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+Serra01/06/2020 | 05h29Atualizada em 01/06/2020 | 09h28

Artigo: A fábula da cigarra e da formiga na pandemia

Leia a opinião de Denis Forte, professor de Finanças Comportamentais

Artigo: A fábula da cigarra e da formiga na pandemia Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi

Denis Forte é professor de Finanças Comportamentais do Programa de Pós- Graduação em Administração de Empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Conta a fábula de La Fontaine (a fábula é atribuída a Esopo e recontada por La Fontaine) que a cigarra bateu à porta do formigueiro para pedir comida, pois morria de fome e era inverno. As formigas lhe perguntaram o que ela fez no verão, época de trabalhar e guardar. A cigarra respondeu que ficara cantando. As formigas, inicialmente, lhe negaram comida, mas a cigarra jurou estar arrependida. As formigas então lhe concederam a comida, certas de que a cigarra aprendera a lição.

Essa fábula nos ensina que se deve poupar para enfrentar os piores momentos. E fornece a noção de compartilhar com quem precisa em momentos de extrema necessidade.

Agora, e com relação ao Brasil, como podemos enxergar essa fábula? Vamos a um retrato socioeconômico do país.

Sobre população, emprego e renda, o Brasil tem 211.562.283 de habitantes, de acordo com o IBGE (2020). A taxa de desemprego da população economicamente ativa (PEA) está em 12,2%. A renda média mensal é de R$ 2.398 para um PIB per capita de R$ 31.833,50.

Segundo o IBGE, as micro e pequenas empresas geravam 30% do PIB em 2017. Sendo importante relembrar que, entre 2006 e 2019, elas geraram 13,5 milhões de empregos, enquanto as médias e grandes perderam 1,1 milhão de postos de trabalho.

Com relação à concentração de renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) classificou o Brasil em sétimo país mais desigual do mundo em 2019, sendo que o 1% mais rico concentrava 28% da renda total e os 10 % mais ricos concentravam 42%.

Pensando em população empreendedora, uma pesquisa realizada pelo Sebrae pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), em 2018, mostrou que o Brasil tem 38% de taxa de empreendedorismo entre 18 e 64 anos, equivalente a 52 milhões de pessoas. Essa informação coloca o Brasil entre os países mais empreendedores do mundo. Cabe uma diferenciação importante: um empreendedor pode ter a motivação de ver uma oportunidade e partir para a ação ou, então, na falta de uma alternativa de geração de renda e ocupação. Dados de 2017 dispunham que cerca de 60% dos empreendedores são por oportunidade e 40% por necessidade.

Por último, temos dados de educação. De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica, 48,455 milhões de alunos estavam inscritos em 2018 na Educação Básica, sendo 39,44 milhões deles em rede pública. Já em Educação Infantil, eram 8,7 milhões; no Ensino Fundamental, eram 27,183 milhões; e, por fim, o Ensino Médio, com 7,709 milhões. O restante, entre educação profissional, para adultos e especiais. Sendo esse total distribuído em 182 mil estabelecimentos, com 141 mil instituições públicas e atendidas por 2,22 milhões de docentes.

Dessa forma, são poucos os brasileiros que possuem uma reserva econômica ou renda neste momento. Por isso o auxílio é muito importante, seja a renda emergencial e os planos de sustentação dos empregos, bem como a implantação da educação à distância.

Ademais, para ser possível estabelecer uma sociedade futura que seja menos baseada no assistencialismo, torna-se fundamental auxiliar os mais fragilizados agora. Paradoxos econômicos que precisam de solução atual.

Afinal, nessa pandemia, não são as cigarras, mas sim as formigas que precisam de auxílio.

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