarda o retorno da Divisão de Acesso. Antes da parada, foram três jogos pelo Brasil-Far e em todas foi titular. Agora, em casa, quando não surge trabalhos extra realiza treinamentos em casa para manter o condicionamento.

– O clube é bastante acolhedor e o pessoal super do bem. Eles pagam em dia, tudo certinho. Eu creio que o grupo é experiente e quando der liga, vamos almejar grandes coisas na competição – finalizou.

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