"A vontade de voltar ao Dakar é grande", diz piloto gaúcho espetado por mais de 40 espinhos em queda - Esportes - Pioneiro

Estreia dolorida10/01/2017 | 18h22Atualizada em 10/01/2017 | 19h39

"A vontade de voltar ao Dakar é grande", diz piloto gaúcho espetado por mais de 40 espinhos em queda

Depois de acidente com moto, Gregorio Caselani teve de abandonar o rali

"A vontade de voltar ao Dakar é grande", diz piloto gaúcho espetado por mais de 40 espinhos em queda Victor Eleutério/Fotop,Vipcomm,Divulgação
Gregorio Caselani na chegada a La Paz, na Bolívia, no último sábado, pouco antes de decisão de deixar a competição Foto: Victor Eleutério / Fotop,Vipcomm,Divulgação

Foi dolorida a estreia do gaúcho Gregorio Caselani, 29 anos, no maior rali do planeta. Na última segunda-feira, o piloto de Caxias do Sul teve de tomar uma dura decisão: abandonar a competição de motos do Rally Dakar, antes do início da sétima de um total de 12 etapas.

Uma forte dor na região lombar, consequência de um processo inflamatório desencadeado por ferimentos provocados por espinhos após uma queda sobre um cacto, na Argentina, precipitou a saída de Caselani seis dias antes do fim da competição, que se encerra no sábado, em Buenos Aires.

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Na queda, durante a 3ª etapa do rali, entre as cidades de San Miguel de Tucumán e San Salvador de Jujuy, na Argentina mais de 40 espinhos se alojaram no corpo do piloto, especialmente na parte posterior das coxas. O piloto tombou quando atravessava um rio seco, no norte argentino. Por azar, caiu sobre um dos poucos cactos da vegetação árida da região.

Piloto gaúcho durante a 3ª etapa do rali, entre as cidade argentinas de San Miguel de Tucumán e San Salvador de Jujuy Foto: Victor Eleutério / Fotop,Vipcomm,Divulgação

Moradores que acompanhavam a passagem dos competidores prestaram socorro a Caselani. Por cerca de 40 minutos, com o piloto deitado de bruços no chão, tiraram um a um espinhos do tamanho de três a quatro centímetros. O piloto ainda voltou para a prova, já com carros e caminhões a sua frente (no Dakar, as motos largam na frente, já que veículos mais pesados deixam o piso mais acidentado e levantam uma densa trilha de poeira que prejudica a visibilidade). Mesmo com todas as dificuldades, conseguir terminar a etapa, em 123º lugar.

Nos três dias seguintes, mesmo com muitas dores, completou as etapas com muito esforço — outra vez, sendo ultrapassado por carros e caminhões — até a chegada à capital boliviana, no último sábado.

A recompensa para tanto sacrifício seria a folga prevista para domingo. Ironicamente, os sintomas se agravaram no único dia de descanso dos pilotos em duas semanas de disputas. O médico que atendeu Caselani em La Paz, na Bolívia, foi categórico. O gaúcho precisaria de três a cinco dias de repouso para se recuperar.

— Foi um golpe muito duro. As dores até então eram suportáveis, eu vinha tranquilo para terminar o rali. Mas, no domingo, a minha lombar travou. Não conseguia nem calçar tênis — conta Caselani, em entrevista a ZH por telefone na tarde desta quarta-feira, enquanto aguardava atendimento na sala de espera do Hospital da Unimed, em Caxias do Sul — o piloto "trouxe" da Bolívia dois espinhos encravados no seu corpo, um no braço esquerdo e outro na perna esquerda.

O piloto se retirou do rali quando ocupava a 99º colocação na classificação geral das motos. A frustração foi grande, porque Caselani pretendia ajudar a sua equipe na segunda-feira, quando se iniciava a chamada "maratona", na qual mecânicos das equipes não podem prestar auxílio aos pilotos — apenas os próprios competidores podem fazer reparos nos seus e nos veículos de colegas.

Em sua primeira experiência na principal competição off road do mundo, o piloto da equipe Honda South America Rally Team havia estabelecido a meta de andar entre os 30 primeiros colocados para "fugir da poeira". Agora, o caxiense traça planos para retornar à disputa em 2018.

— A vontade de voltar ao Dakar é grande, mas não depende só de mim. Quero andar no meu ritmo — afima Caselani, que no primeiro dia do Dakar largou em 158º e ganhou 80 posições.

O piloto gaúcho volta as competições em abril, com a primeira etapa do Campeonato Brasileiro, em Natal.

Foto: arte zh / rbs

O PERCURSO
No total, serão percorridos 8.818 quilômetros, dos quais 4.089 quilômetros serão de trechos cronometrados

1º de janeiro (domingo)
Largada Promocional: Assunção (Paraguai)

2 de janeiro (segunda-feira)
1ª etapa:
 Assunção (Paraguai) — Resistencia (Argentina)
Total: 454km
Trecho cronometrado: 39km

3 de janeiro (terça-feira)
2ª etapa:
 Resistencia — San Miguel de Tucuman (Argentina)
Total: 803km
Trecho cronometrado: 275km

4 de janeiro (quarta-feira)
3ª etapa:
 San Miguel de Tucumán — San Salvador de Jujuy (Argentina)
Total: 780km
Trecho cronometrado: 364km

5 de janeiro (quinta-feira)
4ª etapa:
 San Salvador de Jujuy — Tupiza (Bolívia)
Total: 521km
Trecho cronometrado: 416km

6 de janeiro (sexta-feira)
5ª etapa: 
Tupiza — Oruro (Bolívia)
Total: 692km
Trecho especial: 447km

7 de janeiro (sábado)
6ª etapa:
 Oruro — La Paz (Bolívia)
Total: 786km
Trecho cronometrado: 527km

8 de janeiro (domingo)
Dia de descanso — La Paz (Bolívia)

9 de janeiro (segunda-feira)
7ª etapa:
 La Paz — Uyuni (Bolívia)
Total: 622 km
Trecho cronometrado: 322 km

10 de janeiro (terça-feira)
8ª etapa:
 Uyuni — Salta (Argentina)
Total: 892 km
Trecho cronometrado: 492 km

11 de janeiro (quarta-feira)
9ª etapa:
 Salta — Chilecito (Argentina)
Total: 977 km
Trecho cronometrado: 406 km

12 de janeiro (quinta-feira)
10ª etapa:
 Chilecito — San Juan (Argentina)
Total: 751 km
Trecho cronometrado: 449 km

13 de janeiro (sexta-feira)
11ª etapa:
 San Juan — Río Cuarto (Argentina)
Total: 754 km
Trecho cronometrado: 288 km

14 de janeiro (sábado)
12ª etapa:
 Río Cuarto — Buenos Aires (Argentina)
Total: 786 km

Trecho cronometrado: 64 km 

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