Ex-diretor se diz orgulhoso por história vitoriosa do futsal da Enxuta - Esportes - Pioneiro

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Alto Rendimento09/08/2018 | 08h30Atualizada em 09/08/2018 | 08h30

Ex-diretor se diz orgulhoso por história vitoriosa do futsal da Enxuta

Paulo Triches era diretor da empresa que mantinha o time caxiense

Ex-diretor se diz orgulhoso por história vitoriosa do futsal da Enxuta Roni Rigon/Agencia RBS
Com uma verdadeira seleção, Enxuta faturou seis campeonatos estaduais e três nacionais entre 1986 e 1996 Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Ao todo, foram 10 anos de conquistas. Mais do que vencedora, a Enxuta foi precursora em muito do que se vê no futsal atual. Além dos títulos, a equipe caxiense foi pioneira na profissionalização dos jogadores, na rotina diária de treinos e no marketing esportivo. 

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De 1986 a 1996, quando encerrou as atividades, conquistou seis títulos estaduais, três nacionais, além de alguns torneios internacionais. 

Os grandes feitos dentro de quadra são motivos de orgulho para o empresário de Caxias do Sul Paulo Triches. Foi dele quem partiu a ideia para que um time de futsal de ponta fosse criado na cidade. O objetivo inicial: fortalecer a marca da empresa. 

– Começou como Triches porque era o nome da empresa. Como mudou o nome da empresa para Enxuta, mudou-se o do time também – conta o Triches, que era diretor da empresa, que afirma que apenas investia, mas não montava o time: 

– Como a empresa é quem financiava o clube, eles não podiam fazer nada sem falar comigo. Eu não interferia, não entendia nada, mas era quem precisava bancar quando surgiam negociações que o nosso pessoal ia atrás. 

Entrevista - Paulo Triches

Surgimento do time
É uma longa história. Tinha uma equipe que participou dos jogos do Sesi de futebol de salão. Eles depois nos pediram para usar o nome da empresa num campeonato citadino. Resolveram fazer uma partida de entrega de faixas com o Bradesco do Rio de Janeiro, que era um dos melhores da época. Eu não participava de jogos. Mas me chamaram e disseram que eu tinha que ir porque vinha pessoal do alto escalão do Bradesco. Fui, vi toda a estrutura deles. Vieram quatro ou cinco pessoas, gerências de Porto Alegre, daqui, todo o marketing deles. Achei aquilo interessante e conversei com o pessoal para fazer algo semelhante, como forma de marketing. Assim foi o início. 

Formação da equipe
Formamos o time, veio o Babau, que tinha jogado no Bradesco. Era um jogador muito bom, mas que andava meio desacreditado e a partir dele surgiu a primeira estrutura da equipe. Já montamos uma estrutura grande, fugindo do feijão com arroz que existia na cidade. Aqui no estado não havia nada parecido e com projeção nacional. Assim foi a Enxuta naquele período. Ganhamos o gaúcho, nacional, competições continentais. 

Investimento
Não lembro dos valores. Era tudo com recurso da empresa, mas não era uma coisa absurda. A Enxuta seria comparada a um Grêmio, Inter do futebol de campo, mas nem se compara o que eles gastam com o que gastávamos. O que apenas um jogador de alto nível do futebol ganhava, dava para montar um time de futsal. A gente começou, por exemplo, com os treinamentos de manhã e de tarde. Antes os jogadores trabalhavam e treinavam em horário vago. Depois mudou porque tinha um salário melhor, mas o jogador top da equipe ganhava cerca de cinco salários mínimos. Não era algo tão grande assim. Claro que fomos investindo em estrutura também e isso aumentou o custo.   

Valorização da marca
Foi uma experiência ótima. Para ti ter uma ideia, o futebol de salão sempre foi forte no Nordeste. Quando chegamos lá com os produtos Enxuta, eles só conheciam o nome por causa do futebol de salão. Até porque lá não ia se comprar uma secadora. Primeiro chegou o time Enxuta, depois os produtos da marca. Eles até estranhavam ver uma máquina com o nome do time. Mas foi uma realização. Serviu para ver que dava para fazer um marketing forte através do esporte.

Fim do projeto
Fizemos alojamentos ali perto do Enxutão para o pessoal morar. Fizemos alguns exageros. O esporte é assim. Tu não consegues ser racional e lógico. Onde entra a emoção a coisa vai para outro lado. Foi crescendo, crescendo e cresceu demais para o que a empresa pretendia. Por que investimos no futebol de salão? Porque tinha um custo muito menor do que outros esportes, como basquete e vôlei. Que o futebol então, nem se fala. Os jogadores tinham um custo baixo. Havia muito atleta aqui do estado que estavam “perdidos” e que eram quarto ou quinto plano de outros times. Tivemos todos aqueles anos até que o custo ficou grande demais. Daí precisamos acabar, até porque os recursos eram todos da empresa e nos últimos anos a Dal Ponte até nos ajudava, mas com cerca de 5% do investimento. 

Sentimento
É motivo de orgulho, sem dúvidas. Não só porque funcionou. Em Caxias, por exemplo, não precisávamos divulgar a empresa. O objetivo era para fora. Mas os times viraram nossos inimigos porque eram contra um time empresarial. O Grêmio chegou a colocar página em jornal falando mal disso. O Inter nos apoiou, tanto que trocamos jogadores. Aqui em Caxias a repulsa foi total. Já tinha o Vasco, o Torino. Mas pouco a pouco foram entendendo. Na época, era preciso passar por todas as etapas todos os anos. Tinha que ganhar o campeonato local, o estadual para jogar o nacional. Íamos jogar contra o Torino e ganhávamos de goleada. Depois, por meio da confederação, criaram categorias para não precisarmos passar por isso. Trazíamos os melhores do mundo e eles tinham que jogar com os times daqui. O pessoal ficava com raiva do nosso time. Depois mudou e o Vasco virou um aliado nosso e até montou um time, não do nível da Enxuta, mas jogou em nível nacional também.

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