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Economia29/06/2020 | 11h52Atualizada em 29/06/2020 | 13h26

As Crises que Venci: "Sempre temos que investir na própria empresa" 

Devilda Marmentini relata as dificuldades superadas na trajetória de 34 anos da malharia Biamar

As Crises que Venci: "Sempre temos que investir na própria empresa"  Cy Razzadori/Divulgação
Sócia-fundadora da Biamar é otimista, apesar da crise Foto: Cy Razzadori / Divulgação

A série As Crises que Venci segue com Devilda Marmentini Biazoli, sócia-fundadora da Biamar, de Farroupilha. A primeira crise vivida por esta mulher empreendedora foi a dificuldade inicial para conseguir deixar o interior e trabalhar na “cidade”.

Nascida em 1953 na Linha Jacinto, desde muito jovem aprendeu os afazeres domésticos com a “nonna” Ida. Entre eles, a arte da costura. Com 15 anos, fez um curso de corte e costura, e aí começou sua história com a moda. Após oferecer serviços e trabalhar em malharia, fundou a Biamar em 1986, junto com seu irmão Itacir. Em 1990, o marido Segundo vendeu o caminhão para dar entrada na primeira máquina de tecer.

Devilda não é capaz de eleger qual foi a crise mais marcante em mais de 30 anos no comando de uma malharia, um ramo que depende muito do clima para vender e, portanto, convive com o cenário de incertezas. Mas a empresária acredita na superação diária e, assim como o avô, Casemiro Tumelero, que migrou da Itália para a Serra para fugir da gripe espanhola, diz que crises exigem mudanças, busca de alternativas.

A Biamar tinha planos de expansão da fábrica, adiados por conta da pandemia, para adequar as instalações para a segurança dos 300 funcionários. Investiu em isolamento acrílico para os trabalhadores da indústria e promoveu testagem.

Quando falamos de empreendedorismo, as dificuldades começam na origem. Qual foi a primeira crise vivida?

Desde muito cedo, quando comecei a costurar, porque nós não tínhamos nada, éramos simples colonos. Eu morava no interior e não tinha luz, não tinha nada. Foi meu primeiro desafio. Minha avó sempre dizia: “tu tem que ter arte, tem que ser mãe, dona de casa, mas tem que ter arte.” Amo a costura, e foi assim que tudo começou.

Uma das principais dificuldades é ter capital para criar a empresa. Como foi para fundar a Biamar?

Era um sonho, de começar o nosso próprio negócio, mas não tínhamos capital. Eu era costureira. Meu irmão, Itacir, era bancário. Meu marido era caminhoneiro. Éramos três assalariados. O que a gente fez? Juntamos nossas pequenas economias e começamos com a Biamar com 100 metros de tecido. Comecei a modelar e logo lançamos um pequeno mostruário.

Todos os anos o setor de malharias tem expectativa do comportamento do tempo. Teve algum inverno que marcou mais?

A gente já passou por muitas crises em 34 anos de Biamar, tem as econômicas, as de falta de inverno... Mas a gente sempre procurou lidar com isso e buscar novas alternativas para quando chegar uma nova, com novos desafios. Quando ela chega, é preciso aprender, e aí vai se colocando tudo em prática. Não podemos desanimar, temos que pensar que amanhã vai ser melhor do que hoje.

Temos visto invernos menos rigorosos e malharia estão se reinventado com malhas mais leves. É isso?

Sempre que tem essas crises, buscamos alternativas. Já tivemos que ter novas tecnologias, ir em busca de máquinas para peças mais leves, entrar em linha de confecções para poder suprir esses vazios. Porque, se o frio não acontece, precisamos dessas alternativas.

O setor é impactado também por outras crises que afetam o poder de consumo.

No início, éramos uma malharia muito pequena, começamos no porão da minha casa em uma peça de quatro por quatro. Nossa produção era pequena e veio subindo ano a ano. Mesmo com as dificuldades, sempre tentamos investir na própria empresa. A gente nunca fugiu deste caminho. Foi assim que fomos superando e diversificando a nossa maneira de trabalhar. Somos desafiados todos os dias quando saímos de casa para ir para a empresa.

Como está sendo enfrentar a crise atual provocada por uma pandemia?

O primeiro impacto foi a chegada do prefeito à Biamar dizendo que tínhamos um caso na cidade e que precisaria de uma ajuda espontânea. A nossa atitude foi abraçar a causa. Parei todas as nossas costureiras e começamos a fazer máscaras. Foram doadas 70 mil máscaras. Depois as costureiras foram fazendo em casa voluntariamente.

A máscara virou um item de consumo. Vocês também estão fazendo para vender?

Sim, mas na primeira semana, a gente se apavorou pela turbulência. Na segunda semana, a gente parou e pensou em novos desenvolvimentos. Precisávamos do material para os funcionários usarem. Nós teríamos que ter todos EPIs (equipamentos de proteção individual) prontos para recebê-los de volta e para garantir a saúde deles. Agora é que estamos vendendo.

Qual a postura da Biamar com relação à testagem dos funcionários?

Também fizemos testagem pela preocupação com todos os nossos colaboradores, porque a gente cuida deles. Tem planos de saúde, mas a gente quis mais.

Se pudesse dar um conselho para quem esta à frente de um desafio, como o deste momento, qual seria?

É a gente sempre ter força de vontade, e não desanimar, porque o amanhã poderá ser melhor. Eu acredito e confio nisso. Todas as manhãs eu levanto e digo isso: hoje foi bom e amanhã vai ser melhor. Vamos superar e isso tudo vai passar.


 
 
 

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