Campeão olímpico, Éder Carbonera visita a UCS e relembra momentos do início da carreira - Esportes - Pioneiro

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Entrevista27/10/2018 | 10h00Atualizada em 27/10/2018 | 10h00

Campeão olímpico, Éder Carbonera visita a UCS e relembra momentos do início da carreira

Central do Sesi-SP e da seleção conversou com atletas da base caxiense

Campeão olímpico, Éder Carbonera visita a UCS e relembra momentos do início da carreira Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Quando pisou pela primeira vez na quadra de vôlei do ginásio da UCS, ainda adolescente, Éder Carbonera dificilmente poderia imaginar que retornaria ao local anos depois com status de ídolo. Um pôster gigante na parede de um dos locais de treinamento das equipes de base é como um símbolo da trajetória vitoriosa do gigante de 2m05cm. 

Campeão olímpico em 2016 com a seleção brasileira e um verdadeiro papa-títulos por onde atua, o central de 35 anos aproveitou um curto período de folga antes do início da Superliga Masculina para visitar amigos e familiares em Caxias do Sul e atender a um pedido do ex-técnico Giovani Brisotto. 

Sempre que pode, o jogador retorna ao local onde deu os seus primeiros saques e marcou seus primeiros pontos para conversar com os garotos das categorias de base da Apaavôlei/UCS, contar sobre suas experiências e responder aos questionamentos da gurizada, que o vê como um exemplo a seguir. É como se alguns deles pudessem, pelo menos por alguns minutos, ver trilhada a mesma trajetória que Éder fez quando saiu de Caxias do Sul para conquistar o mundo.

De volta após um ano no Trentino, da Itália, Éder Carbonera reforçará o Sesi-SP nesta temporada. Será companheiro do também caxiense e central Gustavão, outra cria da base da UCS, e do bento-gonçalvense Franco. Depois do quarto lugar na Liga das Nações e de conquistar o vice-campeonato mundial com o Brasil, em setembro, Éder já foi incorporado a nova equipe e logo sagrou-se campeão da Supercopa ao bater o Sada/Cruzeiro, por 3 a 0, no final de semana passado. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 24/10/2017Medalhista olímpico Eder Carbonera faz uma visita para as equipes da Apaavôlei/UCS. (Lucas Amorelli/Agência RBS)
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Antes de retornar para São Paulo e engrenar nos grandes desafios da temporada 2018/2019, Éder conversou com o Pioneiro sobre a carreira, o ouro olímpico, os próximos desafios e a preocupação com a renovação no vôlei brasileiro.

Retorno

– Volta tudo na cabeça, como foi o início. Entrei pela mesma porta que entrei quando vim fazer o teste. Me lembro de vir com a minha irmã. Era um garoto de 15 anos, muito tímido. Aos poucos, fui conhecendo o vôlei e o Giovani (Brisoto) me acolheu muito bem. Me adaptei rápido e voltar aqui onde comecei e ver o Giovani aí brigando para manter a UCS no cenário do vôlei é muito importante. Sempre que posso venho para tentar ajudar da melhor forma possível.

Exemplo aos jovens

– Ver a minha foto aqui no pôster do ginásio é tão emocionante quanto receber aquela medalha. Tem toda a questão do esporte, de quem sabe uma ou outra criança daqui chegar no alto nível. Foi sempre um trabalho bem feito na UCS e acho que o mais importante é como o esporte agrega na questão da educação e cultura, tirando eles das ruas e aprendendo a conviver em equipe, respeitando a todos. O aprendizado é o mais importante de todo esse processo.

Base gaúcha no Sesi

– Além do Gustavão (central caxiense), que também foi criado aqui na UCS, tem o Franco, que é de Bento Gonçalves, e o Murilo, de Passo Fundo, outro gaúcho. A dupla de centrais está bem representada com atletas daqui e é uma alegria muito grande voltar ao Brasil. Tive uma temporada muito boa na Itália e pude constatar que lá é o melhor campeonato do mundo. 

O nível das equipes é muito forte. Só que tive uma proposta muito interessante do Sesi, assinei contrato por dois anos, algo inédito na minha carreira, e estou muito feliz de voltar para esse clube. Acredito que vamos brigar por títulos nesta temporada.

Papa-títulos

– Não sei se vão acreditar, mas o último título do Sesi havia sido em 2013, o Paulista, quando estava lá. Agora, quando voltei, ficamos vice-campeões no Paulista, mas vencemos a Supercopa diante do Sada/Cruzeiro. Talvez tenha um pouco de pé quente, mas acredito que a equipe seja muito forte, manteve a base e de novos trouxe eu e o Lucas Loh. Só vamos agregar e acho que já deu certo na largada.

Pós-Olimpíada

– Meu objetivo maior sempre foi a Olimpíada. Cheguei com 32 anos, que já é uma idade um pouco avançada. Na minha cabeça, o que viesse depois era lucro. Iria continuar fazendo meu trabalho e ajudando o clube da melhor forma. Se  fosse chamado novamente para a seleção, aproveitaria ao máximo todos os momentos, que são únicos. É um orgulho poder representar o Brasil e a cada ano é ainda melhor por, mesmo depois das Olimpíadas, estar em condições de ser chamado e colaborar com o time. 

 Éder Carbonera recebe a medalha de ouroEditoria: SPOLocal: Rio de JaneiroIndexador: KIRILL KUDRYAVTSEVSecao: volleyballFonte: AFPFotógrafo: STF
Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP

Transição e experiência

Agora, penso ano após ano. Não posso pensar em 2020, nos Jogos de Tóquio. Enquanto me chamarem vou dar meu máximo para ajudar o Brasil. Acho que passar essa experiência é fundamental. Tive isso quando cheguei na seleção, há alguns anos, com o Giba, Gustavo, André Heller, Nalbert, Serginho, e muitos outros jogadores. Fomos aprendendo e agora queremos passar para a nova geração. 

Renovação

Os últimos anos foram bem difíceis para as categorias de base. Perdemos muito apoio. Lembro de jogar o paulista juvenil, quando saí daqui da UCS para ir ao Banespa, com 12 ou 14 equipes. Hoje são seis. Não é só aqui que estamos sofrendo, mas no Brasil inteiro. É uma queda muito grande no investimento na base e estão vindo os frutos ruins disso. 

É uma dificuldade grande de renovação. Os novos não estão chegando no mesmo nível. Acredito em uma solução à longo prazo, com maior investimento, até por outras questões, fora do alto rendimento, como a educação e o suporte para esses jovens fora da escola. 

Sem gaúchos na Superliga

– É triste. Estava conversando com meus pais sobre isso. Agora que voltei ao Brasil, eles estavam esperançosos que tivessem jogos em Canoas para eles acompanharem uma partida no ginásio, como sempre fizeram, tanto lá como em Bento ou Novo Hamburgo. É ruim porque o Rio Grande do Sul sempre teve equipes de alto nível, revelou muitos atletas e não existe o apoio.

Próximos desafios

– Vou focar no Sesi, já que temos uma Superliga muito equilibrada, especialmente pelos quatro maiores investimentos: nós, Sesc/Rio, Cruzeiro e Taubaté. Acho que vai ser uma competição muito forte. Além disso, teremos a Copa do Brasil e a nova Libertadores. Quero fazer uma ótima temporada e, se tudo der certo, voltar para a seleção no ano que vem.

Idolatria

– Isso ainda é um pouco novo. Já falei para a garotada algumas vezes, mas dá um nervosismo. É a mesma coisa que sinto quando tem um jogo importante de um campeonato difícil. 

Mas vejo a importância desse momento, e que uma palavra pode marcar a vida deles e trazer uma mudança positiva. É um prazer estar aqui compartilhando qualquer experiência porque sei da importância disso para a carreira e a vida deles.

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