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Retomada19/10/2019 | 06h00Atualizada em 19/10/2019 | 15h33

Enquanto aguarda transplante de rim, Marcelo Costa volta ao futebol com projeto de base

Ex-meia da dupla Ca-Ju criou um centro de treinamento em Caxias do Sul

Enquanto aguarda transplante de rim, Marcelo Costa volta ao futebol com projeto de base Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Em seu centro de treinamento, Marcelo Costa passa aos jovens um pouco da experiência do que viveu em campo Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Depois de dois anos pensando somente na recuperação da insuficiência renal que o afastou do futebol em 2016, Marcelo Costa começou 2019 determinado em fazer do futebol também sua força para seguir em frente e mostrar para a doença que ele é mais forte. Assim, ao lado de dois amigos, iniciou o trabalho com o Centro de Treinamento Marcelo Costa, no bairro Medianeira.

— Para mim é muito legal, é algo novo. Já era um sonho de, no futuro, abrir a escolinha. No começo do ano, veio essa possibilidade. Está dando muito certo e estou muito feliz com essa decisão. Muitos pais e alunos estão chegando pela minha carreira e por tudo o que fiz no Juventude, no Caxias, no Grêmio e em clubes conhecidos. Isso facilitou bastante e estou feliz com essa nova jornada — comemora.

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Além da dupla Ca-Ju e do Grêmio, Marcelo Costa atuou pelo Nacional, da Ilha da Madeira-POR, Palmeiras, Ipatinga, Goiás, São Caetano, Joinville e Paysandu. Essa rodagem e as inúmeras conquistas em cada um dos clubes que passou são os principais impulsos para que o ex-jogador queira passar adiante tudo o que aprendeu no esporte:

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 10/10/2019 - O ex-jogador Marcelo Costa, com passagem pela dupla Ca-Ju e Grêmio, luta contra uma insuficiência renal e aguarda por um transplante de rim. Enquanto segue o tratamento, inicia o trabalho com seu centro de treinamento para formação de jovens. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Marcelo Costa retoma, aos poucos, o dia a dia com o futebolFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

— Por três vezes eu desisti de jogar futebol. Isso que fez eu querer montar uma escolinha. Nessa idade dos meninos, por certas dificuldades e situações, eles acabam desistindo dos seus sonhos. Eu passei por isso. Com 13 eu desisti, com 14 também, e com 15 que eu vim e consegui ficar no Juventude. Foram 10 anos de experiência ali, fora tudo que eu aprendi depois. Quero passar para esses meninos que, apesar de tudo isso que a gente passa no começo, não dá para desistir.

Além do trabalho com sua escolinha, o sonho de voltar ao convívio do futebol profissional também motiva Marcelo. No entanto, ele sabe que enquanto não estiver totalmente recuperado, não deve assumir outros compromissos:

— Eu tive convites de outras equipes para ser um coordenador técnico ou fazer algo em uma categoria de base. Mas, pelo motivo de saúde, não quero assumir nada. Sei que quando você entra em um clube profissional, tem uma responsabilidade muito grande.

A forma dura com que sua carreira foi interrompida faz com que o ex-jogador passe o principal ensinamento para aqueles que ainda jogam:

— Aproveita todo o dia. O treino, a concentração, o jogo e dá seu melhor. Depois que para e que você não pode jogar, sente saudade de tudo isso. Sente vontade de voltar atrás, resolver e fazer tantas coisas, mas você não pode mais. Aproveita cada dia, cada treino, cada palestra e cada trabalho tático. Tudo aquilo que é chato, mas aproveita. De uma hora para outra, você pode não jogar mais, como foi minha situação. E, quando chega nessa condição, tem que se confortar no que se viveu de melhor. 

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Em 2014, Marcelo Costa ergueu o troféu de campeão da Série B, pelo Joinville, no programa "Bem, Amigos", do SportvFoto: Rafael Ribeiro / CBF/Divulgação

A luta de Marcelo Costa pela vida segue. O desejo de realizar uma partida de despedida, também. A sua vontade é reunir amigos para um último jogo, para agradecer tudo o que o futebol fez por ele. Porém, o desejo de atuar, esse ninguém tira dele, nem dormindo.

— Você vai rir, mas sonho toda a noite que estou jogando, que estou entrando no ônibus, na concentração, no hotel, na alimentação, na hora da palestra – conta Marcelo Costa, fazendo disso o incentivo na busca da recuperação:

Ouça a íntegra da entrevista de Marcelo Costa

— Eu não me vejo como um jogador que encerrou a carreira. Estou parado, em um departamento médico. Penso nisso para me motivar, para não aceitar uma enfermidade e para que, daqui a pouco, eu possa, de uma hora para outra, voltar a jogar. Podem pensar que é uma ilusão ou um sonho, mas isso me deixa bem.

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