Com nove países em disputa, Caxias do Sul sedia Mundial de Handebol de Surdos - Esportes - Pioneiro

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Inclusão13/07/2018 | 09h00Atualizada em 13/07/2018 | 15h27

Com nove países em disputa, Caxias do Sul sedia Mundial de Handebol de Surdos

Competição inicia nesta sexta-feira e encerra no sábado, dia 21

Com nove países em disputa, Caxias do Sul sedia Mundial de Handebol de Surdos Diogo Sallaberry/Agencia RBS
Seleção brasileira masculina vai para a disputa do seu segundo campeonato mundial Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Mais de 300 atletas de nove países passarão pelo Ginásio Poliesportivo da Universidade de Caxias do Sul (UCS) a partir de desta sexta-feira. A cidade sedia o Campeonato Mundial de Handebol para Surdos, com a participação de Brasil, Rússia, Turquia, Equador e Gana – nos dois naipes –, as seleções masculinas de Croácia, Camarões e Quênia, e a feminina da Dinamarca.

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Depois do congresso técnico, realizado na quinta-feira, a competição terá seu primeiro jogo nesta sexta, às 18h, entre Brasil e Dinamarca. O embate marca a primeira partida da história de um campeonato mundial da modalidade para surdos no naipe feminino. 

– É um Mundial. Tenho a impressão que é o primeiro de Caxias. E é mais inédito ainda porque é a primeira vez que ocorre um mundial feminino e apenas a segunda edição do masculino. É um marco histórico. A UCS aceitou imediatamente e entendeu a proposta do esporte inclusivo, da dimensão de um campeonato mundial para Caxias, para o Estado e para o Brasil. Temos o prazer de compartilhar toda a estrutura da universidade com as delegações – resumiu Carlos Bonone, coordenador da Vila Poliesportiva da UCS. 

Se no feminino a história se inicia em Caxias do Sul, no masculino esta será a segunda edição. A primeira foi disputada em 2014, na Turquia. O evento é realizado em parceria da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos, Comitê Internacional de Esportes para Surdos, com apoio da UCS e da Prefeitura de Caxias do Sul. 

– Serão muitas partidas. O caxiense vai poder acompanhar vários jogos de handebol nestes nove dias. Logicamente não é um mundial de ouvintes, com grandes estrelas. Mas tenho certeza que teremos muitos jogadores dando trabalho – avalia Gabriel Citton, coordenador técnico da seleção brasileira, e treinador da equipe feminina. 

A iniciativa de trazer o Mundial para Caxias partiu exatamente de Citton, um dos desbravadores da modalidade na cidade, junto de Gustavo Perazzolo, presidente da Organização Pan-Americana de Desportos Surdos.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 11/07/2018. Treino da Seleção Brasileira de Handebol de Surdos, no Ginásio Poliesportivo da UCS. Apresentação do Mundial que acontece em Caxias. Na foto, o goleiro Tiago Rila. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Goleiro Tiago Rila (C) atua pelo Pinheiros-SP, um dos principais clubes da modalidade para ouvintes no BrasilFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Entrada gratuita para os jogos
O evento, que começa efetivamente hoje, acontece até o próximo dia 14. Em paralelo às partidas, atividades culturais também serão desenvolvidas na Vila Poliesportiva da UCS. O acesso para todos os jogos é gratuito, mas é indicado levar 1kg de alimento não-perecível. 

Na competição masculina, oito seleções estão na disputa. Na chave A, Brasil, Turquia, Gana e Quênia brigam por duas vagas nas semifinais. Na B, estão Croácia, Rússia, Equador e Camarões. 

Os confrontos da fase classificatória no masculino serão amanhã, segunda-feira e quarta. As semifinais na próxima sexta-feira e as finais no dia seguinte. Para Citton, os europeus são favoritos, com destaque aos croatas: 

– A Croácia fez vários amistosos pelo Estado e não perdeu nenhum. É a seleção mais forte. Tem dois atletas profissionais que jogam na liga italiana.  

Já no feminino, não há favoritos. Seis equipes brigam pelo título inédito. O Brasil está na chave A, com Dinamarca e Gana. Na B, estão Turquia, Equador e Rússia. A primeira fase segue até terça. As decisões serão nos mesmos dias do masculino. 

– No feminino, estamos treinando no escuro. Não vimos nenhuma seleção jogar e eles também não viram a nossa – explicou Citton.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 11/07/2018. Treino da Seleção Brasileira de Handebol de Surdos, no Ginásio Poliesportivo da UCS. Apresentação do Mundial que acontece em Caxias. Na foto, o coordenador da Seleção Brasileira de Handebol de Surdos Gabriel Citon e a jogadora Fernanda Caporal. (Diogo Sallaberry/Agência RBS)
Caxiense Gabriel Citton (E) é coordenador técnico da seleção e treinador do time feminino, que tem Fernanda Caporal como destaqueFoto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Caxienses comandam a seleção brasileira
Apesar de ser dono da casa, o Brasil ainda engatinha na modalidade. O selecionado brasileiro do handebol de surdos começou a se formar em 2014, mas sem grandes pretensões na época. 

– Começamos esse trabalho em 2014. Escolhemos 10, mas que mal sabiam as regras, para poder ter um time para o Mundial. Ele só aconteceria se o Brasil fosse para representar o continente. Logo depois começamos um trabalho de divulgação e, em 2015, organizamos um Campeonato Brasileiro com sete equipes no masculino e duas no feminino. Daí surgiu a ideia de fazer a seleção brasileira feminina. Fomos o primeiro país a fazer isso. Outros países compraram a ideia e contam com grandes atletas no individual, talvez não com grandes seleções – relembra Citton. 

Pioneiro no projeto, o caxiense lamenta a falta de recursos para o desenvolvimento da modalidade. O handebol de surdos não faz parte dos Jogos Paralímpicos e nem Olímpicos, logo, não faz parte dos projetos governamentais. Quem joga, financia sua própria participação em competições. 

Na seleção feminina, Gabriel trabalha junto com o auxiliar potiguar Flavio Tinoco. No masculino, o também caxiense Rafael dos Santos, o Brasa, é auxiliar  do brasiliense Marcelo Lima.  Todos, se desdobram para se fazerem entender na base de sinais e gestos para orientações aos atletas. 

– Alguns não são completamente surdos. Logicamente a arbitragem usa mais do gestual. O entendimento demora um pouco mais, o treinamento exige mais do técnico. Mas, num contexto geral, é igual ao do olímpico. Quando não se tem um sentido, se tem um outro apurado. A atenção do surdo é muito maior do que de uma pessoa ouvinte. Tem uma dificuldade maior, mas o atleta tem que estar olhando para ti, se gesticula muito mais e em alguns momentos não se consegue passar a orientação porque o atleta não te olha – detalha Citton.

Ver as seleções disputando um Mundial, e em casa, é motivo de orgulho para o caxiense, que trabalha há mais de 20 anos no handebol, alguns deles dedicados à seleção brasileira, como técnico da equipe sub-17, e da Apahand/UCS, em competições nacionais e estaduais. 

– Comecei em 2014, neste trabalho de formiguinha. Hoje, fico feliz de ver duas seleções recheadas de atletas e já começando a ter qualidade no grupo para chegar a um bom nível mundial. No masculino, queremos ficar, pelo menos, entre os quatro. No feminino, não sabemos porque não conhecemos as outras seleções.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL 12/07/2018Seleções presentes do campeonato mundial de seleções de handebol para surdos. (Felipe Nyland/Agência RBS)
Goleiro da Turquia, Remzi Sönmez (E), 31 anos, aproveitou o hall do hotel para se comunicar por vídeo com a famíliaFoto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Chance de confraternização entre as equipes
Na seleção brasileira, os treinos ocorrem, em média, uma vez por mês, geralmente em São Paulo. Um dos principais jogadores é o goleiro Tiago Rila, 21 anos, que atua no time principal (de ouvintes) do Pinheiros-SP.

– É um aprendizado muito grande. Fazemos bastante amizades. Espero representar bem o Brasil e ganhar medalhas. Mas o mais importante é ser respeitado – avaliou o paulista.

Também de São Paulo vem uma das destaques do time feminino. Fernanda Caporal, 20 anos, trocou o vôlei pelo handebol ainda na adolescência:

– Comecei no handebol porque é um jogo de contato, que dá para fazer gols. O vôlei era muito parado. Gosto muito. Minha maior conquista foi ter disputado os Jogos da Juventude por Franca. Espero o ouro neste Mundial.

Os dois são alguns dos atletas hospedados no Hotel Personal, em Caxias. Na tarde de quinta-feira, em clima de Copa do Mundo, o hall de entrada do hotel se transformou numa grande integração, após as chegadas de todas as delegações.

O turco Remzi Sönmez (foto acima), 31 anos, aproveitou para se comunicar com a família por vídeo.

– Espero ser campeão mundial no Brasil. Acreditamos que isso é possível – disse o goleiro, em tom carismático, apesar da aparente confiança.

Para o queniano Joel Kiilu (abaixo), 24 anos, só participar pela primeira vez de um Mundial é uma vitória:

– Isso é muito positivo. Fico muito feliz em participar e ver essa união de todos. Fomos bem recebidos aqui.

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