Sem futebol, Caxias tenta lidar com os altos custos da manutenção do Estádio Centenário - Esportes - Pioneiro

Nova realidade20/05/2017 | 07h10Atualizada em 20/05/2017 | 07h10

Sem futebol, Caxias tenta lidar com os altos custos da manutenção do Estádio Centenário

Clube gasta cerca de R$ 80 mil por mês com funcionários e cuidados com gramado e demais estruturas

Sem futebol, Caxias tenta lidar com os altos custos da manutenção do Estádio Centenário Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Centenário não vai receber mais jogos de futebol profissional até o final do ano Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

É tempo de planejar. E também é período de pensar como levar o clube até o ano que vem. Entre ideias de futuro e a realidade de um segundo semestre sem futebol profissional, a direção do Caxias aproveita o tempo para organizar o que é preciso até o Gauchão de 2018, além de buscar soluções para que termine esse ano com as contas em dia e em condições de repetir na próxima temporada o bom desempenho das duas últimas.

Manter sócios em dia mesmo sem jogos e buscar parcerias para viabilizar financeiramente os seis meses sem a presença dos atletas nos vestiários é um desafio. O Estádio Centenário não para, assim como as contas que vencem e não esperam o clube retomar o time para alcançar vitórias. É uma busca diária de soluções inteligentes para, aos poucos, reconstruir escolhas não tão pensadas de um passado próximo. O clube não ficava fora de uma divisão de Campeonato Brasileiro desde 1994. Jogar a Copinha não é vantajoso para quem já tem garantida vaga na Série D e na Copa do Brasil em 2018.

Entre os gastos de estrutura e de um quadro de funcionários enxuto, o sócio grená será um grande foco para que as rifas e bingos não sejam por mais tempo soluções urgentes para os cofres do clube. Segundo o diretor de relacionamento e comunicação do Caxias, Márcio Biazus, há um número considerado ideal para que as contas se mantenham equilibradas até o final do ano.

— Com 3 mil sócios em dia, o clube passaria por essa fase sem problemas. Ainda é cedo para dizer o quanto perdemos após a eliminação no Estadual, mas estamos buscando soluções para manter o torcedor ligado com o clube mesmo sem futebol. O Caxias não para, apenas não tem o futebol profissional — diz o dirigente.

Matemática financeira

Os 3 mil sócios a um valor médio de R$ 40 a mensalidade, garantiriam aos cofres do Caxias uma receita mensal de R$ 120 mil. Ao final do Gauchão, o clube ainda não tinha esse número de adimplentes. Estavam cadastrados 3.100 sócios e com 2.600 pagando em dia.

O gasto gerado somente com manutenção do estádio e funcionários gira em torno de R$ 80 mil. Se acrescenta a isso uma parcela de aproximadamente R$ 70 mil da negociação com o Profut (programa do Governo Federal), além do pagamento de alguns acordos de dívidas trabalhistas do passado.

Atualmente, o Caxias conta com um quadro de 12 funcionários. Desde o início da gestão de Maurício Grezzana, no final de 2015, algumas situações foram criadas para enxugar gastos com contratos diretos. A contabilidade e os recursos humanos, por exemplo, foram terceirizados em 2016. Os funcionários ligados ao futebol também foram adaptados em outras funções dentro do Centenário para os dias sem jogos. Alguns foram para as categorias de base e outros para áreas administrativas.

Itacir Pach é o responsável pela conservação do gramado do Estádio Centenário Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Manutenção do gramado

Completando 41 anos em setembro, o Estádio Centenário precisa de manutenções frequentes e específicas mesmo sem a demanda de grandes jogos. O tempo trouxe junto alguns problemas que não dependem da presença do torcedor nas arquibancadas para serem corrigidos. Até mesmo o gramado, que só irá receber algumas partidas das categorias de base, precisa de constantes cuidados. A troca da grama de verão para a de inverno, e o contrário, custam no mínimo R$ 20 mil aos cofres grenás.

A manutenção dos times de formação também são responsáveis pela sequência de outras funções dentro do clube, como a limpeza nos vestiários e o serviço de lavanderia, que é realizado pelo próprio Caxias. O total de custo de manutenção gira entre R$ 20 mil e R$ 30 mil por mês.

Outra novidade para quem for ao estádio nos próximos dias é a construção de um campo de futebol 7, atrás do gol da ferradura Norte (do CT). A ideia é que este novo gramado seja utilizado pelas escolinhas e pelos sócios. Para a direção, essa proximidade das crianças com as arquibancadas pode fomentar o sentimento do futuro torcedor grená e cativar o torcedor do futuro.

Futebol profissional só em 2018 Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Valores penhorados

Com tempo para armar as estratégias de venda da marca e com garantia de calendário para toda a temporada de 2018, o Caxias pretende mudar a forma de buscar patrocinadores para sanar as dívidas.

No Gauchão, o total das marcas na camisa não passavam de R$ 100 mil por mês. A ideia para 2018 é começar o campeonato com os apoiadores definidos com contrato de 12 meses. Segundo o diretor comercial do clube, Tiago Balbinot, as empresas começam a definir seus orçamentos para o próximo ano entre setembro e outubro, e nesse momento o Caxias precisa estar preparado para agir.

— Se deixar para novembro ou dezembro, ficamos apenas com encaixes em orçamentos. Fazendo esse planejamento antes, o poder de mercado aumenta. Fizemos um levantamento de toda a exposição que a marca do Caxias teve esse ano. Não jogar o segundo semestre tem o lado ruim, mas agora há um tempo para planejar que nunca tivemos, então vamos aproveitando da melhor maneira para começar a próxima temporada melhor — afirma Balbinot.

Assim como as contas de manutenção do estádio seguem, os credores também não param. O clube ainda paga situações do passado. Por conta disso, algumas verbas que seriam importantes para o alívio financeiro não chegam até o Centenário.

No Gauchão, a equipe grená deixou de receber próximo de R$ 1,4 milhão da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) devido às penhoras na Justiça. Segundo Grezzana, se renegociações não forem feitas, o Caxias terá dificuldades durante algumas temporadas.

— Se não aumentar a arrecadação de patrocínio e sócios, vamos ficar sem receitas de televisão pelos próximos três ou quatro anos. O Caxias sobreviveu esse ano do quadro social e com o rateio que era feito entre diretores e conselheiros. Desde que assumimos, não entrou mais nenhuma ação trabalhista, mas tem muita coisa antiga que estamos resolvendo — admite o presidente grená.

A única receita que o Caxias pegou neste Estadual foi referente ao empréstimo do Centenário para o Novo Hamburgo na decisão do campeonato, dinheiro que serviu para pagar a premiação aos atletas.

Os jogos em casa também ajudaram. Enquanto no ano passado, apenas uma partida o clube não teve prejuízo, neste 2017 o Caxias teve lucro em quase todos os jogos. A renda contra o Inter, por exemplo, serviu para que fosse complementada a receita para a liberação dos atletas após a disputa do Estadual.



 
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