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Entrevista24/06/2020 | 11h38Atualizada em 24/06/2020 | 13h02

Com variedades já florindo, risco de geada tardia preocupa produtores da Serra

Receio, segundo engenheiro agrônomo da Emater, é que algumas culturas antecipem o ciclo

Com variedades já florindo, risco de geada tardia preocupa produtores da Serra Roni Rigon/Agencia RBS
Normal é que pessegueiro comecem a florescer em agosto Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

A possibilidade de geadas tardias na Serra preocupa os produtores rurais, principalmente porque algumas culturas já estão florindo. Em entrevista ao Gaúcha Hoje da Gaúcha Serra nesta quarta-feira (24), o engenheiro agrônomo e extensionista rural do escritório regional da Emater, Enio Todeschini, contou que os pessegueiros, por exemplo, já estão dando flor, quando o normal seria que essa etapa começasse em agosto. O receio é que mais variedades antecipem o ciclo.

— Nós temos 90 dias para sair do grande risco de geadas e a grande preocupação é a geada tardia. O risco é dessas variedades mais precoces acordarem cedo, começarem o ciclo agora em junho, julho, e depois temos até setembro para fechar o risco de geadas tardias — explicou, acrescentando que a previsão é de agosto com temperaturas abaixo da média. 

Para o último trimestre do ano, as projeções, conforme Enio, são de resfriamento das águas do Pacífico equatorial, que deixa os agricultores em alerta para a possibilidade de uma nova estiagem — quando essas águas esfriam, há ocorrência do fenômeno La Niña, que deixa os níveis de chuvas abaixo da média. Em contrapartida, a tendência de aquecimento das águas do Atlântico Sul favorecem a precipitação no Rio Grande do Sul.  

O período de seca no Estado, aliás, que se iniciou em novembro do ano passado e terminou somente em maio desse ano, provocou não só quebra na safra de diversas culturas, mas a baixa qualidade dos citros. Segundo Enio, laranjas e bergamotas estão menos saborosas porque faltou água no tempo certo. A maturação, segundo ele, acabou forçada. As frutas conseguiram recuperar a coloração, mas, depois das chuva, acabaram sofrendo com o rompimento da casca em muito casos. 

Em junho, de acordo com Enio, dos primeiros 14 dias do mês, 11 foram com chuva — choveu em torno de 70 milímetros — o que, segundo ele, não foi suficiente para recuperar os mananciais de água. Com a estiagem, as culturas de verão serão impactadas no preço e na menor oferta, porque não foi possível plantar, diz Enio. 

São 39 mil hectares de parreirais na região. A Serra tem ainda, entre diversas culturas, 17 mil hectares de macieiras e 4 mil hectares de pessegueiros. 

Gafanhotos 

Sobre a nuvem de gafanhotos que ameaça chegar ao Rio Grande do Sul, Enio diz que não há riscos para a Serra, caso ela alcance, de fato, o Estado. Conforme o engenheiro agrônomo, o fato de estarmos no inverno é um ponto positivo. 

— O frio e a chuva vão dar uma freada no avanço dessa nuvem _ acredita. 

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a nuvem deve seguir em direção ao Uruguai. Conforme a pasta, a informação foi repassada pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa).

Vindos da Argentina, os gafanhotos são da espécie Schistocerca cancellata (conhecida popularmente por gafanhoto migratório sul-americano) e têm como característica o hábito de comportamento coletivo, se deslocando em massas migratórias.

Confira a entrevista completa:

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