Campeões olímpicos, Wallace e Lucarelli falam sobre o ouro no Rio, assédio dos fãs e busca por título no Taubaté - Esportes - Pioneiro

Craques na quadra24/11/2016 | 18h52Atualizada em 25/11/2016 | 06h33

Campeões olímpicos, Wallace e Lucarelli falam sobre o ouro no Rio, assédio dos fãs e busca por título no Taubaté

Jogadores estiveram em Bento Gonçalves para duelo da Superliga

Campeões olímpicos, Wallace e Lucarelli falam sobre o ouro no Rio, assédio dos fãs e busca por título no Taubaté Porthus Junior/Agencia RBS
Wallace foi o principal destaque da seleção de Bernardinho no Rio Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Campeões olímpicos e referências da seleção brasileira masculina de vôlei, o ponteiro Lucarelli e o oposto Wallace estiveram atuando na quarta-feira à noite em Bento Gonçalves com a camisa do Taubaté. Um dos favoritos ao título, o time paulista confirmou o favoritismo e venceu o Bento Vôlei por 3 sets a 0. E os dois craques fizeram a diferença.

Ricardo Lucarelli tem apenas 24 anos e é a grande revelação da última safra do vôlei brasileiro. Cria do Minas, ainda defendeu o Sesi antes de chegar ao Taubaté. Pela seleção, foi lapidado desde 2012 para ser titular nos Jogos do Rio. E, apesar de sofrer com uma lesão, foi peça fundamental na conquista em uma posição que sempre teve grandes nomes nas últimas décadas, casos de Tande, Dante, Nalbert, Giovane e Giba.

Já Wallace Leandro de Souza tem 29 anos e 1m98cm, o que seria uma altura considerada baixa para um oposto. Após se destacar pelo Vôlei Futuro, chegou ao Cruzeiro para conquistar quatro Superligas, dois títulos mundiais e três sul-americanos. Tornou-se peça indispensável na seleção de Bernardinho pela potência dos ataques e tranquilidade nas horas decisivas.

Após a partida na Serra Gaúcha, no hotel em que ficaram hospedados, os atletas falaram com o Pioneiro sobre o novo momento nas carreiras, o assédio dos fãs após a conquista no Rio de Janeiro e como eles lidam com o fato de serem protagonistas na modalidade, que vem acumulando medalhas e conquistas desde a década de 90.

Confira os principais trechos das entrevistas: 

"A gente precisava tirar esse rótulo'"

 Fugidinha após o jogo
— Por um lado é legal, especialmente pelo reconhecimento do que a gente tem feito pelo vôlei. Só que tem vezes em que você está muito cansado do jogo e precisa tirar umas mil fotos, sem exagero. Não é algo ruim, não quero que entendam de forma errada. É só para daqui a pouco você fazer a foto cansado, não dar um sorriso e a pessoa interpretar mal. Realmente estava esgotado depois do jogo.

Status de campeão olímpico
— Era uma coisa que a gente havia trabalhado muito para alcançar, sonhava com a final de Olimpíada. Sempre batíamos na trave e era um time que vinha sendo chacota por ser sempre prata, que chegava, mas perdia. A gente precisava tirar esse rótulo da gente. Foi sensacional e a equipe se portou muito bem a partir do jogo contra a França. Fico feliz por ter conseguido ajudar a seleção e a recompensa está aí.

Wallace ganhou o apelido de Macho Alfa durante as Olimpíadas Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Protagonista
— Representa todo o trabalho, a dedicação, o esforço a cada treino. Sempre falei que era um time que merecia demais e pessoalmente é algo que precisava sentir. Ficava muito engasgado com as derrotas nas finais e foi algo indescritível. Mas, a palavra-chave de tudo foi o trabalho, o comprometimento de cada um com a equipe.

A mudança para Taubaté
— Sempre gosto de desafios e a gente sabe que não é fácil ganhar uma Superliga. Tem times fortíssimos e vim para Taubaté com o objetivo de somar. É uma equipe montada para ser campeã e eu tenho esse "peso" de buscar um novo título.

Assédio do torcedor rival
— Chega ser até uma sacanagem, no bom sentido, logicamente. É engraçado o fato desse apoio a um jogador do time adversário, mas acredito que é a força, o reconhecimento que nós do vôlei conseguimos após o título nas Olimpíadas. É algo que nos deixa com ainda mais vontade de jogar e mostrar um bom nível de atuação.

"Macho Alfa"
— Em alguns lugares tenho ouvido bastante e em Taubaté pegou também o Macho Alfa. É engraçado e dou risada. Não ligo do pessoal me chamar assim. Acho que até é um apelido bem engraçado. O importante é que pegou para o lado bom. Quem viu os jogos pela ESPN notou o quanto o cara (narrador Rômulo Mendonça) realmente torcia pela gente. Não era só uma narrador.

Projetos para o futuro
— Tem muita coisa ainda pela frente. Ainda é um começo de ano e tem muita coisa para melhorar e, na seleção, é manter o foco. Você é convocado pelo trabalho que você faz no clube e é nisso que vou trabalhar para continuar sendo chamado.

 "Tenho a responsabilidade e gosto muito disso'" 

Lucarelli busca o primeiro título da Superliga Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Referência da seleção
— Cheguei na seleção em 2013 e ainda era bem moleque, tinha esse status de revelação. Fui mantendo o trabalho, quase sempre como titular, chegamos a várias finais, mas infelizmente não vencemos algumas. Acredito que foi um ciclo olímpico muito legal. Ninguém gosta de ficar em segundo, mas jogar diversas competições e só não ir a uma final é muito bom. Esperamos continuar da mesma forma nos próximos anos, sendo convocado e representando bem a seleção.

Responsabilidade no clube
— Dentro de quadra, tenho essa responsabilidade e é algo natural, que sempre gostei muito. Os levantadores sabem que acho importante receber mais bolas para atacar, quando aperta eu sempre chamo o jogo. Mas nossa equipe tem grandes jogadores e o jogo fica muito mais fácil. Acredito que o conjunto do Taubaté é muito bom e vamos brigar para chegar bem longe.

Título da Superliga
— Fui a duas finais e perdi as duas. Foram temporadas em que o time estava bem, mas méritos para o Cruzeiro, que liderou tanto na Superliga como com as conquistas no Sul-Americano e em Mundiais. Nosso objetivo é outra vez brigar pelo título, tanto da competição nacional como no Sul-Americano.

Com apenas 24 anos, Lucarelli é referência técnica da seleção brasileira Foto: Porthus Junior / Agencia RBS

Projetos na seleção
— Primeiro é tentar ganhar uma Liga Mundial, que escapou nos últimos anos. Além disso, temos que continuar jogando bem, mostrar para a galera que continuamos atuando com vontade, ter essa disposição e, por consequência, vamos brigar por títulos.

O peso do título
— Não pesa muito e não penso nisso como um peso. Fico feliz por estar jogando e a vida continua. São situações que passam. Já vivi momentos muito ruins que passaram. Agora é uma fase positiva, mas preciso continuar representado a minha equipe. Lógico que o título olímpico é uma grande alegria, mas já ficou no passado.  

 
 
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