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Vale o churrasco12/07/2019 | 06h00Atualizada em 12/07/2019 | 06h00

Amizade à prova pelo acesso: a história de Foguinho, do Caxias, e Patrick Borges, do Manaus

Amigos de infância, atletas se enfrentam pela primeira vez na decisão por vaga na Série C

Amizade à prova pelo acesso: a história de Foguinho, do Caxias, e Patrick Borges, do Manaus Manaus Divulgação / Marcelo Casagrande Agência RBS/Marcelo Casagrande Agência RBS
Patrick Borges (E) e Foguinho começaram juntos no futebol Foto: Manaus Divulgação / Marcelo Casagrande Agência RBS / Marcelo Casagrande Agência RBS

Uma amizade de décadas colocada frente a frente na decisão entre Caxias e Manaus, pelas quartas de final da Série D. O volante grená Foguinho e o zagueiro do time amazonense Patrick Borges estiveram sempre próximos desde o começo de suas histórias no futebol, mas só um deles sairá desse confronto comemorando o acesso à Terceira Divisão.

Foguinho, de 27 anos, é dois meses mais velho do que Patrick, que comemora aniversário no dia 7 de agosto. Porém, a ligação entre os dois vêm desde o nascimento, praticamente. A família do volante é da cidade de Cristal, enquanto a do zagueiro de Turuçu. No entanto, os dois nasceram em São Lourenço do Sul, município que divide as duas localidades de onde os atletas são oriundos e com melhor estrutura de hospital em 1992. E foi lá também o primeiro encontro por causa do futebol.

— Atuamos juntos na escolinha Piazitos do Sul, no futsal, quando tínhamos seis ou sete anos. E mantivemos essa amizade — lembra Foguinho.

Após os primeiros chutes, veio a adolescência. E nela, a proximidade e a ligação dos jogadores ficaram ainda mais fortes. Patrick, então chamado de Turuçu, virou zagueiro das categorias de base do Pelotas. Foguinho, no entanto, seguia buscando espaço no futebol lourenciano.

— Desde a escolinha já éramos amigos. Depois, jogávamos futebol de areia e amador juntos. Fui para o Pelotas e o Foguinho disputou um estadual juvenil pelo Grêmio Lourenciano. Daí eu dei uma ajuda para ele poder ir para o Pelotas também — lembra Patrick, contando que a ligação profissional dos dois seguiu por ainda mais tempo:

— Eu já tinha subido para o profissional, em seguida ele foi também. Jogamos o Gauchão de 2010, com o Beto Almeida. Logo depois me transferi para o sub-20 do Grêmio, em julho. Em setembro, o Foguinho foi também.

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Responsável por subir os dois jovens ao profissional, o técnico Beto Almeida, atualmente no sub-20 do Tubarão-SC, relembra do apoio que precisou dar aos meninos quando chegaram no time de cima do áureo-cerúleo.

— Tínhamos um time muito experiente, com Sandro Sotilli, Tiago Duarte, Alex Dias, Maurinho, entre outros. E mesclamos com jovens. Mesmo contra a vontade de muitos torcedores, que nunca foram favoráveis à promoção de novos. O Foguinho, quando entrava em campo, a torcida vaiava. Cheguei a combinar com ele que só o levaria para jogos fora de Pelotas. E ele sempre terminava as partidas muito bem. Entrava dando conta do recado — recorda Beto, lembrando que também trabalhou com Patrick Borges em mais oportunidades:

— Era um zagueiro que vinha sendo muito bem trabalhado pela base do Pelotas, chegou no profissional e ajudou muito. Depois, em 2013, trabalhei com ele no CSA, onde estava muito bem, titular, com uma opção muito boa de saída de bola pela técnica, e um ótimo pé esquerdo.

De Pelotas, os dois foram para Porto Alegre. E a partir daí, cada um seguiu o seu caminho sem nunca mais jogarem lado a lado e nem contra, como acontecerá desta vez. É um reencontro que vale muito para os amigos.

Churrasco só depois da decisão

O duelo entre os amigos só  acontecerá por causa do gol de Zé Matheus, na vitória do Brusque-SC sobre o Boavista-RJ, na segunda-feira. Até os 42 minutos do segundo tempo — quando veio o 3 a 0 para os catarinenses –, o reencontro não ocorreria.

— Nós já tínhamos conversado depois da classificação do Juazeirense-BA, que não seria Manaus contra Caxias. Os jogos estavam muito equilibrados e não tinha dado nenhum placar elástico nessa fase. Mas o destino quis isso — disse o zagueiro.

O mais curioso é que, antes do duelo ser confirmado, a torcida do grená era para o time de Manaus e o contrário também. Tudo mudou quando se definiu o confronto.

— A gente comentou que parecia até injusto. Os dois times bateram na trave no ano passado. Esse ano, queríamos subir os dois para comemorarmos juntos. Mas agora vai ser o nosso duelo e só um de nós vai passar e o outro vai ficar no caminho — lamenta Patrick.

A amizade que ultrapassou o campo, vai ficar em stand by até o término dos confrontos. A conversa entre os dois, tradicional nas férias nas praias de água doce de São Lourenço, ficará mesmo para o churrasco de fim de ano:

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— Sempre que estamos de férias, em casa, visitamos a família um do outro, sempre fazendo um churrasquinho quando possível. É uma irmandade que fiz no futebol, mas isso agora fica de lado, porque somos adversários – admite Foguinho, revelando que não vai ter conversa com o adversário até o final das quartas de final:

— Esse contato pré-jogo não vai existir. É uma decisão muito importante para nós, estamos muito focados. A amizade vai ficar para depois.

Por falar em amizade, a confraternização do final deste ano corre o risco de ficar mais salgada para um dos lados.

— A verdade é que o churrasco já está valendo. Todos os finais de ano a gente está sempre junto, fazendo churrasco ou em pescaria. Então não podia faltar essa aposta. Mas, com certeza, quem passar vai levar de chacota para o resto da vida que teve um acesso em cima do outro — brinca Patrick.

Para quem conheceu os dois no início, a amizade foi determinante para a carreira de ambos.

— Eles têm cabeça boa e estrutura familiar. Isso ajuda muito, porque um puxa o outro para cima. Com eles sempre foi uma amizade muito franca, positiva e de ajuda mútua. Foi, com certeza, um dos fatores para que os dois seguissem suas carreiras bem promissoras — avaliou Beto Almeida.

Amigos e referências

A amizade pode até ficar de lado nos dois jogos em que o Grená e o Gavião do Norte vão se encontrar. Porém, a referência e a importância que um tem para o outro na carreira, não.

— O Patrick sempre foi como um irmão para mim. A gente passa muita dificuldade na bola, porque vamos procurando nosso espaço. Conversamos quase que diariamente por redes sociais, porque temos muitos altos e baixos no futebol. Então, sempre procuramos nos ajudar um ao outro. Sempre tive ele como uma inspiração e ele sempre teve a mim como um suporte. 

A recíproca, no caso de Patrick, é muito verdadeira em relação a Foguinho:

— A gente sempre conversou, se apoiou e se cobrou muito. As críticas são sempre construtivas. Desde que fomos para o Pelotas moramos juntos. Em Porto Alegre, também. É uma afinidade de irmão. Sabemos de onde a gente vem, conhecemos nossa essência. Sempre estivemos um do lado do outro. E agora vai ser a primeira vez que vamos ter que esquecer um pouco disso para defender nossas cores.

Só um dos dois terminará o sábado, dia 20 de julho, com o acesso. A amizade, porém, só volta à normalidade depois desta data.

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