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Economia24/08/2020 | 07h02Atualizada em 24/08/2020 | 07h07

As crises que venci: "As crises acabam preparando as empresas"

Ricardo Pettenati, atual diretor-presidente da Pettenati, destaca como a empresa cresceu mais depois de períodos de dificuldades

As crises que venci: "As crises acabam preparando as empresas" Ricardo Pettenati/Arquivo pessoal
Foto: Ricardo Pettenati / Arquivo pessoal

“As crises que venci” nesta semana é com uma empresa histórica de Caxias do Sul, a Pettenati. Dos quase 56 anos da indústria têxtil, Ricardo Pettenati, atual diretor-presidente, tem 35 de atuação. Mas a crise considerada a mais significativa foi quando o pai, Otávio, estava no comando, no final da década de 1980, pois foi ela que fez a marca se tornar o que é hoje, referência internacional. Naquela época começavam a surgir as pequenas malharias e a Pettenati, de confecção, passou a fabricante de tecidos.

A empresa também inaugurou uma fábrica em El Salvador, na América Central, voltada para a produção e a exportação para a América do Norte, em outubro de 2008, quando começava a crise dos Estados Unidos.

Para passar por esta crise atual provocada pela pandemia, a aposta da Pettenati, que já tem todo um sistema de confecção de peças prontas para marcas esportivas como Adidas, Nike, Puma, entre outras gigantes, adapta tecnologias que já utilizava para atuar como antivirais na prevenção ao coronavírus.

Qual foi a primeira crise que a Pettenati venceu?

A mais significativa foi no final dos anos 1980. A Pettenati começou a exportar muito cedo, em 1969, e desde os anos 1970 até 1980 isso chegou a representar até 60% do faturamento. Ela era voltada apenas para confecções, uma malharia retilínea de suéteres. No final dos anos 1980, o Brasil teve uma moratória e perdeu bastante competitividade internacional. Os negócios internacionais ficaram muito mais complicados. Foi o começo da entrada da China no cenário internacional. E nós, dentro da confecção, com todo esse cenário, do Brasil que começou a ter bastante negócio têxtil com pequenas empresas, informalidade e proliferação de pequenas confecções. Esse processo foi vivido ainda pelo pai. Eu já estava no negócio mas muito no começo. Aí se viu uma oportunidade muito grande. De um lado, sofremos muito esse impacto, mas aí a empresa deu uma guinada total. A ideia foi transformar os potenciais concorrentes que estavam surgindo em clientes. Em dois anos, a empresa se transformou de confecção em fabricante de tecido. Nós usamos toda a expertise da confecção para treinar clientes, empresas e se profissionalizarem. Enquanto isso, vínhamos investindo em tecidos diferenciados que o mercado não tinha e nós decidimos colocar esses tecidos para nosso cliente e desenvolvemos essa estrutura para ajudar eles a crescerem.

Quais foram as outras crises que mais marcaram a companhia em 55 anos de história?

Uma crise que nós vivemos foi quando estávamos instalando a fábrica em El Salvador, na América Central, no olho do furacão, em outubro, quando estourou a crise de 2008. Por alguns meses, aquilo tudo que estava vendido e programado não se movimentou, o mercado estava totalmente ao contrário do que tínhamos projetado. Mas, em seguida, depois de poucos meses, vimos que o mercado se direcionava para um giro rápido e entregas rápidas. Os Estados Unidos queriam mais produtos diferenciados para a crise. E o fato de estarmos muitos próximos nos deu vantagem em relação à Ásia. Chegamos em sete dias, enquanto eles levam de 45 a 60 dias. Foi uma crise significativa, mas para nós bastante curta. E no Brasil não se sentiu tanto.

Qual foi a pior crise de todas?

A mais importante do setor foi a de 2014 e 2015. Com o real mantido muito forte, com juros altos, a importação começou a ser muito forte. Com muita facilidade na nossa área, as empresas importam da Ásia e da China. Nosso setor sentiu bastante isso. Mas nossa empresa, com o volume de exportações da fábrica em El Salvador, conseguiu se proteger. Enquanto isso, fomos fazendo ajustes tecnológicos, apostando no nosso time e em diferenciais. Essa foi a pior crise por ser a mais longa, mas acabou, no final, deixando a empresa melhor. Não foi tão forte para nós, mas impactante para  o setor. E fomos nos preparando cada vez mais, fortalecendo, investindo em produtividade para enfrentar essa falta de competitividade que o país tem.

Como está sendo lidar com a crise atual?

O interessante é que, na história da empresa, e eu acho que de muitas outras empresas, as crises acabam preparando e deixando as empresas mais fortes. Meu pai sempre falava que a empresa sempre cresceu mais depois das crises ou durante as crises. A partir dessa última, nos preparamos com muita força. Não paramos de investir e principalmente nas pessoas, na reorganização, em manter a estrutura cada vez mais forte e mais ágil. Isso nos deixou preparados para essa crise que chegou de forma tão brutal. Só que nós chegamos muito mais preparados e com muito mais agilidade para tomar as medidas necessárias.

O que fica de aprendizado, de inovação provocada por esta crise?

Um exemplo: em El Salvador, participamos de um grande consórcio, bem no início da pandemia, com tecidos antivírus e antibacterianos que foram adaptados para batas hospitalares nos Estados Unidos. Participamos junto com nossos fornecedores de matéria-prima. Além disso, o produto também tinha que ter proteção repelente à água. Nós já trabalhávamos com essas tecnologias há tempo. O que fizemos foi combinar diferentes tecnologias e reagimos rapidamente. Aqui no Brasil também temos produtos antibacterianos nas nossas linhas e, com o vírus, eles foram potencializados e adaptados para combater todos os tipos de vírus, com a proteção para isso.


 
 
 

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