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Pandemia21/05/2020 | 20h58Atualizada em 21/05/2020 | 20h59

Caixa tem avaliação positiva do processo de pagamento do auxílio emergencial em Caxias

Segunda parcela do repasse começou a ser paga, mas nem todos receberam a primeira

Caixa tem avaliação positiva do processo de pagamento do auxílio emergencial em Caxias Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O auxilio emergencial chega ao pagamento da segunda parcela do benefício sem que todas as pessoas tenham recebido a primeira. O benefício, que disponibiliza três parcelas de R$ 600 aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEIs), autônomos e desempregados, e de R$ 1,2 mil para as mulheres enquadradas nestas categorias e que foram identificadas como chefe de família, tem sido solução durante a pandemia do coronavírus para muitas pessoas que tiveram seus trabalhos esvaziados por conta do isolamento social.  

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Em vários locais do país, os pagamentos da primeira parcela geraram filas e aglomerações nas agências da Caixa Econômica Federal. Em Caxias, no entanto, a realidade foi diferente.  

— Com o pagamento da primeira parcela, aprendemos muita coisa. Mais de 50% das pessoas aqui em Caxias movimentaram os recursos através do aplicativo Caixa Tem. Também observamos que nas agências aqui, diferente de outros lugares, não tivemos situações críticas de atendimento. Foi bem administrado e tranquilo esse primeiro lote de pagamentos — afirma o superintendente regional da Caixa, Rodrigo Canani Medeiros.  

O segundo lote iniciou na quarta-feira através da conta digital (de depósito para quem vai usar o dinheiro pelo aplicativo) e vai até o dia 26. Beneficiários do Bolsa Família recebem desde a segunda feira, e o pagamento, neste caso, segue até o dia 29. Para quem irá fazer o saque em dinheiro através da poupança social, o pagamento se inicia em 30 de maio e vai até 13 de junho, conforme a data de nascimento. 

A expectativa da Caixa para o pagamento da segunda parcela é ainda melhor.  

— Uma coisa que difere da primeira para agora é que, inicialmente, tínhamos um calendário bem mais curto, e foram 54 milhões de pessoas (no país). Antes, tínhamos muita demanda por informações gerais, que às vezes até transcendiam o papel da Caixa de agente pagador, como situações de como funcionava o processamento da DataPrev, quem tinha direito ou não. Agora, as pessoas estão mais bem informadas, e as que estão procurando as agências já estão com o benefício aprovado — afirma Medeiros. 

Ele explica a mudança na forma de distribuição do dinheiro: 

— Estabelecemos um calendário mais espaçados de pagamentos.  No inicial, fazíamos o pagamento em um dia para dois meses (de data de nascimento), conforme a data de aniversário. Agora será um mês a cada dia, separado do Bolsa-Família, para não acumular os dois. 

Retribuição 

Superintende regional da Caixa em Caxias do Sul, Rodrigo Canani Medeiros<!-- NICAID(14505462) -->
Superintende regional da Caixa, Rodrigo Canani Medeiros diz que reconhecimento aos funcionários da Caixa é marcanteFoto: Marcelo Rocha / Agência RBS

Um dos momentos mais marcantes para Medeiros até aqui, nos atendimentos realizados na cidade, ocorreu na agência Caixa da Avenida Júlio de Castilhos. 

— Um catador de lixo, que foi orientado a fazer (o processo), e um funcionário o ajudou. Quando esse rapaz conseguiu sacar o dinheiro, trouxe uma caixa de bombom para o empregado que atendeu — conta o superintendente, valorizando também o reconhecimento de outras instituições ao trabalho realizado pelo banco neste processo: 

— Tivemos o pessoal do Banco do Brasil e do Bradesco mandando uma torta com um bilhete em solidariedade ao esforço dos empregados da Caixa. Isso nos trouxe muita satisfação e orgulho do nosso time. 

Dinheiro já com destino

Para a costureira Rosa Maciel e seu marido, Juarez, que trabalha fazendo serviços gerais, o auxilio emergencial demorou para chegar. Cadastrados desde o início, no dia 7 de abril, ela só recebeu a confirmação no último dia 16, mas só terá acesso à verba a partir do dia 30, enquanto o auxílio dele ainda está em análise.  

O dinheiro chegará em um momento importante para família. 

—  A gente tá vivendo com um dinheirinho que tínhamos, e os filhos que ajudam. Mas nossas reservas estão no fim. A preocupação é com as contas. Só não entendo o porquê de tanta demora — questiona Rosa, que já tem a primeira parcela do auxílio comprometida: 

— Vai servir para o conserto do carro, pois meu marido depende dele pra levar as ferramentas. Já pagamos duas parcelas e faltam três, no valor de R$ 570. 

Segundo o superintende da Caixa, a espera de algumas pessoas pelo benefício está perto do fim: 

— Tivemos um processamento recente da DataPrev, cujo pagamento (da primeira parcela) se iniciou no sábado e vai até o dia 29 de maio. Envolve cerca de 7 milhões de pessoas. Isso atende quase todo mundo que ainda estava em análise (da primeira etapa), onde vão estar com status aprovado, reprovado ou com dados inconclusivos.

Motorista não recebe pois teria sido eleito

A situação de Davison Oliveira é curiosa ao mesmo tempo que preocupante. Motorista de aplicativo, ele foi candidato a vereador em Caxias do Sul na eleição de 2016. Os 340 votos que fez no pleito não o elegeram, mas não é o que identifica o sistema do auxílio emergencial. 

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL, 21/05/2020. Davison Oliveira não recebeu o auxílio-emergencial pois aparece como político eleito no aplicativo, mas com 340 votos em 2016, ficou longe de conseguir uma vaga na Câmara de Vereadores de Caxias. Ele era Uber, mas está parado pois não tem recursos para pagar o carro alugado que dirigia. (Arquivo Pessoal/Divulgação)<!-- NICAID(14505434) -->
Davison Oliveira está afastado da função de motorista pois não consegue receber o auxílio emergencialFoto: Arquivo Pessoal / Divulgação

— O resultado (da análise) deu que sou um político eleito e não tenho o direto de recorrer. Ai nem o telefone 111, nem site, aplicativo têm solução. Fui pessoalmente a uma agência da Caixa e falaram que não tem nada que eles possam fazer, mesmo estando errado, pois nunca fui eleito a nada — relata Oliveira. 

Para piorar a situação, nem mesmo o sustento que tinha até então está garantido. 

— Estou parado há quase três meses. E bem quando estourou a pandemia, venceu minha CNH, aí não pude voltar a trabalhar dirigindo – conta o motorista, que além da renovação da carteira, terá outra despesa: 

— Eu não tenho carro próprio, era alugado. No fim, criei mais essa divida. 

Segunda a comunicação da Caixa em Caxias do Sul, o problema de Oliveira é direto com o Ministério da Cidadania. Quando há determinação de inelegibilidade de uma pessoa para o recurso, de fato, o dinheiro não é liberado para que o pagamento seja feito.  

Enquanto isso, Oliveira segue aguardando e contando com a ajuda da família: 

— No fim, fiquei nas custas de parentes nesse período.

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