"Sempre queremos um clube vencedor, não podemos pensar diferente", diz Vitacir Pellin - Esportes - Pioneiro

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Entrevista24/11/2018 | 07h15Atualizada em 24/11/2018 | 07h15

"Sempre queremos um clube vencedor, não podemos pensar diferente", diz Vitacir Pellin

Presidente do Caxias falou sobre expectativas e desafios para 2019

"Sempre queremos um clube vencedor, não podemos pensar diferente", diz Vitacir Pellin Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

O Caxias começa em 2019 o seu quarto ano de um processo de recuperação. Desde que o grupo gestor assumiu o clube em 2015, depois de uma temporada de derrocadas dentro de campo e erros acumulados fora dele, a agremiação grená começa a respirar com mais tranquilidade e até projetar novos passos. Vitacir Pellin, 68 anos, será o terceiro presidente desta nova era e com grandes desafios pela frente.

O clube precisa sair da Série D e começar a alçar voos maiores para que o extracampo também volte a ter um pouco de tranquilidade.

— Como diretores sempre queremos um clube vencedor, não podemos pensar diferente. Existe um clamor da torcida e uma necessidade de passarmos desta fase para outra (acesso à Série C). Começar a respirar. Mas dentro daquilo que a gente conhece, o futebol não é dois mais dois igual a quatro — pondera o novo mandatário, que complementa:

— Acreditamos muito no trabalho. Quando converso com o torcedor, quero que eles entendam o momento, venham e abracem o clube. Sonhamos com o acesso e também em fazer um bom Gauchão. Trabalho não irá faltar, pode ter certeza.

Em 40 minutos de conversa, Vitacir, ao lado do vice-presidente André Randon, falou sobre o planejamento do grupo de trabalho, os desafios, as contas que o clube ainda precisa pagar, as medidas amargas tomadas pelos gestores e seus efeitos. Além disso, a projeção de um retorno das categorias de base com mais força para 2020. 

Confira os principais trechos a seguir:

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Desafios

— O primeiro desafio é manter esse grupo que vem recuperando o Caxias unido. É através dele que a gente acredita que os outros passos poderão ser dados com menos dificuldades. O vice da Federação Gaúcha de Futebol (Luciano Hocsman) falou ao grupo de conselheiros e torcedores que estavam na Confraria Grená (quinta-feira à noite), que no início de 2016 recebeu um mandato de sequestro de bens e tudo que fosse possível da S.E.R. Caxias. O Luciano foi para a sala do presidente (Francisco Noveletto) e disse: “Presidente, nós vamos perder um filiado”. Da forma como o Caxias se encontrava naquele momento, ele entendia que era impossível reverter a situação. Graças a esse grupo, isso não ocorreu. O maior desafio é manter a equipe integrada e sempre que possível trazer mais pessoas para a gestão. Pessoas mais jovens, porque nós passamos, mas a instituição tem que dar continuidade.

Recuperação do clube

— Nós iniciamos nosso trabalho um pouco mais evoluídos que em 2016. Méritos do grupo, em especial ao nosso vice Valmor Miola, que elaborou um planejamento estratégico, onde estabeleceu uma série de caminhos a serem seguidos. Um deles é oferecer para o departamento de futebol melhores condições para trabalhar numa faixa de investimentos diferente. Infelizmente, em 2019 não temos condições de oferecer valores que a gente estima que seriam compatíveis para alcançar todos os objetivos. O pessoal está trabalhando muito e acredito que em 2020 seja possível buscar esses patrocinadores e apoiadores. Com isso, a próxima diretoria, que irá nos suceder, terá um clube melhor do que está hoje.

Dívidas do clube

– Os números quando assumimos eram assustadores. Já nas primeiras reuniões, paramos para pensar se haveria possibilidade de revertermos isso ou se passaríamos a chave e daríamos um tempo para recomeçar. Após algumas reuniões se tomou uma decisão de que havia luz no fim do túnel, aproveitou-se a oportunidade da lei do Profut e migramos para isso. Estamos pagando R$ 72 mil em mais de 30 parcelas e acredito que até 2019 deva passar para R$ 80 mil, porque tem uma tabela progressiva. Essa parte está bem administrada. Na outra, que eram as dívidas trabalhistas e cíveis, para se ter uma ideia, eram praticamente 170 ações geradas no último ano e meio (2014/2015). Ali entrou o grupo e a competência do departamento jurídico, que buscou um aporte de dinheiro desse grupo para colocar numa conta onde se pode negociar com cada um desses credores, mas de uma forma que fosse menos dolorida. Trouxemos cada um deles, negociamos e ainda devem faltar uns dois ou três. 

Decisão pessoal

— É um processo evolutivo. Tenho uma história dentro do clube, desde criança a gente é apaixonado, vem no estádio, cresce e vai para as torcidas organizadas. Depois passa a ser sócio, conselheiro e ter atividades dentro do clube. Estou envolvido há uns 28 ou 30 anos com o clube, indireta ou diretamente. Quando me perguntaram, na época eu estava com um probleminha de saúde e não queria. Aí veio o grupo todo e garantindo que iriam estar juntos. A família me disse: “vai, é algo que você gosta e precisa até largar os negócios, deixa que a gente toca”. Então, foi uma série de fatores, mas principalmente o grupo que me apoiou. 

Resultados em campo

— Queremos fazer um excelente Campeonato Gaúcho e estamos já pensando ali na frente.  Veja bem como as coisas acontecem: termina o Gauchão e 10 dias depois inicia a Série D. Muitos desses atletas que estão sendo contratados vieram para o Estadual e depois querem voltar a disputar uma série maior, aí tem 10 ou 12 dias para remontar o grupo. Mas o pessoal já está trabalhando e deixando mapeado. No fim de 2015, para montar o grupo de 2016, iniciamos um banco de dados e a cada ano a gente vai aprimorando. Segundo o nosso vice de futebol (José Caetano Setti), temos o grupo praticamente definido para o Gauchão, mas o futebol é muito dinâmico e daqui a pouco teremos lesões ou um jogador sai para outro clube. 

Recuperar os torcedores

— É trabalho. Precisamos mostrar isso ao nosso torcedor. O trabalho que está sendo feito, a transparência, a seriedade e os objetivos. Precisamos trazer esse torcedor de volta e, aos poucos, eles estão voltando. É só começar a mexer com o futebol, que eles retornam. Quem é grená não desiste.

André Randon: Algo importante é o Grená de Vantagens. Se o torcedor fizer a conta, ele vai ver que, com as compras nos locais onde temos convênios, com os descontos que eles conseguem, a mensalidade do futebol é de graça. Isso é algo que estamos trabalhando forte e tentando novas parcerias para dar um volume bom nas compras.

Fora da Copinha 2018

— Chegamos na metade do ano em uma encruzilhada. As reservas financeiras não existiam. Aí para disputar com o grupo forte e buscar a vaga na Copa do Brasil teríamos um déficit de R$ 800 mil. Ou seja, mesmo sendo campeão e conseguindo a vaga, não pagaria. Com um time mesclado, diminuiria um pouco na folha, mas viagens, estadias, concentração e rouparia continuaria igual. Diminuiria a qualidade e manteria a despesa.  Poderia ir só com os guris da base, mas o Caxias é muito grande. É muito simples para o torcedor e a gente entende, porque fomos e somos torcedores. Todos querem jogo. Aí você entra numa competição dessas e começa a apanhar dos caras de Capão da Canoa. Criaria um desgaste desnecessário. Essa foi uma das medidas amargas, que tivemos de cortar na carne. 

Categorias de base

— Outra medida difícil foi recuar um pouco nas categorias de base. Todos sabem que a base organizada é um excelente negócio para o clube. Só que, de que adiantaria termos 70 ou 80 jovens, de 18 a 21 anos, sem acomodações dignas, sem refeitório, sem nutricionista, psicólogo, alguém de amparo na área jurídica e sem campos para treinamento? Isso tudo vem antes, só depois vem o futebol. Muita gente diz que a gente não gosta da base. Não, pelo contrário. Nós queremos, e já conversei com o Lairton (Zandonai, coordenador da escolinha grená) e com o Paulo César Santos (diretor de categorias esportivas) que se comece a fazer um trabalho de construção para que em 2020 nós possamos iniciar uma base e um caminho a ser seguido. 

Medida amarga

— Nós temos, acho que isso se dá na grande maioria dos clubes, o torcedor fiel. Aquele que paga a mensalidade o ano inteiro, porque o clube tem as suas demandas, e ele te ajuda. E tem aquele que entra em janeiro e paga até abril, na hora boa do campeonato. Ali foi uma medida em conjunto para que os inadimplentes paguem os atrasados. Alguns não gostaram, mas é até em respeito aos que pagam o ano inteiro. Foi um remédio amargo, mas muito importante para a vida do clube. 

Expectativas

— Estamos trabalhando e esperando o melhor. Queremos que o nosso torcedor abrace o clube, traga energia positiva até para nós nos sentirmos um pouco mais amparados e ter mais forças para continuar. Contamos e acreditamos que o grupo do futebol seja feliz nas suas contratações e convicções. Que ao fim de cada campeonato possamos ser felizes e vencedores.

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