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Dia da Mulher08/03/2019 | 05h00Atualizada em 08/03/2019 | 13h31

Marcela, de Carlos Barbosa, joga em um time de futebol americano

A sua dedicação e das outras mulheres que integram o Ximangos pode ser considerada uma das primeiras grandes conquistas do clube

Marcela, de Carlos Barbosa, joga em um time de futebol americano Felipe Nyland/Agencia RBS
Marcela Dalmás Stragliotto criou com outras gurias um time de futebol americano Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Mulher pode estar em todos os lugares. Mas a cada dia é preciso reafirmar, porque elas ainda são minoria em cargos de liderança. Na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, por exemplo, dos 23 parlamentares, apenas quatro são do sexo feminino. Mulher também pode ser o que ela quiser: uma profissional ou dedicar-se somente ao cuidado dos filhos. Ou, se preferir, não tê-los. Neste 8 de Março, mostramos histórias de mulheres protagonistas, que resolveram empreender, entrar na política, ter uma banda de thrash metal, jogar futebol americano e ser, ou não, mãe.

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Em Carlos Barbosa, Marcela criou um time de futebol americano

Há pouco mais de um ano, enquanto fazia torcida para o seu marido e colaborava com a organização dos eventos promovidos pelo Carlos Barbosa Ximangos, da arquibancada, Marcela Dalmás Stragliotto, 31, nem imaginava que um dia poderia estar dentro de campo, defendendo o time barbosense. Foi na brincadeira que ela e outras namoradas de jogadores de futebol americano tiveram a ideia de montar uma equipe feminina, na modalidade Flag footbal, para disputar campeonatos que começavam a ser difundidos no RS, a partir da mobilização de clubes como o Santa Maria Soldiers e o Chacais, de Santa Cruz do Sul. 

— Começamos em umas sete gurias, todas namoradas de jogadores da modalidade full pad. Hoje, somos em 22 e vamos disputar nosso segundo torneio estadual — conta Marcela, que joga como Center no time.

Ela garante que, o que começou como uma brincadeira, logo passou a ser levado a sério, por ela, pelas colegas e pelo time masculino do Ximangos, que desde o início deu apoio a elas.

— Eu já conhecia o futebol americano porque acompanhava, mas o flag é diferente e eles nos ajudaram muito com isso — garante a jogadora, que tinha, até então, apenas o pole dance como prática de atividade física.

 CARLOS BARBOSA, RS, BRASIL 07/03/2019Marcela Dalmás Stragliotto, jogadora na equipe feminina de futebol americano (categoria flag) do Carlos Barbosa Ximangos. Matéria especial do dia da mulher. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

A dedicação de Marcela e das outras mulheres que integram o Ximangos pode ser considerada uma das primeiras grandes conquistas do clube, que recém avança suas primeiras jardas em competições femininas. A estreia ocorreu na Copa RS, no final do ano passado. Mesmo sem classificatória para a segunda etapa, o time teve bons resultados perante equipes mais experientes.

— É uma dedicação que não se vê muito em outros esportes, porque o futebol americano é bem coletivo e depende da união de todos; tem que andar todo mundo junto, caso contrário não vai pra frente — avalia a jogadora, que é secretária de um consultório médico e, assim como suas colegas de equipe, administra sua agenda para dedicar tempo aos compromissos do esporte.

Rotina de treinos

Os treinos, inicialmente realizados uma vez por semana, hoje ocorrem em todas as terças e sábados, somados aos encontros de reforço, agendados em um domingo por mês. O comprometimento das atletas vai além dos treinos conjuntos, com dedicação também à preparação física individual, para melhor desempenho dentro de campo.

—  Acabei me cuidando mais, me alimentando melhor, intensificando exercícios, mas não por uma busca de padrões estéticos, e sim para melhorar meu condicionamento e poder competir

Time feminino de Futebol Americano, modalidade Flag Football, do Carlos Barbosa Ximangos
Equipe formada no início de 2018 disputa seu segundo campeonato estadual a partir de marçoFoto: DM Photography / Divulgação

— Temos mulheres de tudo quanto é peso, idade e também de várias cidades – completa a jogadora, que divide campo com mulheres de 17 até 35 anos, moradoras de Carlos Barbosa, Garibaldi e também de Barão.

O time tem novas seletivas em vista, geralmente realizadas com treino aberto, mas está sempre aberto a receber mulheres que tenham interesse em fazer parte do universo da bola oval. A equipe é a primeira formada na Serra e, no próximo dia 24, disputa, pela primeira vez, o Campeonato Gaúcho de Flag Feminino, promovido pela Federação Gaúcha de Futebol Americano. As atletas locais compõem a grade de seis equipes, sendo a maioria formada recentemente, em uma crescente do protagonismo feminino no esporte.

— O que a gente sempre fala pras mulheres e quer mostrar também pra comunidade é que a gente pode estar onde a gente quiser, em qualquer esporte, em qualquer lugar. 

Engajamento e representatividade

A formação feminina do Ximangos acabou se tornando uma importante ferramenta para a difusão do esporte junto à comunidade. Mesmo não disputando a segunda etapa da Copa RS no ano passado, o time foi anfitrião dos jogos femininos, em um evento que movimentou o Clube Serrano, sede de treinos e campeonatos do clube. Durante todo o dia, muitas pessoas circularam pelo local, acompanhando as disputas oficiais e o circuito aberto que contou com amistosos masculinos na modalidade flag.

— A participação feminina nos jogos acaba atraindo mais familiares e também outras pessoas que vem conhecer o esporte — garante a quarterback da equipe, Tuane Isotton, 29. A atleta — que está afastada por motivo de gravidez — foi uma das incentivadoras da formação do time e chegou a disputar os dois jogos da Copa RS do ano passado em período de gestação. 

Tuane, jogadora de futebol americano na modalidade falg football do Carlos Barbosa Ximangos
Tuane Isotton é quarterback do Carlos Barbosa Ximangos feminino e atuou no primeiro campeonato disputado pela equipeFoto: DM Photography / Divulgação

— Por ser um esporte com menos contato, foi bem tranquilo; claro que tive que tomar alguns cuidados — explica Tuane.

Segundo ela, a ideia inicial era de formar um time full pad, como o masculino, porém isso exigiria mais jogadoras (40 a 60) e o equipamento necessário também é muito mais caro. O flag é uma modalidade reconhecida do futebol americano e também é usado para introdução de iniciantes ao esporte, com a premissa fundamental de conquista de território dentro de campo.

— O time masculino visitou algumas escolas da cidade, apresentando o flag aos alunos, conquistando principalmente os meninos. Acho que a representação feminina que existe agora gera uma noção de igualdade, as meninas passam a ver a possibilidade de praticar o esporte também — afirma.

Para Julia Nunes Rodrigues, de 18 anos, o futebol americano também se tornou uma paixão. A jovem, que mora em Garibaldi, acompanhava o time barbosense por meio de um amigo que integrava o elenco masculino, ainda em 2015. Quando soube da novidade para mulheres, a estudante de nutrição resolveu experimentar o esporte dentro de campo, calçando pela primeira vez uma chuteira. Nesse meio tempo, ela chegou a transitar na equipe masculina, como parte da comissão técnica.

Julia já integrou comissão técnica do Carlos Barbosa Ximangos
Julia joga no time feminino e chegou a atuar como membro da comissão técnica da equipe masculina de futebol americanoFoto: DM Photography / Divulgação

— Fiz muitas amizades com pessoas que são completamente diferentes de mim, tenho todos como uma família e acho incrível mulheres tendo a possibilidade de disputar um campeonato estadual de futebol americano.

Sobre o esporte

O Flag football é uma versão do futebol americano que tem as regras básicas similares às do jogo profissional, mas em vez de derrubar o jogador com a bola ao chão, o defensor deve retirar uma fita (flag) que fica presa à cintura dos jogadores por um velcro. O Flag foi desenvolvido para minimizar lesões que o impacto pode trazer, bem como baratear a prática do esporte, cujos equipamentos acabam sendo caros.

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