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Impacto da pandemia17/09/2020 | 08h48Atualizada em 17/09/2020 | 08h49

"Esse ano, a gente não vai conseguir recuperar tudo o que perdeu", diz economista

Marcelo Portugal projeta que volta da economia ao patamar do final de 2019 ocorrerá somente a partir do final do ano que vem

"Esse ano, a gente não vai conseguir recuperar tudo o que perdeu", diz economista Antonio Valiente/Agencia RBS
Segundo o economias, a indústria, motor da economia caxiense, foi afetado pela desorganização produtiva Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

A recuperação da economia no Brasil ao mesmo patamar do período anterior à pandemia deve ocorrer entre o final de 2021 e início de 2022. Essa é a avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o economista Marcelo Portugal, que concedeu entrevista ao Gaúcha Hoje da rádio Gaúcha Serra nesta quinta-feira (17). O pesquisador salientou que o país acumula uma perda do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem de 12% em relação ao final de 2019. 

De acordo com ele, setores que não foram tão impactados pela pandemia, como o de alimentos, ou os que conseguiram se organizar rapidamente para as vendas pela internet, como de eletrodomésticos e móveis, já esboçam uma melhora. No entanto, o professor salienta que o setor de serviços ainda tem uma situação de difícil recuperação.  

— Esse ano, a gente não vai conseguir recuperar tudo o que perdeu, com certeza. Então, nós vamos terminar o ano com um volume de crescimento econômico ainda bem abaixo em relação a dezembro de 2019. Acho que, talvez, se tudo der certo, no final de 2021, início de 2022, a gente vai ter uma normalização, vamos estar de volta onde a gente estava, do ponto de vista de geração de riqueza, lá em dezembro de 2019. Então, infelizmente, acho que a notícia não é muito positiva. 

Portugal assinalou ainda que a indústria de uma maneira geral, o mais importante setor da economia de Caxias, sofreu uma desorganização produtiva, o que é difícil de recuperar rapidamente: 

— A gente vê em várias empresas, em especial um setor que é importante na Serra, que é o setor industrial, muita desorganização produtiva, falta muita coisa. Às vezes, a empresa quer produzir, mas o seu insumo não chega, porque o outro setor que oferece insumo para ela dentro da cadeia produtiva parou e ainda não faltou. A gente vê, por exemplo, faltar vergalhão, faltar cimento. Tem uma série de produtos, porque a fábrica não consegue desligar e ligar. Não é como luz elétrica. Você desliga um alto forno, você não liga no outro dia e sai produzindo vergalhão ou cimento. Isso tem um certo tempo, demora. Isso acaba gerando problemas na cadeia produtiva de ofertas e problemas de preço — exemplifica.  

O professor destacou ainda que a taxa de juros no país está na faixa dos 2% e, com a redução do consumo, não deve aumentar muito. Diante disso, os investimentos em renda fixa, como poupança, ficam menos atrativos, inclusive com perdas em relação à inflação. 

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