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Pandemia19/03/2020 | 21h30Atualizada em 19/03/2020 | 21h30

Caxiense relata como está o futebol tailandês e a situação sobre o coronavírus

Rodrigo Squinalli, preparador físico do Bangkok United, relata que a capital parou há três dias

Caxiense relata como está o futebol tailandês e a situação sobre o coronavírus Bangkok United/Divulgação
Squinalli (D) chegou ao Bangkok United em dezembro de 2019 Foto: Bangkok United / Divulgação

O futebol asiático vem sendo um dos principais destinos dos jogadores brasileiros nos últimos anos, sendo que na Tailândia sempre foi um local atraente no quesito financeiro. Para o caxiense Rodrigo Squinalli não seria diferente. O preparador físico deixou o Juventude no mês de dezembro e atravessou o Mundo pela segunda vez – ele já havia trabalhado na Coreia do Sul –, para trabalhar no Bangkok United.

O país do sudoeste asiático é um destino turístico disputado e recebe anualmente cerca de 40 milhões de pessoas. Os cerca de 300 casos confirmados de coronavírus têm intrigado os moradores locais e quem está lá para trabalhar, como Squinalli. Ainda mais se tomar por base a quantidade de pessoas da cidade de Wuhan, onde ocorreu o primeiro surto da covid-19, que desembarcaram no país de clima tropical asiático.

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— A população estava pedindo o que o governo estava fazendo (em relação a contenção do vírus) e a gente era meio escasso de informações, porque não tinham casos pipocando na Tailândia. Se tinha um medo. Ali em janeiro, eu já andava de máscara porque tinha problema em Wuhan e dessa cidade vieram para Bangkok mais de 20 mil cidadãos em 2020. Como só tinham três ou quatro casos na Tailândia? Uma das explicações que nos davam era de que o vírus não conseguia propagar em temperaturas acima de 26ºC (a média atual é de 36ºC) — conta Squinalli.

Só que uma explicação sobre o baixo número de casos pode estar na quantidade de testes que foram realizados no país. O sistema de saúde tailandês é barato, mas para realizar um exame o custo gira em torno de R$ 4 mil, e é obrigatório pagar, pois não há um seguro que ofereça de forma gratuita ou com algum desconto. O país examinou uma minoria e a única morte devido ao coronavírus havia sido de um senhor chinês, que foi até o país para tentar realizar o tratamento contra o vírus.

No entanto, na última semana, houve uma reviravolta. O governo tailandês mudou sua postura e implementou um decreto fechando locais de circulação do público, como bares, shoppings e restaurantes, e impediu grandes aglomerações. Um campeonato de muay-thai, que chega a movimentar 20 mil pessoas por semana em ginásios, agora estão fechados. 

O futebol também está paralisado na capital e nas regiões mais próximas de Bangkok, mas no interior está liberado. Só que a restrição não está sendo levada ao pé da letra.

—  A gente conversa para tentar entender o que está acontecendo. A Coreia do Sul tem a possibilidade de voltar (o campeonato) no dia 4 de abril, aqui na Tailândia seria 18 de abril, mas não se tem a certeza. Os dirigentes acreditam que o campeonato precisa continuar, ele começou em fevereiro e iria até novembro. Não tem como cancelar, já avisaram  que pelos patrocinadores e pelo o que foi gasto, vai ter jogo. Pode ser protelado, mas vai ter nem que seja um turno — diz o caxiense.

MUDANÇA NOS HÁBITOS

O caxiense Rodrigo Squinalli, preparado físico, está trabalhando no clube Bangkok United e relatou como está a situação do coronavírus na Tailândia. Na foto o ex-jogador do Juventude, Brenner.<!-- NICAID(14456283) -->
Brenner (D), ex-Ju, tendo a temperatura corporal antes de chegar à uma partidaFoto: Bangkok United / Divulgação

Não faz um mês que Squinalli levou sua filha e a esposa para o país asiático, ainda quando não havia restrições para desembarcar por lá. Mas, nos últimos dias, a rotina foi totalmente alterada. O país monitora todos seus habitantes e, principalmente, a temperatura corporal. 

— Moro num condomínio de uns 300 apartamentos e tem que checar a febre toda hora. Se eu saio para ir num mercado aqui do lado, quando eu volto tenho que checar. Se saio cinco minutos, tem que checar igual. Nos shoppings têm muita escada rolante e nos corrimãos sempre tem alguém limpando com um pano — relata Squinalli.

A rotina do futebol mudou, mas ainda deixa lacunas. Dois jogadores sentiram um resfriado na semana, foram liberados quatro dias para ficar em casa, mas retornaram aos treinos sem serem testados para a covid-19. Algo que preocupa, mesmo com o resguardo que o Bangkok United está tomando neste período.

— Os jogadores estão confinados nas suas casas e nos treinos se confere a febre diariamente. O departamento médico liga todos os dias para  os jogadores para ver como estão. Os dois jogadores  que estavam com problema não foram treinar, voltaram ontem, mas não fizeram exames. A gente fica até um meio revoltado. Porque os contratos são milionários, lidamos com esporte,e não pode gastar para fazer um exame do seu grupo de atletas — desabafa.

O futebol tailandês, que pode ser o futuro de alguns jogadores que estão no Gauchão, também encara sérios problemas, mas principalmente está carregado de incertezas.

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