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Economia01/06/2020 | 19h23Atualizada em 01/06/2020 | 20h46

Conheça a realidade de moradores da Serra que receberam o auxílio emergencial

Benefício deve atender a mais de 50 mil caxienses

Conheça a realidade de moradores da Serra que receberam o auxílio emergencial Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Joelma Santos Ribeiro, 36 anos, é mãe de três filhos. É uma das caxienses beneficiadas com o auxílio emergencial. Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Há exatos dois meses, o presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido), publicava no Diário Oficial da União, o projeto que garantia o auxílio emergencial. Apelidado anteriormente de coronavoucher, o benefício prevê o pagamento de três parcelas de R$ 600 a trabalhadores autônomos, desempregados ou microempreendedores individuais (MEIs) e R$ 1,2 mil para mães responsáveis pelo sustento da família.

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Em Caxias do Sul, mais de 50 mil pessoas deverão receber o auxílio emergencial de R$ 600

Até a última sexta-feira (29 de maio), Caixa Econômica Federal (CEF) já havia beneficiado 58,6 milhões de pessoas. Em Caxias do Sul, mais de 50 mil pessoas deverão receber o auxílio emergencial. Ao todo, já foram investidos 108,5 milhões de pagamentos, porque muitos beneficiários já começaram a receber a segunda parcela de R$ 600 desde o dia 30 de maio. Ainda segundo a Caixa, ainda há 10,6 milhões de cadastros que estão em análise, que sequer sabe-se quando começarão a receber a primeira parcela.

Por detrás de cada Cadastro de Pessoa Física (CPF) há uma vida, que, não raro, sustentas outras tantas. É o dilema da estatística. Como quem vê números não vê o coração, o Pioneiro foi atrás de famílias que se inscreveram para receber o benefício. Dos quatro casos apresentados nesta reportagem, todos tiveram dificuldade para terem seu cadastro aprovado. Um deles recebeu a primeira parcela no final de abril, os demais, em maio. Ou, seja, quase no mesmo período em que começou o pagamento da segunda parcela.

Quase invisíveis

Há realidades que escapam da planilha de cálculos da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. E não por acaso, alguns deles foram chamados de "invisíveis", porque não constavam em nenhuma lista de benefícios do governo, como Bolsa Família ou Cadastro Único. Outros brasileiros enfrentam dilemas em suas vidas, que expõem ainda mais as suas mazelas sociais e naturalmente, econômicas. 

Maria Helena, nome fictício, foi beneficiada com os R$ 600 porque está desempregada. A reportagem omite sua identidade por proteção ao seu filho, Marcelo (nome fictício), que está cumprindo medida socioeducativa no Centro de Atendimento em Semiliberdade (Casemi) de Caxias do Sul. A família do jovem, que não é de Caxias, veio para a cidade quando ele passou do regime fechado para o semiaberto. O valor recebido, no final do mês de abril, serviu para o pagamento do aluguel.

— Para que eu pudesse ficar no semiaberto, o juiz disse que minha família tinha de vir para cá. E se não fosse pelos R$ 600, minha mãe não teria como pagar o aluguel, e não sei o que ia ser de mim — revela Marcelo.

O jovem se diz arrependido do ato de infração do passado. 

— Quando fui pego, eu pensava que todo ser humano era um caso perdido. Hoje, vejo que não, porque tive pessoas que apostaram. Por isso, passei a ver o mundo com outros olhos — revela Marcelo, que sonha ser psicólogo.

CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL 28/05/2020 - Joelma Santos Ribeiro, 36 anos, doméstica, recebeu o benefício dos R$ 600, e realmente estava precisando, porque, na pandemia, ficou sem rendimento algum. Só recebeu a primeira parcela em maio. Terá direito ainda a duas, e com essas parcelas pretende colocar o aluguel em dia, porque ficou devendo os meses de março, abril e maio. (Marcelo Casagrande/Agência RBS)<!-- NICAID(14510238) -->
A falta de garantia trabalhista a conduziu Joelma à fila para lutar pelo acesso ao benefício do governoFoto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Rede de apoio para alimentar a esperança

Joelma Santos Ribeiro, 36 anos, é mãe de três filhos. O mais velho, de 21, mora em Viamão. Os demais, um rapaz de 18 e uma menina de 14, moram com ela. Joelma ama, educa, cuida e sustenta a casa. Antes da pandemia, realizava faxina em eventos e em residências, mas sem carteira assinada. A falta de garantia trabalhista a conduziu à fila para lutar pelo acesso ao benefício do governo.

— Até tenho largado currículo nas empresas, mas eles dizem que têm de esperar para depois da pandemia para ver se terá vaga — diz, em tom desesperançoso.

Joelma está sem trabalhar desde o início da pandemia, quando cobrava R$ 60 por diária de serviço. Seu filho mais velho conseguiu uma vaga em uma chapearia, onde recebe R$ 40 por dia.

O benefício de R$ 600, cuja primeira parcela foi recebida em maio, servirá para que ela possa renegociar o aluguel que está atrasado nos meses de março, abril e maio.

— Conversei com o dono da minha casa, que me alugou, e tive a compreensão dele para pagar em atraso. Além disso, tive apoio do Mão Amiga, entidade onde minha filha participa de um projeto no turno inverso da escola, com a doação de cestas básicas — revela.

A vacariense Maiara Paim é autônoma e está entre as beneficiadas com os R$ 600 do auxílio emergencial do governo brasileiro<!-- NICAID(14512567) -->
"Eu fiz o cadastro no mesmo dia que o governo aprovou o benefício. Um mês depois veio a mensagem: 'inconsistência de dados'", diz Maiara.Foto: Maiara Paim / acervo particular

Quase dois meses de espera pela primeira parcela

A costureira e artesã vacariense Maiara Paim de Andrade, 33 anos, passou quase dois meses acompanhando diariamente a situação do seu cadastro da Caixa Federal. Ela e o irmão, Roberto Paim de Andrade, 45, pedreiro autônomo, moram com a mãe Maria Donizéte Vargas de Andrade, 63, aposentada. Com as medidas de restrição a diversas atividades, por conta do coronavírus, Roberto ficou sem trabalhar e, por ser autônomo, não recebe se ficar parado. Do mesmo dilema sofre ainda Maiara, que viu despencar a zero as encomendas dos trajes tradicionalistas.

— Eu fiz o cadastro no mesmo dia que o governo aprovou o benefício. Um mês depois veio a mensagem: "inconsistência de dados" no meu cadastro e também no do meu irmão, porque fizemos cada um o seu. E só viemos a ter nosso benefício liberado dia 21 de maio — explica Maiara.

Para a costureira, que amargou a demora na liberação do benefício emergencial, o pagamento deveria ser bem mais ágil, fazendo jus ao nome do auxílio. Seu maior questionamento ainda é quanto ao fato de que muitos têm se beneficiado sem necessidade.

— Sei de muita gente que não precisa e está recebendo. Não precisa ir muito longe, é só ver nas redes sociais, quanta gente tá debochando dos outros, colocando fotos de churrascos com cervejada — questiona.

Além das próximas duas parcelas, o que Maiara mais deseja é que a pandemia dê uma trégua à região. 

— Estamos rezando em Vacaria para que não volte a fechar todo o comércio novamente, por causa do aumento dos casos — diz Maiara, que tem se virado como pode, agora em um salão de beleza, já que as costuras estão em baixa.

Em Vacaria, a estimativa é de que mais de 8 mil pessoas venham a receber o auxílio emergencial.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL (29/05/2020)Adriana de Fátima de Souza Rodrigues, 44 anos, domestica rebebeu a ajuda amergencial do goberno. (Antonio Valiente/Agência RBS)<!-- NICAID(14511088) -->
Adriana é diarista, mas está sem trabalhar, enquanto que seu marido, recém entrou para a triste estatística do desempregoFoto: Antonio Valiente / Agencia RBS

De um lado o benefício e, de outro, o desemprego

Como se não fosse o bastante, além das mortes pelo caminho, a pandemia ainda expõe chagas da desigualdade social. Demorou, mas o benefício emergencial de Adriana de Fátima de Souza Rodrigues, 44, saiu. No entanto, o valor que deveria suprir apenas para compensar a falta de trabalho de Adriana, que é diarista, será a única renda da família. É que o marido, Paulo César dos Santos Rodrigues, 44, foi demitido na semana passada da empresa onde trabalhava há três anos.

— Eu sou diarista e estava sem trabalhar desde quando começou a pandemia. Todas as pessoas para quem eu trabalhava cancelaram o serviço. Desde a semana passada, voltei apenas em uma casa. De todas as faxinas que eu fazia, fiquei só com uma por semana — conta.

Adriana e Paulo moram com a filha de nove anos, integrante dos projetos da Casa Anjos Voluntários. Mesmo sem participar das atividades presenciais, a menina segue em casa, com tarefas orientadas pelos educadores. Além disso, a família tem recebido atendimento psicológico e encaminhamento para a rede socioassistencial. Há alguns dias, no entanto, a filha mais velha de Paulo, de 22 anos, que tem um menino de um ano, também foi morar com eles.

— A gente nunca espera que o pior aconteça e eu tinha feito compras parceladas e estou bem preocupada. Com a primeira parcela dos R$ 600, eu fiz compras de supermercado e paguei uma conta e foi só. Não deu pra fazer muita coisa — avalia Adriana.

Assim como na maioria dos lares, na casa da Adriana, a segunda parcela do benefício está sendo ainda mais aguardada do que a primeira.

O que é o auxílio emergencial?

O Auxílio Emergencial é um benefício financeiro destinado a trabalhadores(as) informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos(as) e desempregados(as), e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do coronavírus, a covid-19.

- O benefício no valor de R$ 600 será pago por três meses, para até duas pessoas da mesma família.

- Para as famílias em que a mulher seja a única responsável pelas despesas da casa, o valor pago mensalmente será de R$ 1,2 mil.

- Quem estava no Cadastro Único até o dia 02/04/2020 e que atenda às regras do Programa receberá sem precisar se cadastrar.

- Quem recebe Bolsa Família poderá receber o Auxílio Emergencial, desde que seja mais vantajoso. Neste período, o Bolsa Família ficará suspenso aos que estiverem recebendo o Auxílio Emergencial.

Fonte: site do Governo Federal

Confira o calendário para a segunda parcela

Quem já está com seu cadastro aprovado e já recebeu a primeira parcela, poderá sacar o valor correspondente conforme o calendário abaixo. Um segundo grupo de aprovados recebeu a primeira parcela na última semana de maio, e para estes, a data de pagamento da segunda não está confirmada mas, segundo a direção da Caixa Federal, o benefício deve ser liberado em um mês. O calendário da terceira parcela, que estava previsto para maio, continua sem definição.

30 de maio para nascidos em janeiro

1 de junho para nascidos em fevereiro

2 de junho para nascidos em março

3 de junho para nascido em abril

4 de junho para nascido em maio

5 de junho para nascidos em junho

6 de junho para nascidos em julho

8 de junho para nascidos em agosto

9 de junho para nascidos em setembro

10 de junho para nascidos em outubro

11 de junho para nascidos em novembro

12 de junho para nascidos em dezembro

Mais informações: pelo site ou pelo APP da Caixa Econômica Federal.

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