Há 15 anos, o Juventude calava um Maracanã com 100 mil botafoguenses e conquistava o Brasil - Esportes - Pioneiro

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Façanha histórica27/06/2014 | 07h04

Há 15 anos, o Juventude calava um Maracanã com 100 mil botafoguenses e conquistava o Brasil

Título é relembrado por dois funcionários do clube que estiveram na campanha vitoriosa

Há 15 anos, o Juventude calava um Maracanã com 100 mil botafoguenses e conquistava o Brasil Diogo Sallaberry/Agencia RBS
O massagista Edson de Camargo, o Massa, e o roupeiro Nilton Soares, o Zico, exibem a taça erguida pelo capitão Flávio em 1999 Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS
Já se passaram 15 anos. Diante de um Maracanã tomado pelo maior público registrado até hoje na história da Copa do Brasil, o Juventude fez calar 101 mil botafoguenses e alcançou sua maior conquista. Era 27 de junho de 1999, um dia que jamais sairá da memória alviverde.

De frente para o gramado do Estádio Alfredo Jaconi, a inscrição "Campeão do Brasil"  ainda emociona a cada dia dois personagens daquela conquista: o massagista Edson de Camargo, o Massa, e o roupeiro Nilton Soares, o Zico. Na quinta-feira, os dois se reuniram no memorial do clube para repetir o gesto do capitão Flávio Campos e erguer a taça que mudou o patamar do Ju no futebol brasileiro. 

— Parece que foi ontem. É como se o tempo tivesse parado desde aquele dia, porque a gente olha para aquela placa  (aponta para o Campeão do Brasil) e vêm lembranças muito boas — comenta Massa, que já dedicou metade de seus 51 anos para o Juventude.

Das lembranças que Zico saca da memória, a confiança que tinha no título é a mais forte.

— Eu achava que seríamos campeões, tanto que levei até champanhe daqui para tomarmos no hotel. Estávamos todos muito unidos, jogadores, comissão técnica e direção. Tudo conspirava a favor — recorda.

Zico tem 56 anos e há 35 é roupeiro do Ju. Hoje atua nas categorias de base, a exemplo de Massa. Ainda tem o hábito de beijar a camisa de cada jogador ao entregá-la antes de cada partida e diz nunca ter assistido a um jogo. Para proteger todo o equipamento, nunca deixa o vestiário e ouve tudo pelo rádio. Diz preferir assim. E foi do vestiário do Maracanã que sofreu com os últimos minutos daquele empate em 0 a 0 que dava ao clube caxiense o título contra o Fogão (o primeiro jogo havia sido 2 a 1, em Caxias). O massagista, por sua vez, estava na beira do gramado.

— Ainda faltava uns dez minutos e a gente já gritava pro árbitro pedindo o fim do jogo.

Ele olhava para nós e apontava o relógio, como se dissesse que estávamos loucos _ diverte-se Massa.

Década e meia depois, a dupla que tem o Juventude não apenas como emprego, mas como parte de sua identidade, não sonha em ver o clube repetir a façanha. Estariam contentes em ver o clube de volta à elite do futebol brasileiro, como nos melhores anos.

— O clube está trabalhando muito bem, acho que subimos para a B esse ano. Para a Série A,  pode demorar um pouco mais. Mas eu quero estar aqui ainda e vou ficar satisfeito em ver meu clube de volta à primeira divisão — finaliza Massa.

Campanha de grandes jogos

Além das finais contra o Botafogo _ 2 a 1 no Alfredo Jaconi e 0 a 0 no Maracanã _, a campanha do Juventude na Copa do Brasil de 99 teve outros momentos marcantes. Tanto que quando são perguntados sobre qual a partida mais marcante daquela trajetória, Zico e Massa não chegam a se referir aos confrontos contra os cariocas.

Para Massa, o segundo joga das quartas de final, contra o Bahia, foi inesquecível:

— Estava 2 a 1 para eles e estávamos sendo eliminados em Salvador. Aqui tinha sido 2 a 2. Faltando um cinco minutos, o Mario Tilico entrou no jogo e no primeiro toque na bola fez o gol do empate. Nos classificamos nos pênaltis. Ali eu desabei a chorar, foi emoção demais.

O roupeiro, por sua vez, cita a goleada de 4 a 0 contra o Inter em pleno Beira-Rio.

— O jogo era à noite e nós chegamos umas quatro da tarde com o estádio já praticamente lotado. Mas nós jogamos como se não tivesse ninguém no estádio e os gols foram saindo um após o outro — conta Zico.

Além de Botafogo, Inter e Bahia, o Juventude eliminou naquele torneio Corinthians, Fluminense e Guará-DF. O time-base de Valmir Louruz tinha Emerson, Marcos Teixeira, Capone, Índio e Dênis; Lauro, Flávio, Wallace e Mabília; Maurílio (Mario Tilico) e Márcio Mixirica (Fernando). Capone, com cinco gols, foi o artilheiro da equipe na competição.
 
 
 
 
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