Será de um dos camarotes do Olímpico, neste domingo, que o cidadão alemão José Roberto da Silva Júnior, verá seu novo time em ação contra o Corinthians. Isso mesmo, cidadão alemão, com todas as prerrogativas que a lei faculta.
Foram tantos anos na Alemanha, entre 1998 e 2011, que o meia Zé Roberto, 37 anos, obteve o visto de cidadania, antes de trocar o Hamburgo pelo Al-Gharafa, do Catar, em 2010.
— Sou alemão — diz o reforço apresentado pelo Grêmio esta semana, cuja estreia poderá ocorrer no dia 24 contra o Flamengo.
Na Europa, as exigências profissionais eram muito maiores do que no Catar. A trajetória no país árabe, definida pelo jogador como “um refrigério”, possibilitou a sonhada convivência familiar. Como os treinos só ocorriam à noite, devido ao calor, que ultrapassa com facilidade os 45°C, ele tinha tempo até mesmo para levar os filhos à escola.
— No Catar, só se joga nos finais de semana. Durante o dia, o jogador só come e passeia, quase esquece que é um profissional. Alguns chegam ao clube vestindo camisetas do Real Madrid e Barcelona. É uma coisa muito estranha. A maioria das equipes nem sequer concentra para as partidas — observa.
Zé não descuidou da parte física, que considera o maior patrimônio de sua carreira. Com a ajuda de um preparador físico particular, que recrutou na Alemanha, o meia manteve-se em condições de jogar, mesmo sob o sol insuportável do Catar.
Estádios vazios, presente do xeque e retorno ao Brasil
Durante os jogos no país árabe, os estádios ficam praticamente vazios. Alguns poucos lugares são ocupados nas tribunas pelos xeques e familiares. Lotação, mesmo, só na decisão da Copa do Emir, semelhante à Copa do Brasil. E, assim mesmo, brinca o jogador, porque há sorteio de carros e pela chance de ver o Rei.
Zé Roberto, aliás, espera por parte da premiação da Copa do Emir, que conquistou pelo Al-Gharafa. Como viajou às pressas para a Alemanha antes de retornar ao Brasil, não teve tempo de receber. Imagina que seja um carro, presente de algum príncipe.
— Perdi muitos quilos naquele calorão. Quero receber esse prêmio — avisa.
Foi pelo desejo de ser visto pelos brasileiros que Zé Roberto aceitou a oferta do Grêmio. Após breves passagens por Real Madrid e Flamengo, entre 1997 e 1998, ele emendou um período de oito anos na Alemanha, sendo quatro no Bayer Leverkusen — onde atuou com Émerson, hoje auxiliar técnico de Vanderlei Luxemburgo — e quatro no Bayern de Munique.
Depois do Santos, voltou para a Alemanha, desta vez como jogador do Hamburgo. Em 2010, já estava convencido de que o melhor seria retornar ao Brasil, mas, ainda assim, aceitou a oferta do Al-Gharafa e decidiu ir jogar no Catar.
Se a Alemanha permitiu a Zé Roberto realizar o sonho de atuar em grandes clubes e obter o reconhecimento internacional, é o Brasil quem o faz sentir-se realmente feliz.
— Saí muito cedo daqui. Na segunda passagem pela Alemanha e pelo Catar, senti falta do que vivi no Santos. Foi lá que coroei minha trajetória no Brasil — diz.








