"Me entreguei de corpo e alma para esse momento" diz técnico do Caxias - Esportes - Pioneiro

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Série D07/07/2018 | 16h01Atualizada em 07/07/2018 | 16h01

"Me entreguei de corpo e alma para esse momento" diz técnico do Caxias

Luiz Carlos Winck falou com o Pioneiro sobre o acesso e o ano da equipe

"Me entreguei de corpo e alma para esse momento" diz técnico do Caxias Lucas Amorelli/Agencia RBS
Luiz Carlos Winck sonha em conquistar o acesso com o Caxias Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Enfim, chegou a hora da decisão. Caxias e Treze voltam a se encontrar no domingo, às 16h, no Estádio Centenário. Agora, não tem mais para onde correr, está em jogo a vida do clube grená nos próximos anos e também o processo de retomada do protagonismo no cenário nacional. 

Mais do que isso, o jogo vale também para a carreira de muitas pessoas que estarão dentro e fora de campo. Para os grenás, um personagem muito importante neste processo de recuperação da imagem do time dentro de campo, o técnico Luiz Carlos Winck, sabe do peso para conseguir esta conquista.

– Eu me sinto ansioso para domingo, porque eu me entreguei de corpo e alma para esse momento. Para vivenciar isso. Abri mão de outras situações e todos sabem disso. Abri mão com convicção daquilo que poderia acontecer aqui dentro e acredito que vá acontecer – afirma o confiante treinador de 55 anos.

Winck é o técnico e também um ídolo do torcedor. Ele é responsável por recuperar o protagonismo do Caxias no cenário estadual no ano passado, com o título do Interior. Saiu após o Estadual, treinou o Criciúma e sua volta para o Centenário nesta temporada era descartada. Tudo mudou com a demissão do clube catarinense. Mesmo que o Caxias já tivesse um treinador contratado para 2018, o nome de Winck no mercado mudou tudo.

A direção correu atrás, o técnico aceitou e desde então faz um ano memorável. Já são 25 jogos, com 12 vitórias, 11 empates e apenas duas derrotas. Uma temporada que poderá ser coroada com o sonhado acesso à Terceira Divisão.

– Esse ano é crucial. Até para mim, como técnico. Já consegui resgatar ano passado e posso continuar esse ano, ajudar o clube a crescer de uma vez por todas. Esse grupo gestor faz um trabalho maravilhoso nessa recuperação financeira do clube, mas também passa por resultado de campo. Queremos dar isso ao clube. Estamos todos engajados – complementa Winck.

Antes da partida decisiva para o clube grená, o treinador recebeu o Pioneiro no Estádio Centenário. Na conversa, falou sobre o ano do clube, a responsabilidade pelo acesso do Caxias e os objetivos da carreira do treinador:

Campanha na Série D
Winck: Pela campanha que tem sido feita, vai merecer esse acesso. Só que, dentro de campo, as coisas mudam. Nós não contávamos com essa derrota, queríamos manter esse nível de atuação e resultados positivos. Aconteceu o revés, mas foi simples, de 1 a 0. Estamos muito vivos nessa competição.

Primeiro jogo
– Eu chamei muito a atenção na reapresentação do jogadores sobre a nossa atitude. Eles sabem muito bem disso, tanto que no segundo tempo retornamos pressionando o adversário e empurrando o time deles para trás. Foi o que no primeiro tempo nos faltou em alguns momentos. Hoje (quinta) eu repeti os lances para eles, alguns cruciais que tivemos na partida. 

O lance do Wesley (centroavante) cara a cara com o goleiro, que o Nathan pediu a bola. Mas ali tem que ter o objetivo de fazer o gol, de ele ser goleador e chegar aos sete marcados. Eu conversei com ele e me entendeu bem. O lance do Cleiton, se ele bate cruzado ou rola para trás teria acontecido o gol. São tomadas de decisão que fazem o adversário crescer. Eles fizeram um gol de erro nosso, também. Adiantamos a marcação, abrimos o nosso corredor do lado direito e não acompanhamos a jogada. Se tivesse acompanhado, iria neutralizar. Mostramos isso para eles. 

Precisamos saber o motivo de ganhar, perder ou empatar. Chamamos muito a atenção para o foco. Todos os jogos em que atuamos com nível de concentração altíssimo, cito três exemplos: o Mirassol fora (vitória por 2 a 0), Maringá (triunfo por 3 a 0) e Uberlândia (virada em 2 a 1) ambos em casa, o adversário não jogou. Fomos seguros, criamos muitas situações de gols e marcamos.

 CAXIAS DO SUL, RS, 05/07/2018Carlos Winck , técnico no SER Caxias, fala sobre a preparação do time antes da decisão no próximo domindo contra o Treze da Paraíba pela série D do Campeonato Brasileiro. (Lucas Amorelli/Agência RBS
Treinador ressalta que o time precisa estar concentrado para reverter a vantagem do TrezeFoto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

Postura do time
– Nas duas partidas (contra Maringá e Uberlândia) jogamos num nível de concentração altíssimo. Pode ver que o adversário não criou praticamente nada, exceto alguns chutes de meia distância. Foi muito seguro. Erro zero não existe, mas dentro de casa temos a obrigação de propor o jogo e não ficamos nos eximindo disso. Vamos para o jogo. Se vamos errar mais ou acertar, não sei. O certo é que vamos propor o jogo, com a certeza de que poderemos fazer um grande resultado.

Mudanças no time
– Procuro não lamentar demais, temos que encontrar alternativas. Claro que é ruim se ficar todo meio-campo fora. O Diego (Miranda, meia suspenso pelo terceiro amarelo) vinha jogando, o Gilson (volante) e o Marabá (volante) nos últimos jogos. O Gava (Rafael, meia) vinha entrando sempre e foi titular muito tempo, jogador que vinha em atividade. Mas nós estamos aguardando ainda a possibilidade de termos um dos jogadores que vinham como titular. Acredito que teremos uma boa equipe para esse jogo. Acreditamos sim. Temos respeito ao adversário, mas acreditamos muito dentro de casa, porque o Caxias é muito forte.

Avaliação do ano
– Um ano muito bom, pena que o resultado final não foi aquilo que esperamos no Campeonato Gaúcho. Fomos bem, mas ficamos fora de uma fase semifinal por dois empates. Acredito que teríamos condição de chegar até numa final, porque o time vinha fazendo uma campanha boa. Agora, na Série D, também é uma bela campanha: sete vitórias, três empates e apenas uma derrota. Mais de 70% de aproveitamento. Isso faz com que nós, comissão técnica, confiemos muito na equipe. 

Quero que o torcedor acredite um pouco mais, os números mostram que o Caxias é muito forte dentro de casa. Que o torcedor entenda isso e não fique com dúvidas na cabeça para vir ao jogo no domingo. Venha convicto que terá um grande jogo, que o time precisa da ajuda dele. Se for para vaiar, que seja no final. Mas tem que jogar junto o tempo todo. Não está bem no primeiro tempo, aplaude os jogadores na saída. Volte aplaudindo no intervalo. Confie até o final. Tenho certeza que teremos um grande jogo.

Confiança na decisão
– A minha confiança é muito positiva. Não tenho dúvidas e falo isso para os atletas: não tenham dúvidas daquilo que vocês podem fazer. Ano passado foi muito bom, campeão do interior e vaga para Copa do Brasil e Série D. 

Valor do acesso
– Como técnico, eu tenho que exaltar uma coisa: o Caxias projeta muito. O Luís Felipe (Felipão), que eu admiro demais, não treinou aqui, mas jogou. Hoje está projetado em nível mundial. O Tite é outro exemplo claro, treinador da Seleção. Mano Menezes, Celso Roth... Então, se eu seguir essa trajetória, excelente. Estou percorrendo isso e procuro acreditar. Tem que trabalhar acreditando que teremos coisas melhores na vida, assim foi como atleta, e quero como técnico.

Pressão
– Só a pressão do acesso, porque é grande em todos os sentidos. Nós queremos demais isso. Queremos que o Caxias possa com esse acesso, se conquistado, galgar coisas maiores. Está no caminho certo. O trabalho é de seriedade, honestidade, comprometimento. Precisa desse resultado domingo.

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