Jogadores do Caxias condenam episódio de injúria racial em Ijuí: "Revolta bastante" - Esportes - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Gauchão09/03/2020 | 22h34Atualizada em 09/03/2020 | 22h41

Jogadores do Caxias condenam episódio de injúria racial em Ijuí: "Revolta bastante"

Tilica foi xingado por torcedores durante a vitória grená sobre o São Luiz

Jogadores do Caxias condenam episódio de injúria racial em Ijuí: "Revolta bastante" Pedro Brikalski/Especial
Foto: Pedro Brikalski / Especial
Pioneiro
Pioneiro

Após a partida em que o Caxias venceu o São Luiz por 2 a 1, no Estádio 19 de Outubro, o tema principal das entrevistas pós-jogo foi a injúria racial contra o atacante grená Leo Tilica. O jogador havia sido substituído e foi chamado de macaco por torcedores, que acabaram não sendo identificados.

Leia Mais
Caxias vence o São Luiz em Ijuí e segue invicto na Taça Francisco Novelletto Neto

— É pura ignorância. Diferenciar o ser humano pela cor é um absurdo. É todo mundo igual, independente da cor ou da situação financeira. É preciso ter respeito pelo outro. Fico chateado porque é um companheiro nosso. Isso vem acontecendo por todas partes do mundo e, ao invés de as pessoas tomarem conhecimento e terem sensibilidade, fazem mais, talvez para aparecer. Precisa ser tomada uma atitude — destacou o capitão Juliano, na saída do gramado.

O repórter Bruno Mucke, da Rádio Caxias, presenciou o fato e citou durante a transmissão da partida que também ouviu as ofensas. Após o jogo, o centroavante João Paulo era um dos mais inconformados:

— Pelo fato de ser companheiro de clube dele, e por ser negro, revolta bastante. O quarto árbitro estava do meu lado, assim como você estava (repórter Bruno Mucke, da Rádio Caxias). Gritei avisando e comunicando: "Ele está ofendendo, chamando o cara de negro". Faltar com respeito no nosso de trabalho, em um local onde envolve famílias, é muito feio. É revoltante. Não só para quem estava ali e não agiu corretamente. O correto era identificar. Infelizmente, o mundo está cheio dessas pessoas bossais, que têm falta de inteligência — disse o centroavante, em entrevista à Rádio Caxias, antes de completar com um desabafo: 

— A maioria da população brasileira é negra e nem todo mundo tem as mesmas possibilidades ou age com respeito. Quando sai de casa, meu pai disse que eu precisaria ser três vezes melhor, pelo simples fato de ser negro. Já fui na Alemanha, onde teve genocídio, assassinatos e tudo, e nunca vi um desrespeito desses. 

Pelas redes sociais, o Caxias manifestou o apoio ao seu jogador:

"Preconceito, aqui não. Nossa solidariedade ao atleta Tilica, que foi alvo de insultos racistas e de violência na partida desta noite. A S.E.R. Caxias vai estar ao lado dos nossos atletas e torcedores dando todo o suporte e tomando as devidas providências". 

Leia Também
Jogos da categoria sênior abrem a Copa União de Clubes 2020

 
 
 
 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros