Maurício Reolon: "O esporte em si não é o mais importante do esporte" - Esportes - Pioneiro

Coluna Digital27/05/2017 | 17h20Atualizada em 27/05/2017 | 17h20

Maurício Reolon: "O esporte em si não é o mais importante do esporte"

Medalhas, títulos, vitórias são apenas consequência de algo muito maior

Maurício Reolon: "O esporte em si não é o mais importante do esporte" André Ávila/Agencia RBS
Foto: André Ávila / Agencia RBS

Primeiro, preciso deixar claro que não estou e nem quero fazer qualquer alusão política ou partidária. É uma opinião que foge de qualquer parâmetro neste sentido e que já me incomoda há muito tempo, bem antes de todo a situação envolvendo o Fiesporte de Caxias do Sul. O fato é que o esporte em si não é o mais importante do esporte.

É que, no meu caso, o esporte não é apenas um assunto à parte, que não está inserido na sociedade. Foi assim que aprendi com meu pai. Acompanhava ele em jogos de campeonatos amadores da cidade e achava aquilo o máximo. Não só o jogo, é bom deixar claro. Era todo o ambiente, as amizades, as parcerias.

Depois, com uns 11 ou 12 anos, ele me colocou em uma escolinha de futsal. Sem qualquer habilidade, correndo todo desajeitado, e com a certeza de que não seria um atleta, vivi ali, com uma galera simples e sem qualquer pompa, alguns dos melhores momentos da minha transição de infância para a adolescência.

No esporte, ali ou na escola, quando tentava jogar vôlei, basquete, handebol e o que mais aparecesse, aprendi muito mais que (tentar) jogar bola. Tive disciplina, trabalho em grupo, companheirismo.  

Na escolinha, as viagens eram sensacionais. Fiz muitos amigos, passei a admirar meus professores e ver que, de alguma forma, gostaria de vivenciar aquilo para o resto da minha vida. Por motivos óbvios, tinha ali a saúde da prática esportiva. Mas também fui educado de outra forma por estar inserido nesse contexto. E acabei saindo de caminhos que poderiam ser errados.

No final das contas, depois de alguns anos, encontrei no jornalismo esportivo minha verdade. E como me incomoda ver o esporte ser deixado em segundo plano. E não é uma realidade de Caxias ou do Rio Grande do Sul. Desde que me entendo por gente, NUNCA ouvi algum político em campanha eleitoral colocar o esporte como uma bandeira aliada aos fundamentais educação, saúde, segurança pública, etc. Por que aqui seria diferente? O Brasil não é assim. 

Quem sabe, a situação melhore um dia. Até lá, vamos tentando fazer a nossa parte. Mostrar o quanto o esporte pode ser importante para tirar crianças e jovens das ruas, formar cidadãos melhores. Tinha certeza que não seria um atleta. Mas, de alguma forma, sei que nas quadras que brinquei por aí, me tornei uma pessoa melhor. 

 
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