"É muito bom olhar para trás e ver o quanto caminhamos", diz o técnico Rodrigo Barbosa - Basquete Caxias do Sul - Esportes: notícias sobre o Caxias e Juventude e mais - Pioneiro

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Entrevista30/10/2015 | 20h31

"É muito bom olhar para trás e ver o quanto caminhamos", diz o técnico Rodrigo Barbosa

Comandante do Caxias do Sul Basquete fala sobre a carreira e a estreia do time no NBB 8

"É muito bom olhar para trás e ver o quanto caminhamos", diz o técnico Rodrigo Barbosa Felipe Nyland/Agencia RBS
Rodrigo foi jogador da Sogipa, mas optou pela carreira de técnico ainda jovem Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS
Era para ser apenas uma nova e curta experiência de início de carreira. Já são mais de 20 anos. Quando chegou em Caxias do Sul, Rodrigo Barbosa não tinha ideia de que iria encontrar na cidade o suporte para alcançar o seu grande momento dentro do esporte.

Um projeto iniciado há 10 anos, com a criação de uma equipe profissional de basquete masculino, que acabou culminando com a conquista da vaga na elite da modalidade com o Caxias do Sul Basquete.

Natural de Porto Alegre, Rodrigo Barbosa, 40 anos, iniciou no basquete aos seis. Foi jogador profissional e se tornou precocemente treinador por uma escolha própria. Formado em Educação Física, em 2006, fez toda a graduação na UCS, mas realizou o último semestre na Ulbra, em Canoas. Mesmo que a ligação com o esporte tenha iniciado na região metropolitana do Estado, foi em Caxias do Sul que ele vislumbrou uma possibilidade, e sonhou para colher os frutos nesses últimos meses.

O técnico, que também foi gerente, supervisor e teve tantas outras funções, é um dos líderes de um projeto que iniciou pequeno e ganhou novas dimensões após a conquista da vaga ao Novo Basquete Brasil (NBB), por meio do título da Liga Ouro, no início deste ano.

O Caxias do Sul Basquete cresceu. Conquistou o tricampeão gaúcho em 2014 e, mesmo com dificuldades financeiras, confirmou sua vaga para jogar entre os grandes do país no ano seguinte. Além disso, o time retornou nesta semana de uma excursão de 21 dias para a China. Foi mais uma demonstração da relevância do grupo.

Às vésperas de estrear na elite, Barbosa relembra momentos da carreira como jogador e técnico, conta um pouco sobre sua relação com o basquete e projeta os novos passos do Caxias do Sul Basquete. Abaixo confira a entrevista concedida pelo técnico ao Pioneiro:

Pioneiro: Que momentos vem a memória ao se falar dos 10 anos do Caxias do Sul Basquete?

Rodrigo Barbosa: Sempre tive a vontade de fazer um time e, alguns anos antes, trabalhei na Liga Nacional e vivenciei toda estrutura de campeonato brasileiro. Tive a ideia de montar a equipe, mesmo sem ter muita referência na cidade. É muito bom hoje olhar para trás e ver o quanto nós caminhamos em algo que no primeiro momento era simplesmente ter um time adulto. Não se sabia bem para onde poderia caminhar.

Além de técnico, muitas vezes você foi supervisor, gerente, fez também o trabalho de fora da quadra. É mais recompensador ver agora o resultado?

— É uma coisa que aprendi com meu pai, de que não deveria esperar pelos outros, que tinha que correr atrás. O time foi exatamente isso. Eu brinquei em 2006 que nunca iria montar placa, toda estrutura de quadra, e faço isso até hoje. Então, faz parte da nossa realidade. Gosto de acompanhar tudo que acontece e isso não é ver os outros fazerem. Por isso, participo de forma bem direta.

Como se deu o início do trabalho com o basquete em Caxias? 

— Vim para Caxias trabalhar, na época à convite do Recreio da Juventude. Não tinha muita noção, até porque ainda jogava e tinha o convite para atuar fora. Tive que escolher. Optei por trabalhar como técnico e acabei ficando aqui. Achei que ficaria por um ano e agora já são 22 anos que estou ajudando a fazer o basquete na cidade.

Quais as lembranças do período de jogador? 

— Meu irmão mais velho (Roberto) jogava basquete e dizia que eu não tinha força para jogar. E foi assim que comecei, com seis anos. Ele parou e eu continuei. Joguei, tive a experiência de seleções gaúchas, em campeonatos brasileiros, atuei profissionalmente e foi uma transição involuntária para trabalhar. Quando as duas coisas começaram a bater, teve a escolha, quando tinha 20 anos.

Por qual clube disputou a Liga Nacional?

— Foi na Sogipa. Sou de Porto Alegre e lá fiz toda minha base. Em 1990, fui o atleta mais novo a disputar a Liga, com 15 anos. Disputei ainda as temporadas 91/92 e 92/93. Foi na época que acabou a Liga e vim para Caxias do Sul.

Já existia alguma relação esportiva na família?

— Meu pai (Paulo), jogou futebol profissional. Foi goleiro do Cruzeiro-PoA, mas isso nem lembro. Eu acompanhava os jogos, mas acredito que foi mais por morar próximo ao Cete (Centro Estadual de Treinamento Esportivo), em Porto Alegre, que tinha ginásio, uma quadra e passava a tarde lá brincando. Isso estava muito presente na turma do bairro. Nunca foi algo imposto. Era algo natural do esporte. Até os 12, jogava basquete e tênis de mesa. Um dia tive que escolher. Não me pergunta por que, mas escolhi o basquete.

Dá para fazer um paralelo de importância dos títulos gaúchos conquistados com a presença no NBB? 

— Com certeza. O primeiro título gaúcho, em 2009, foi muito importante. Era um projeto que saiu do zero e a gente passou a fazer parte da história do basquete gaúcho. Anos depois, o NBB é da mesma forma. Não irá se apagar nunca essa condição que colocamos o esporte da cidade. É algo muito significativo.

Alguns dos atletas e até mesmo diretores da equipe estão contigo desde o início do trabalho. Qual a importância dessas pessoas no projeto?

– O Luis Bernardi, que hoje é o vice-presidente, era meu diretor de basquete no Recreio da Juventude em 1998. O Caberlon (Rogério), que é presidente da Federação Gaúcha, tem tanta culpa quanto eu por ter dado certo e está aí desde 2000. O Rubinho joga desde o primeiro ano. O Dida e o Daniel, desde 2006. O Maurício hoje tem 21 anos e começou comigo aos oito. Essas relações fazem diferença e possibilitam trazer jogadores de fora e eles se sentirem à vontade, em um ambiente confortável.

Estruturalmente, qual o tamanho do crescimento do Caxias do Sul Basquete? 

— Em termos de estrutura física, já não perdíamos para ninguém do NBB. De recursos humanos, não tínhamos, hoje é um pouco mais, mas ainda é menos do que deveria. Se tu olha para trás e pensa que em 2005, no primeiro jogo, nós saímos de Caxias, fomos para Porto Alegre pegar as camisas para jogar em Torres pelo Estadual. Compramos no mesmo dia e jogamos com calção de treino. Hoje, o jogador chega aqui e tem seis uniformes de jogo, abrigos de jogo e treino, bermuda e camiseta de passeio, um material completo. O uniforme é só um exemplo. Tem muitas coisas, o tempo de contrato. Se fazia basquete por três ou quatro meses.

O que se pode projetar do Caxias no NBB? 

— Eu gosto de desafios e ele será mais um grande desafio. Cada jogo será uma final de campeonato. O que mais penso é a gente fazer um bom campeonato. E não sei te dizer em que lugar é. A gente precisa ter o time de novo no próximo NBB. Não adiantaria nada para mim ter o resultado, jogar o primeiro e não jogar mais. O melhor é fazer as coisas certas e conseguir ir melhor no próximo ano. Foi assim que construímos o Caxias do Sul Basquete, buscando a cada ano o melhor. O ganhar vira consequência. Não sei se vamos classificar, no decorrer do campeonato vamos saber direcionar, mas o ideal é projetar um próximo ano com mais força.

Depois de anos complicados, o basquete masculino brasileiro está reencontrando seu caminho?

— O NBB é o grande sucesso do esporte no Brasil. Só ainda não é 100% porque a Liga não tem condições de bancar uma boa estrutura para os clubes. A Liga nada mais é que uma união de clubes. Então, terá mais sucesso quando esses clubes tiverem sucesso financeiro e passar com mais tranquilidade a temporada. As mesmas dificuldades que tivemos aqui, a grande maioria dos times também passou, com exceção de um ou outro, como Mogi, Bauru e Flamengo.

Em outra oportunidade, você chegou a dizer que tinha o sonho de fazer um jogo de basquete no ginásio do Sesi lotado. É um sonho mais possível em um futuro próximo? 

— Antes achava que não. Hoje, digo que sim. Vai depender muito do nosso trabalho dentro de quadra. Conseguimos dar um salto desde maio. Nós subíamos um degrau por vez e acredito que conseguimos agora subir uns quatro ou cinco. Óbvio, tem que ter o cuidado para não cair. Desconfiava muito de trocar o ginásio, da Liga Ouro, com poucas equipes. Tive uma surpresa. No primeiro amistoso antes da competição, tinha mais gente do que em um jogo normal de Estadual. Na fase final, com o ginásio lotado, aí realmente vimos que saímos de uma posição e fomos para outra.

Como você avalia a resposta da comunidade ao crescimento da equipe?

— A gente precisa reconhecer. No momento em que, infelizmente, o esporte da cidade caminha para um lado, a gente está conseguindo ir para o outro. Claro que gostaria que todos fossem para o mesmo lado. Isso traz ainda mais os nossos méritos. A comunidade gosta de bons jogos e vai acompanhar. Se tem resultados, se não tem notícia ruim, as pessoas vão. Para aqueles que nunca viram um jogo ao vivo e vão ao ginásio, 90% vai sair apaixonada pela maneira como é a partida. Em um segundo, tudo pode mudar.

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