A saída de Dal Pozzo do Juventude e a entrevista de despedida - Esportes - Pioneiro

Série B23/10/2017 | 08h00Atualizada em 23/10/2017 | 08h00

A saída de Dal Pozzo do Juventude e a entrevista de despedida

Treinador ficou sabendo da demissão na tarde do sábado, mas definição já havia acontecido por parte da direção

A saída de Dal Pozzo do Juventude e a entrevista de despedida Marcelo Rocha / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Marcelo Rocha / Agência RBS / Agência RBS

Quando desembarcou do ônibus no Alfredo Jaconi, sob protestos da torcida, por volta das 14h de sábado, Gilmar Dal Pozzo não era mais técnico do Juventude. Porém, o comunicado ao treinador ocorreu somente no final da tarde, quando falou com o presidente Roberto Tonietto, o vice de futebol Jones Biglia, e o diretor Max Nora Filho. Os três foram os mesmos que estiveram em Florianópolis, em março, para acertar a contratação de Gilmar e estipularam a meta: manter o Ju na Série B.

Mesmo com o objetivo alcançado, a situação se tornou insustentável após a quarta derrota consecutiva na sexta-feira, contra o Guarani. Mais do que o revés em campo, as declarações do técnico foram decisivas para o fim do ciclo. A diretoria decidiu entre a noite da sexta e a manhã de sábado, em “reuniões” via Whatsapp a troca no comando. Faltava apenas comunicar Gilmar.

A reunião já estava marcada para a tarde de sábado, assim que a delegação chegasse em Caxias do Sul. O protesto organizado por uma centena de torcedores atrasou a demissão. O clima tenso criado no estacionamento do Jaconi fez com que Gilmar, a comissão e os jogadores precisassem sair escondidos. 

Alguns deixaram o estádio dentro de uma van, que trouxe de Porto Alegre até a Serra o material da rouparia. Outros, incluindo Dal Pozzo, tiveram que driblar a marcação dos torcedores em dois portões, e deixaram as dependências do clube por uma terceira saída.

O treinador, ainda sem saber que não daria continuidade ao trabalho, no banco do carona do auxiliar técnico Lucianinho, também demitido, chegou a ficar por quase meia hora em uma fila de carros impedidos de deixar o estádio. Foi o último ato de Gilmar como funcionário do clube: sair escondido do Jaconi, palco no qual ele conduziu o time até a liderança da Série B.

O único que não conseguiu sair pela terceira via foi o volante Bruninho. Entre xingamentos e apelos por raça em campo, passou pelos torcedores que seguiam no portão da Rua Borges de Medeiros. 

Dal Pozzo foi para casa como técnico alviverde, e voltou ao Jaconi, na manhã do domingo, apenas para se despedir.

"Não souberam degustar a B"

— Vivi intensamente o clube. Me doei e fiz o meu melhor. Saio de cabeça erguida — disse Dal Pozzo na despedida. 

Na manhã de domingo, pouco antes da chegada dos atletas para o treino regenerativo, o ex-treinador alviverde foi até a sala de imprensa e expressou seu sentimento sobre os sete meses no clube. A passagem de Gilmar pelo Jaconi foi marcada por altos e baixos. Da invencibilidade contra o Inter no ano — duas vitórias e um empate —, passando pelas três derrotas nos clássicos Ca-Ju, e consequente eliminação do Gauchão. 

Na Série B, o time chegou a ser líder por sete rodadas, mas o treinador saiu após quatro derrotas seguidas. Para Dal Pozzo, faltou entender a importância da competição para o clube.

 — A verdade é que o Juventude, o torcedor, a imprensa e alguns setores do clube não souberam degustar a Série B. Eu já senti o gosto de estar em uma Série A e é muito melhor. Só que tem que entender que o Ju foi para a elite lá atrás, e com uma Parmalat. Agora é tudo com muita dificuldade — disse o técnico, avaliando a necessidade de melhorias no clube:

— Tem alguns setores que têm que se organizar e melhorar. Não vou expor publicamente.


Falta de foco


Na entrevista ao final da partida em Campinas, Gilmar chegou a citar falta de comprometimento e foco por parte de alguns atletas. A ideia, segundo o treinador, era ser justo e dividir a responsabilidade pelos maus resultados com todos.

— São vários fatores que levam uma equipe para a liderança, como ocorreu naquele momento, e também quando tem uma queda. Toda vez que vencíamos, não trazia essa responsabilidade para mim, como também não é justo na derrota as críticas só para o técnico. Há todo um envolvimento de departamentos de futebol e médico, atletas e comissão técnica. É uma responsabilidade que tem que ser dividida— disse Dal Pozzo, que justificou inclusive com possíveis propostas para os atletas a queda de produção no momento decisivo:

— Não tem explicação esse baixo desempenho em uma reta final com a gente buscando acesso. Então, faltou foco.


 
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