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Velocross21/11/2019 | 08h00Atualizada em 21/11/2019 | 09h34

Caxiense campeã de velocross luta contra o machismo para se destacar na modalidade

Dora Schneider pratica o esporte há três anos e, neste período, já conquistou cinco títulos regionais

Caxiense campeã de velocross luta contra o machismo para se destacar na modalidade Anisteu Faggion/Divulgação
No RS, apenas 28 mulheres são afiliadas à Federação Gaúcha de Motociclismo Foto: Anisteu Faggion / Divulgação

— Eu passei por muitas situações de machismo, inclusive das esposas dos meus colegas de velocross. Além disso, já fui empurrada, derrubada, machuquei a cervical. Mas, mesmo assim, continuo correndo sem desanimar.

A fala é de Dora Schneider, 24 anos, atleta de velocross. A caxiense começou a pratica esportiva em novembro de 2016 e, desde seu ingresso, sente falta de maior representatividade feminina. 

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Logo no seu primeiro ano, Dora foi campeã do Desafio Altos da Serra de Velocross. E, com incentivo do seu ex-chefe, Gelci Cunico, e do namorado, Lucas Giubel, as pretensões aumentaram:

— O meu namorado comprou uma moto bem velha pra mim, para que eu começasse a ir junto com ele nas trilhas. Muitos homens participavam e, meu ex-chefe, me dava muito apoio. Ele dizia: "vamos lá, tu tens tudo para se dar bem". 

Com receio, Dora começou a investir no esporte. Com dedicação nos treinos, mesmo sem um espaço próprio para a prática do velocross em Caxias do Sul, ela valoriza a representação feminina na modalidade e o reconhecimento conquistado no meio. 

— Quando eu vi que estava andando muito, decidi que evoluiria mais para competir com os homens. Tive medo, mas continuei correndo, conseguindo patrocinadores e títulos — conta Dora. 

Em três anos envolvida com o esporte, Dora já acumula cinco títulos. São quatro primeiros lugares no Desafio Altos da Serra de Velocross — desde seu ingresso na modalidade, Dora foi campeã em todos os anos: 2016, 2017, 2018 e 2019. Além disso, a atleta também foi campeã do Regional de Velocross, em 2017. 

Dora Schneider pratica o esporte há três anos e, neste período, já conquistou cinco títulos Foto: Anisteu Faggion / Divulgação

Falta de representatividade

A Federação Gaúcha de Motociclismo (FGM) é a responsável pelo esporte no Estado. Conforme a instituição, há 28 mulheres afiliadas. No total, são 539 pilotos ligados ao órgão, divididos nas modalidades velocross e motocross. Sendo assim, a representatividade feminina é de apenas 5,19%. 

Dora sente falta de companheiras de competição, especialmente na Serra Gaúcha:

— Nós corremos em oito mulheres. Mas acredito que existam muitas interessadas que tenham medo de correr porque não conhecem nenhuma referência que possa inspirá-las. Em outros estados, elas são mais fortes, porque tem mais divulgação. 

Velocross x Motocross

As modalidades são similares. No entanto, há uma diferença significativa entre elas. No motocross, os saltos roubam toda a atenção, pois o esporte é praticado com obstáculos. Enquanto no velocross, o foco fica por conta da velocidade e das técnicas, visto que não há barreiras. 

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