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Judô15/11/2019 | 21h27Atualizada em 15/11/2019 | 21h27

Conheça a história do judoca que superou limitações para garantir vaga na seleção brasileira de base

Déficit na visão não impediu Marcelo Casanova de crescer na modalidade

Conheça a história do judoca que superou limitações para garantir vaga na seleção brasileira de base Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Se você tem em alguma limitação um empecilho para não buscar seus objetivos, certamente não entenderá o que faz o judoca Marcelo Casanova, de 16 anos, que possui 6,75 graus de astigmatismo. Atleta do Recreio da Juventude, ele conquistou uma vaga na seleção brasileira de base da modalidade e a oportunidade de disputar o circuito europeu da temporada 2020, ao ficar no terceiro lugar da Seletiva Nacional sub-18.

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 Uma vitória para quem acreditou que o problema na visão não o impediria de conquistar seu objetivo contra atletas que não têm a mesma limitação – mesmo que o desempenho do jovem mostre que essa palavra é só um detalhe na sua história.

O déficit visual ocorre por conta do albinismo. Ainda assim, isso não foi um impeditivo para que Casanova buscasse um esporte para praticar.

– Meu pai me falava do judô e eu achava interessante. Depois que assisti a Olimpíada de Londres, em 2012, gostei bastante. Vim fazer uma aula teste e continuo até hoje – diz Marcelo, que iniciou na modalidade aos nove anos, no Recreio da Juventude.

A influência do pai na vida esportiva dos filhos foi determinante – além de Marcelo, Rafael também é atleta do clube. Primeiro campeão sul-brasileiro de judô do Recreio da Juventude, Antônio Casanova entendeu a necessidade da inserção do de alguma modalidade na vida do filho.

– Conversamos com ele que um esporte individual seria interessante, principalmente algum em que a visão não fosse o fundamental. Na época, sugeri natação e judô. Veio a Olimpíada e foi um amor à primeira vista – afirma Antônio.

O prognóstico do pai estava certo. No judô, Marcelo encontrou um esporte que fez com que sua limitação visual fosse minimizada. Para os treinadores do Recreio da Juventude, o trabalho ficou mais fácil pela determinação do judoca.

– Ele acabou se adaptando à modalidade. E com o tempo foi se moldando e se forjando diante das próprias dificuldades que ele tem de visão – afirma Giovani Cruz, técnico de Marcelo.

A deficiência na visão atrapalha o judoca em alguns momentos nas lutas. No entanto, ele se diz adaptado às mudanças e movimentos que precisa fazer nos embates para igualar os confrontos com seus oponentes:

– Dificulta um pouco na questão de agilidade na pegada (do quimono do adversário) e de defender. Mas tentamos passar por cima da dificuldade e compensar em outra parte, como uma pegada mais forte.

Pela deficiência de visão, Casanova tem a possibilidade de disputar algumas categorias do judô paralímpico. Do dia 29 de novembro a 1º de dezembro, ele participará do Grand Prix, organizado pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais, em São Paulo. 

Ainda assim, os resultados do jovem nas competições para quem não tem qualquer tipo de deficiência mostram que a limitação segue não fazendo parte do repertório do judoca.

– Tudo depende da força de vontade da pessoa. Se ela está afim de fazer e está disposta, vai conseguir. Tem que deixar todos os problemas que tu tens de lado, porque se quer, consegue. Só tem que achar a melhor forma de fazer com que teu problema não reflita naquilo que vai fazer – conclui Marcelo.

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