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Economia03/08/2020 | 07h57Atualizada em 03/08/2020 | 07h57

As crises que venci: "Todo o trabalho não está perdido"

 Diretora-executiva da Giordani Turismo e Eventos, Andréia Zucchi, relata os desafios de trabalhar com o turismo

As crises que venci: "Todo o trabalho não está perdido" Acervo Pessoal/Divulgação
Andréia Zucchi é fundadora da operadora da Maria Fumaça em Bento Gonçalves Foto: Acervo Pessoal / Divulgação

“As crises que venci” desta semana é com Andréia Zucchi, diretora-executiva da Giordani Turismo e Eventos de Bento Gonçalves. Fundadora da operadora do passeio Maria Fumaça, ela destaca que o momento atual fez a empresa retomar os níveis de 1993, quanto iniciou operações. Desde a pandemia, foram realizados apenas seis passeios com 50% de público.

Entre as medidas tomadas para enfrentar a crise atual, destaca o processo de implantação de um e-commerce para vendas de passeios a preços promocionais e parcelamentos maiores para uso até 2021. As medidas auxiliam a fazer caixa para manter o negócio mesmo com o distanciamento social.

Como era empreender no turismo na década de 1990? 

Os primeiros quatros anos, quando iniciamos a operação do passeio de Maria Fumaça, foram os mais difíceis. Lá em 1993, fazíamos um passeio por semana aos sábados à tarde. Hoje, 27 anos depois, quando podemos operar com bandeira laranja, voltamos a realizar um por semana e imaginamos que não será muito diferente nos próximos meses. Nos primeiros anos, enfrentamos o fato de o destino Bento Gonçalves não ser tão conhecido. A nossa maior dificuldade foi se consolidar, tornar o atrativo Maria Fumaça um produto conhecido.

Quando vocês tiveram a ideia de retomar a Maria Fumaça, foram tachados de visionários demais?

Sim, porque ela já estava parada há cinco anos. Na época, a Rede Ferroviária estava começando o processo de decadência. O transporte ferroviário estava parado na região, a estação de Garibaldi estava mal cuidada. A própria linha férrea, a estação de Bento... Carlos Barbosa já nem tinha trilho até a estação. O fato do seu Leonel, que é o meu sogro, ser da área do transporte urbano, fez com que a gente tivesse a coragem de enfrentar o desafio. Imaginávamos que a maior dificuldade seria a manutenção de uma locomotiva a vapor, porque não existem peças prontas, não tinham mecânicos especializados. Pelo know how da família, tendo conhecimento de mecânica, isso nos encorajou. Mas as pessoas falavam para seu Leonel que os filhos iriam levar ele à falência, porque era uma ideia absurdamente louca.

Quais outras crises você enfrentaram?

A pior delas, sem sombra de dúvidas, é a que estamos vivendo neste momento, mas o turismo é uma das áreas que é atingida por primeiro. Enfim, estamos acostumados a lidar com a crise. O início do nosso trabalho, o momento que estamos vivendo agora e também quando criamos o parque temático Epopeia Italiana eu listo como principais momentos de dificuldade, porque criamos o parque para mostrar a cultura e a vinda dos imigrantes italianos para o Brasil, mas demorou uns 10 anos para que as agências de turismo visitassem o parque como nós imaginávamos. A dificuldade foi para fazer com que os grupos, que vinham de Gramado para fazer o tour em Bento tivessem tempo para incluir a visitação ao parque temático.

Como está sendo enfrentar a crise atual, já que o setor do turismo é um dos mais afetados pelo distanciamento?

Lá em 15 de março, imaginávamos que ficaríamos parados em março e início de abril, talvez maio, mas que em junho pudéssemos retomar. Mas já estamos há quatro meses vivendo essa situação. Nos dois primeiros meses, tivemos zero de faturamento. Em junho e julho, de fato, retomamos, mas tínhamos programados passeios todos os sábados à tarde e, talvez, sábado de manhã. Por conta da entrada do modelo das bandeiras, nós precisamos fechar em algumas datas. Em junho, realizamos três passeios. Em ano normal, teríamos realizado em torno de 40. E em julho, que seria o mês de férias, teríamos feito ainda mais. Realizamos três passeios, nem 10% do que seria o normal para o mês de julho. Além disso, sempre com ocupação de 50%.

Quais as alternativas em um cenário sem previsão de retomada?

Fizemos várias mudanças, começando pela redução de despesas. A Giordani é grande hoje, tinha lá no início da pandemia 130 funcionários e agora está com pouco mais de 100. Eram desligamentos que estavam previstos. Foi preciso antecipar. Fizemos redução de custos, negociação com fornecedores, parcelamento de algumas contas, aproveitamos todos os benefícios do governo em relação à suspensão e redução das equipes. E aí fomos criando novas oportunidades de venda, principalmente online, com promoções que poderiam ser compradas agora, aproveitando os preços e parcelamentos, podendo utilizar até o final 2021, ou seja, uma forma de a gente fazer dinheiro agora para poder se manter e pagar nossas contas. Fizemos parcerias com alguns atrativos pelo e-commerce, experiência ao ar livre quando o tempo colabora ou dentro de uma vinícola com o distanciamento correto. Estamos praticando preços de baixa temporada e ampliamos o parcelamento de 6 para 10 vezes.

Como superar uma crise assim e qual o aprendizado dessa e de outras crises?

Eu costumo falar e passar para nossas equipes e líderes que é para não deixar de acreditar, porque todo o trabalho que foi feito não está perdido. Nós investimos o nosso trabalho, a nossa inteligência com nossas equipes profissionais, e o que estamos vivendo é um momento. É um momento, realmente, de cuidar da saúde, dar prioridade para isso, porque sabemos que vai passar. Se não vai ser daqui a um mês ou dois, vai ser logo mais. Essa questão de manter a motivação das lideranças e equipes de venda é bem importante, e a gente faz isso diariamente. Outra coisa que facilita é ter um fluxo de caixa, uma reserva financeira, para honrar compromissos e não precisar tomar medidas drásticas. 


 
 
 

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