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Pandemia18/03/2020 | 21h25Atualizada em 18/03/2020 | 21h25

"Estamos assustados", diz caxiense que disputa competição não paralisada pelo coronavírus

Jogador, de 27 anos, foi formado nas categorias de base do Juventude

"Estamos assustados", diz caxiense que disputa competição não paralisada pelo coronavírus Kayserispor/Divulgação
Foto: Kayserispor / Divulgação

O novo coronavírus parou o mundo. Todos os países estão buscando tomar os cuidados e as providências necessárias para evitar um aumento no número de contaminados. O esporte não é indiferente à essa realidade mundial, diversas modalidades pararam suas competições. No futebol não seria diferente. Ou seria?

Mesmo com a pandemia afetando todo o planeta, a Turquia decidiu não paralisar as atividades, por enquanto. Um movimento alheio à realidade apresentada nas principais ligas europeias e da América do Sul. Os jogos seguem rolando, só com portões fechados. E essa decisão tem gerado polêmica no país e, principalmente, entre os jogadores. 

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Um caxiense atua no futebol turco. Trata-se de Gustavo Campanharo, 27 anos, formado nas categorias de base do Juventude, onde subiu para o profissional. Atualmente, ele defende o Kayserispor, equipe da primeira divisão turca. 

A Turquia segue uma série de medidas preventivas, como restrições de viagens em 20 países e o fechamento de escolas e universidades. Além disso, as autoridades suspenderam orações coletivas nas mesquitas até novo aviso e ordenaram o fechamento de espaços públicos, incluindo cinemas. No entanto, o futebol continua.

— A gente segue treinando e o campeonato em andamento, sem torcida. Os atletas estão se unindo para pedir a paralisação, porque é um desrespeito conosco. Por mais que sejamos saudáveis e não estejamos no grupo de risco, sabemos que podemos contrair o vírus como qualquer outra pessoa e transmitir. O vírus é altamente transmissível. Então, estamos nos manifestando a favor da parada. Assim, vamos nos proteger e salvar as demais pessoas — disse o jogador. 

A situação é tão polêmica que resultou até em pedido demissão no futebol turco. O volante nigeriano Obi Mikel, ex-Chelsea, da Inglaterra, por exemplo, decidiu rescindir seu contrato com o Trabzonspor.  O goleiro uruguaio, do Galatasaray, Fernando Muslera fez declarações públicas contra a continuidade das competições. 

— No nosso dia a dia de treino, o assunto é muito comentado. Estamos assustados, porque não temos como evitar o contato com atletas e outras pessoas. Os clubes têm pedido para a Federação a paralisação, porque nós atletas não queremos entrar em campo. Nos próximos dias podemos ter uma nova posição — afirmou Campanharo. 

O ministro da Saúde da Turquia anunciou nesta semana a primeira morte registrada no país devido à epidemia do Covid-19. 

Medidas do Kayserispor

Gustavo Campanharo, 27 anos, ex-jogador do Juventude. Atualmente, está no Kayserispor, equipe da primeira divisão turca.<!-- NICAID(14455276) -->
Foto: Kayserispor / Divulgação

O time de Campanharo enfrenta o Fenerbahçe, nesta sexta-feira (20), pela 27ª rodada do Campeonato Turco. Como o futebol ainda não parou no país, os jogadores continuam os treinamentos. Mesmo com a preocupação quanto ao coronavírus, os atletas continuam trabalhando, mas com cuidados e procedimentos colocados pelas diretorias. 

— O clube nos passou todas as recomendações. Em todo o lugar do clube tem álcool gel. Eles pedem para gente sempre lavar as mãos. É, até “engraçado”, chegamos no clube e ninguém cumprimenta ninguém para evitar o contato. Estamos tentando cuidar de todas as formas. Porém, esse é um momento de se cuidar fora e dentro de campo e nesse momento o campeonato deveria ser parado. É um momento para refletir e cuidar da saúde — analisa o jogador caxiense. 

Gustavo Campanharo tem experiência de atuar em outros países: Itália, França, Bulgária. Na Turquia, essa é a sua primeira temporada. O Kayserispor fica localizado na cidade de Kayseri. É uma cidade habitada por 300 mil pessoas e fica cerca de 600 km da capital Istambul.

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