Ex-colega de escola, "verdadeiro" Titi confia no sucesso de técnico da Seleção na Copa - Esportes - Pioneiro

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Seleção Brasileira09/06/2018 | 07h14Atualizada em 09/06/2018 | 07h14

Ex-colega de escola, "verdadeiro" Titi confia no sucesso de técnico da Seleção na Copa

Altemir Gauer é o dono do apelido consagrado por Adenor Leonardo Bachi

Ex-colega de escola, "verdadeiro" Titi confia no sucesso de técnico da Seleção na Copa Felipe Nyland/Agencia RBS
Altemir é professor na escola Ester Benvenutti, em Caxias do Sul Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Outra manhã de treino e os meninos querem mostrar serviço para o técnico Titi. Augusto, a dupla Cauã Neri e Cauã Luiz, Gustavo, Cauê, Douglas, Victor, Wesley e Kalvin buscam uma vaga entre os titulares. Pelos nomes, você já deve entender que o cenário não é a Áustria, onde a Seleção Brasileira joga neste domingo. Na verdade, trata-se da Escola Municipal Ester Benvenutti, no bairro Fátima, em Caxias do Sul. 

A camisa do PSG com o nome de Neymar às costas poderia interligar os locais? Tampouco. A ligação está nos treinadores.

O nome Altemir Roberto Gauer não tinha tantos holofotes sobre si, mas a proximidade com a Copa do Mundo o apresenta ao Brasil. Altemir é Titi. Ele é amigo e o dono do apelido consagrado por Adenor Leonardo Bachi. 

— Como tu vais imaginar que teu amigo de infância, que estudou contigo e jogou bola junto, iria pegar o teu apelido emprestado e ser técnico da Seleção? Fico contente — afirma Altemir.

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A confusão de apelidos é obra de Luiz Felipe Scolari, o Felipão. Titi e Adenor faziam o meio de campo da Escola Henrique Emílio Meyer no campeonato escolar de 1975, em Caxias do Sul. O primeiro era o dono da camisa 8, enquanto o segundo era o 10. Já Felipão, além de zagueiro do Caxias, era treinador do time do Cristóvão de Mendoza. No embate entre os colégios, o técnico do Cristóvão estava extremamente incomodado com a dupla de meio-campo do rival e as informações que havia recebido. 

— Nosso time do Emílio era muito bom. Ele (Felipão) já sabia que tinha um menino que era muito habilidoso, rápido e tinha bom toque de bola, que no caso era eu. Ele estava preocupado com isso e queria saber quem era. Aí, no dia que fomos jogar com o Cristóvão, ele me viu e gostou. No andar da carruagem, também gostou do futebol do Ade. Por isso, convidou nós dois para fazer um teste no Caxias — relembra Altemir.

Decisões opostas

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 17/05/2018 - Altemir Gauer é mais conhecido como Tite. Ele e Adenor Bachi, o tite da seleção, estudaram juntos na escola Emilio Meyer. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)
Titi estudou com Adenor na escola Henrique Emílio MeyerFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Num primeiro momento, nenhum dos dois levou a sério. Jogaram até o fim do ano e a vida os separou. Altemir foi estudar no Carmo, Adenor no Cristóvão. 

Felipão, então, encontrou Ade novamente e o convenceu a ir para o Caxias, por mais que ele já jogasse no Juventude e trabalhasse para ajudar em casa. Altemir não foi. Nessas decisões, os nomes se misturaram. 

— O Felipão não gostava do nome Adenor para jogador de futebol. Aí sugeriu: “coloca o nome daquele teu colega que não veio”. A partir daí todos começaram a chamá-lo de Tite — conta Altemir.

A vida seguiu. Altemir hoje é o professor Titi, ministra aulas de educação física e é o técnico do time da escola Ester Benvenutti nos Jogos Escolares de Caxias do Sul. Vê nascerem novos talentos anualmente.

— Já indiquei alunos para o Caxias, o Juventude e até para a escolinha do Santos. Quando a gente vê que o menino tem destaque, indicamos — conta ele.

Adenor hoje é treinador da Seleção e escolhe os melhores talentos brasileiros para vestirem a camisa amarela. Caminhos com responsabilidades gigantes. Enquanto um forma pessoas, o outro trabalha com a grande paixão nacional. 

Em junho, os dois seguirão próximos pelo futebol, mesmo com um oceano os separando. Titi será o torcedor de Tite e tem grande esperança para um final feliz do amigo.

— Tem chances de disputar o título. Se vai ganhar, não se sabe. Acho que faltaram alguns amistosos com os europeus, mas se o time abraçar a filosofia dele, o Brasil tem grande chance de voltar com a Copa — opina Altemir.

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