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Entrevista27/09/2019 | 20h30Atualizada em 27/09/2019 | 20h30

Após o acesso, o que a direção analisou da temporada 2019 no futebol do Juventude

Osvaldo Pioner não garante permanência na diretoria alviverde para o ano que vem

Após o acesso, o que a direção analisou da temporada 2019 no futebol do Juventude Lucas Amorelli/Agencia RBS
Pioner não definiu se permanece no futebol alviverde em 2020 Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

O Juventude encerrou a sua temporada em alta. Acesso para a Série B garantido, com uma campanha excelente na Copa do Brasil e regular no Gauchão, o clube termina 2019 com confiança de tempos ainda melhores num futuro próximo. Se a torcida está feliz, quem comandou o departamento de futebol está radiante pelo trabalho bem sucedido e pela reconquista do orgulho da torcida com o seu time.

— Tivemos muita alegria, que é o grande pagamento que a gente espera no final. Recuperar o orgulho do Jaconero, a força do Jaconi e atingir nossos objetivos. Acho que estamos de parabéns em todos os pontos — ressalta Osvaldo Pioner, diretor-geral de futebol alviverde.

Foram 14 anos afastado da diretoria executiva do clube, mas Pioner, aos 63 anos, voltou para reeditar a parceria com o presidente Walter Dal Zotto Jr. Eles trabalharam juntos em 2005, quando a realidade era completamente oposta a de hoje. À época, o clube era 14º na Série A do Brasileirão. 

No regresso, a missão era muito mais difícil, porque o contexto era conturbado. Era preciso, de qualquer forma, retornar à Segunda Divisão Nacional, e o objetivo foi concluído. O alviverde está entre os 40 maiores clubes do Brasil. 

Encerrada a temporada 2019, o dirigente vê um futuro mais promissor se comparado ao que encontrou quando retornou à diretoria. Ainda sem confirmar se seguirá à frente do departamento em 2020, ele concedeu entrevista ao Pioneiro para avaliar o ano de sucesso e projetar os próximos passos da instituição. Confira: 

AVALIAÇÃO DO ANO

Osvaldo Pioner: Gosto de pontuar as coisas boas, as ruins deixo para os críticos e quem eventualmente possa estar torcendo contra o clube. A nossa avaliação é a melhor possível. Traçamos os objetivos e, com um pouco de sorte, um pouco de competência e um pouco no acaso, atingimos todos eles. Tínhamos uma ideia de classificar no Campeonato Gaúcho e conseguimos, apesar de alguns apertos e resultados muito ruins. Nós tínhamos no planejamento que, obrigatoriamente, precisávamos passar da primeira e talvez, num milagre, da segunda fase (na Copa do Brasil). Fomos bem adiante (chegou nas oitavas). Para se ter uma ideia, o valor de premiação foi mais que o orçamento do clube desenhado para esse ano. E, no Campeonato Brasileiro da Série C, o nosso título era o acesso. 

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A FESTA DO ACESSO

— Brigamos muito para o jogo não ser na segunda-feira, porque entendíamos que o nosso torcedor teria dificuldade de vir por trabalho, estudo e poderia estar frio e chuvoso. No fim, fomos presenteados por nosso padroeiro São Pedro, que nos deu uma noite maravilhosa, clima bom e a torcida deu show. Há muito tempo não se via isso, conseguimos o acesso com 22 mil pessoas no estádio e placar de 4 a 0. Isso lavou a alma de todo mundo. 

PRÓS E CONTRAS

Houve coisas negativas, que não realizamos ou desenhamos e não se concretizou. Estão escritas, discutidas e vão ser corrigidas. Se não comigo, com quem tocar o futebol no ano que vem. Deixaremos esse dossiê pronto.

A VIRADA NA TEMPORADA

— Não sei exatamente quando foi, mas desde o primeiro jogo contra o Pelotas, em Rio Grande, fizemos umas avaliações. Desde a nossa comissão técnica e o perfil de cada atleta. E ali corrigimos algumas coisas. No início montamos (o grupo) do jeito que deu e fomos corrigindo pontualmente. Talvez uma derrota no Ca-Ju (por 3 a 0, no Jaconi, durante o Gauchão) nos apressou a tomar alguma decisão? Pode ser que sim. Talvez o estudo de treinador e sorte de pegar a pessoa certa? Também acho que sim. Aquele susto que levamos do Grêmio (6 a 0, nas quartas de final do Gauchão dentro de casa) nos fez recuar um pouco e pensar melhor. Uma série de coisas, que para dizer qual pesou mais eu não sei. Todas elas ajudaram. A cada derrota nós tínhamos uma avaliação muito criteriosa. 

PLANEJAMENTO

— Outra coisa que fizemos muito importante desde o primeiro jogo é que estávamos atentos ao mercado. Por exemplo, o João Paulo (volante) era para ter vindo naquele jogo contra o Grêmio que perdemos feio aqui dentro de casa. Naquele momento, fiz o contato com ele e disse: “João Paulo estou te mandando as passagens”. E ele disse: “cara, segura um pouco porque acho que tenho outra proposta e minha família está pensando”. Estávamos trabalhando ali. O próprio treinador, não estávamos trocando o Winck, mas tínhamos uma lista de nomes para caso desse algum problema. Para ser bem sincero, estamos contando certo com a volta do Marquinhos, mas nem por isso estamos sentados 100% nessa certeza. Não estamos procurando treinador porque o Marquinhos irá voltar, mas se der um problema de não acontecer, já sabemos para onde caminhar.

VOLTA AO FUTEBOL DO JU

— Tu sabes que trabalhei muito tempo no futebol e fiquei muito tempo parado, mas me parece que a coisa do caráter, da disciplina, do respeito não mudaram. Quando começamos a montar o grupo, claro que um time de futebol precisa saber jogar e de alguém que conheça, mas não foi o principal que buscamos. Deixamos de contratar jogadores bons e de renome, porque tinham problema extracampo e de vestiário. Acreditamos que um time médio e fechado é mais importante que ter três ou quatro astros, que quando eles querem, decidem ao teu favor e, quando não querem, decidem contra. Nossa preocupação foi nesse aspecto. Nisso senti que não houve diferença. 

A dificuldade de tratar com empresário segue a mesma. Mas cada jogador que chegou aqui, eu conversei individualmente. Eu disse à eles: “antes de assinar o contrato, essa é a regra, porque o que a gente combinar não vai ser caro de cobrar”. Quando precisava cobrar, eu dizia: “lembra da nossa conversa? Lembro, me desculpa. Desculpa não, passa aqui que vamos arredondar umas coisinhas”. Se eu passar o ano com desculpas, vamos continuar mais um ano na (Série) C e cheio de desculpas que não vão pagar a nossa conta.

PERMANÊNCIA

— Em primeiro lugar, sou torcedor do Juventude. Em segundo lugar, sou sócio. Em terceiro, sou conselheiro. Em quarto, estou no momento como dirigente. Estou motivado porque o Juventude subiu para (Série) B e vai começar no ano que vem bem organizadinho. E, talvez, se conseguir as peças certas, tem grandes chances de subir para Série A. Estamos num embalo muito bom e não podemos perder esse otimismo. O (Luís) Oselame (assessor de planejamento) fez um trabalho muito bom e o que se desenha é continuidade de trabalho, mas não de pessoas. Não necessariamente o Pioner tocar o futebol, mas quem assumir vai observar algumas coisas que deixaremos escrito. Eu não vou sair da arquibancada, posso sair da sala de entrevista e vou para lá sofrer. Acho que sofro mais lá do que aqui. Aqui precisa de mais equilíbrio, eu não posso responder tudo o que penso, com a raiva ou emoção do momento.

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