Como a proibição de provar roupas e calçados nas lojas impacta no comércio - Economia - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Coronavírus15/05/2020 | 21h23Atualizada em 15/05/2020 | 21h23

Como a proibição de provar roupas e calçados nas lojas impacta no comércio

Um mês após determinação, lojistas lamentam baixas nas vendas

Como a proibição de provar roupas e calçados nas lojas impacta no comércio Marcelo Rocha/Agência RBS
Foto: Marcelo Rocha / Agência RBS

Uma determinação de um decreto do governo do Rio Grande do Sul, publicado no dia 16 de abril, de número 55.185, tem gerado muitas dúvidas e, principalmente, preocupação para os lojistas que trabalham com a venda de roupas e calçados. A proibição da utilização dos provadores nos estabelecimentos para que os clientes possam analisar a compra antes de fechar o negócio não agradou a quem vende. E, pelo baixo movimento observado nesse tipo de comércio, parece também não ter caído no gosto dos próprios consumidores.

Leia mais
Publicado decreto estadual que permite o funcionamento do comércio na Serra

Passado um mês desde que a portaria foi assinada no Estado, os representantes dos lojistas de Caxias do Sul têm posicionamentos muito claros quanto à retomada da prova de roupas nas lojas.

— Esse entendimento da prova gera dificuldade nas vendas. Para quem lida com vestuário e calçados, percebe-se que é difícil um cliente comprar algo sem provar. Tenho conversado com alguns empresários e eles apontam um movimento bem baixo justamente em função dessa proibição de colocar o cliente no provador — afirma a presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas), Idalice Manchini, que busca alternativas, respeitando os modelos do decreto de distanciamento controlado implementado pelo governador Eduardo Leite (PSDB) no Estado: 

— Eu, como vice-presidente da Fecomércio-RS (Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul), pedi ajuda e uma solicitação para que a entidade intervenha junto ao governo. A ideia é que, quem tiver (a região) bandeira amarela ou laranja, que libere a prova do produto.

A proposta virou um documento, entregue para as autoridades estaduais após a Fecomércio-RS ter a aprovado. No entanto, segundo Idalice, mesmo com o entendimento dos governos estadual e municipal, a mudança no processo será delicada:

 Já falei com o nosso prefeito Flávio Cassina que é algo maior, mesmo levando a Porto Alegre, para o governador. Existe uma norma (a portaria) da Secretaria Estadual da Saúde (SES) que é da Organização Mundial da Saúde (OMS). Então, é algo bem difícil de ser mudado. Vamos ter que ter paciência e ir insistindo. Agora que o Rio Grande do Sul está separado por regiões (sanitárias), pode ser que a gente consiga incluir a possibilidade de provar os produtos, levando em conta as bandeiras.

Atualmente, existe a possibilidade de o cliente comprar a roupa na loja, provar em casa e trocá-la, caso perceba alguma restrição. Essa medida, porém, não resolve o problema, na visão dos lojistas.

— Vejo que é a mesma coisa o cliente provar em casa ou na loja. O lojista está mais bem preparado com a higienização do produto. Todos os lojistas têm um steamer (equipamento vaporizador que possui uma alta temperatura e são utilizados pelos estabelecimentos para higienização e tirar o amassado das roupas), e são usados antes e depois de a peça sair do provador. Ao meu ver, foi uma norma muito lá do início, que foi feita sem critérios. Estaria na hora de liberar. Pois uma queda tão grande na movimentação já reflete para o empresário que está mais estruturado. Imagine esse movimento baixo para os pequenos?

Nota da CDL

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Caxias do Sul (CDL), através de nota, mostrou apoio às medidas tomadas pelas entidades do comércio na tentativa da liberação da prova de roupas, lembrando o quanto esse período tem afetado o comércio local.

“O comércio está entre os segmentos que mais têm sido afetado pelas medidas de isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus. Em Caxias, o comércio ficou fechado por 27 dias, entre 21 de março e 17 de abril, e cerca de R$ 97,2 milhões deixaram de ser arrecadados pelo setor, segundo estimativas da CDL”, diz a nota.

Mudança na rotina das lojas

Nas lojas de roupas e calçados de Caxias do Sul, não é raro ver funcionários e lojistas esperando ansiosamente a entrada de algum cliente. Porém, a proibição da utilização dos provadores acaba repelindo quem chega com a intenção de comprar. 

— Tem dificultado bastante. As pessoas ficam limitadas. Mesmo oferecendo a troca quantas vezes for necessária para acertar tamanho, modelo e outras coisas, aumentamos o prazo. Mas ainda assim os clientes ficam em dúvida. Caíram bastante (as vendas). O movimento agora é bem menor — diz a vendedora Gisele Dill.

Algumas lojas, dentro das adaptações possíveis, deram férias para os funcionários, utilizaram medidas do Governo Federal para reduzir jornada de trabalho e suspender contratos. Porém, a mudança da forma como a venda está ocorrendo pode refletir numa retomada mais impactante do setor.

Poucas reclamações

A determinação de não provar roupas tem sido seguida intensamente pelos lojistas de Caxias do Sul. Segundo o secretário de Urbanismo, João Uez, ainda não houve nenhuma notificação:

— Estamos fazendo a fiscalização, mas temos recebido um número muito baixo de reclamações nesse sentido na secretaria, através do Alô, Caxias. Não chegaram 15 denúncias ainda, que foram verificadas. Claro que, como a fiscalização vai no outro dia ou algumas horas depois da denúncia, as pessoas não estão mais lá. Mas, quando estivemos nos locais, não encontramos ninguém provando roupas.

Para Uez, há o sentimento de que a liberação possa acontecer. No entanto, em virtude das indicações das autoridades de saúde e do seu cargo, posiciona-se a favor da manutenção das determinações vigentes.

Leia também
Serra Gaúcha passa de mil casos confirmados para o coronavírus

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros