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Taekwondo19/07/2018 | 08h00Atualizada em 19/07/2018 | 08h00

Paratleta de 14 anos de Caxias se destaca em competição nacional 

Maria Eduarda Stumpf é apontada como aposta já para os próximos Jogos Paralímpicos

Paratleta de 14 anos de Caxias se destaca em competição nacional  Lucas Amorelli/Agencia RBS
Maria Eduarda Machado Stumpf treina quatro dias por semana na ACTKD, na UCS Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Campeã brasileira da sua categoria. Aos 14 anos, Maria Eduarda Machado Stumpf vive mais do que um sonho de ser atleta, vive a superação. Da não aceitação e vergonha do próprio corpo ao lugar mais alto do pódio e a iminência de treinar com a seleção brasileira de taekwondo em outubro deste ano. 

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Tudo parece um roteiro perfeito na vida de uma pequena lutadora. Sim, Maria Eduarda é mais do que uma atleta de taekwondo. Ela é uma paratleta da modalidade, representa a ACTKD/UCS e convive desde o nascimento com uma má formação congênita no braço esquerdo. 

A história de Maria Eduarda, natural de Itaqui, se cruza com Caxias do Sul justamente em função de sua doença. Antes de completar dois anos de idade acompanhou aos pais Ronaldo Stumpf e Elizangela Machado, que deixaram a fronteira em busca de condições melhores para a filha. 

– O pai dela veio uns dois meses antes. Desceu em Bom Princípio e chegou de carona em Caxias procurando emprego – conta Daniel Brisotto, técnico da menina e que ainda treina outros 17 atletas de competição na Universidade de Caxias do Sul. 

Muito depois de passar por uma cirurgia, aos 3 anos, a jovem passou a querer praticar esportes, mas foi só no ano passado que se encontrou com o taekwondo. 

– Comecei na natação aqui na UCS com a professora Renata (Ramos Goulart) e ela me indicou para vir para o taekwondo. O Daniel estava procurando alguém para o parataekwondo. Achei bacana. Acho que me dei melhor neste esporte porque ele combina comigo. Minha mãe sempre quis me colocar no balé, coisas assim, e não sou muito. Prefiro esporte – conta Maria Eduarda. 

Somada às conquistas, a faixa amarela que usa no tatame representa mais do que uma vitória no esporte, mas na forma de enxergar a vida. Foi com ela amarrada no quimono que Maria Eduarda venceu, no começo deste mês, o Campeonato Brasileiro na categoria K44 de 13 a 15 anos. A competição foi realizada no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro de São Paulo. 

– Ainda não caiu a ficha. Mas foi bem legal conhecer lugares que nunca imaginei, fazer coisas que nunca pensei. Pude ver que realmente estava fazendo uma mudança na minha vida. Serve às pessoas que têm uma lesão verem que elas não precisam se esconder, não precisam ficar em casa. Não sou mais aquela menina que quer esconder a lesão. Eu ficava só escondida, não gostava que as pessoas vissem. Me sinto mais à vontade agora – avalia, com uma lucidez que contrasta com o sorriso tímido de uma competidora de 14 anos. 

É exatamente com esta maturidade que Maria projeta a realização de seus principais sonhos. Um deles é de estar nas Paralimpíadas Paris 2024. Diante dos resultados já apresentados, não é impossível imaginar que sua participação nos Jogos possa vir quatro anos antes, em Tóquio. Para isso, uma rotina de quatro dias por semana de treinos com faixas pretas da modalidade na Vila Olímpica da UCS. 

Enquanto se divide entre treinos e estudos do 8º ano do ensino fundamental, a única representante do parataekwondo gaúcho sonha também em ser professora de educação física. Para seguir no taekwondo? Talvez. Mas o gesto é mais nobre: 

– Penso em seguir uma carreira na educação física, como ser técnica no taekwondo e montar uma equipe para pessoas que tenham deficiência, até para incentivar elas a terem uma vida melhor. Eu sei bem como é ver as pessoas falando mal nas tuas costas. Quero ajudar a essas pessoas.

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