Artigo: O que o momento ensina - Economia - Pioneiro

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+Serra11/05/2020 | 05h38Atualizada em 11/05/2020 | 05h38

Artigo: O que o momento ensina

Confira a opinião de Gustavo Saltiél, diretor-geral da Unicred Integração

Artigo: O que o momento ensina Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi

Gustavo Saltiél, diretor-geral da Unicred Integração

O mercado empresarial no Brasil é realmente complexo. Inúmeros são os desafios existentes, e situações de crise como a que estamos vivenciando diante da pandemia do coronavírus prejudicam ainda mais. Mas o momento também oportuniza reflexão e reorganização dos planejamentos. Agora é a hora de usar a racionalidade e evitar ao máximo o uso de emoções para a tomada de decisões. Muitos dos que estão assustados tendem a fechar os seus negócios, e infelizmente isso pode ocorrer de fato. A grande diferença está em avaliar com detalhes a recorrência de problemas de caixa, a redução orgânica das suas vendas, o aumento da concorrência, a migração do modelo de negócio para plataformas digitais e as perspectivas setoriais, além de compreender se a crise ocasionada pela pandemia efetivamente prejudicou ou se o negócio já estava gerando sinais de alerta anteriormente. Recomendo muito o apoio de um profissional ou empresas de consultoria para discutir sobre essa avaliação. Tenho convicção de que muitas oportunidades também vão surgir, e é importante uma visão mais holística para que a decisão seja a mais coerente possível.

O problema é sistematizado, a maioria das empresas está com dificuldades. Mas as crises tendem a gerar um aprimoramento nos processos de gestão e de organização e na dinâmica do negócio como um todo, ou seja, os negócios podem tornar-se mais eficientes e isso é extremamente importante e necessário. Quem estiver mais preparado e organizado tende a voltar de forma mais assertiva e rápida. O planejamento e a organização para execução (o “como vamos fazer”) serão um grande diferencial competitivo. As empresas podem e devem lançar desafios para as suas equipes. As melhores soluções, muitas vezes, estão “dentro de casa”, acredite nisso.

É fundamental que este momento de parada seja utilizado como uma oportunidade de reflexão também sobre o modelo de negócio. Muitas empresas mudaram de um atendimento exclusivamente presencial para o digital em poucos dias. Outras conseguiram reorganizar o seu modelo de prestação de serviços também utilizando as plataformas digitais como meio. Palestrantes e empresas de consultoria mudaram o formato de como escalar os seus negócios através das redes sociais. A velocidade da mudança e a adaptação ao novo mercado são fatores críticos de sucesso. O mais importante é investir tempo para avaliar com profundidade aquilo que você, mais do que ninguém, conhece: o seu negócio! E é preciso estar baseado em dados: saber sobre seus números, ter dimensão de onde os seus recursos são gastos, quais produtos ou serviços mais geram rentabilidade, avaliar alternativas para escalar o seu negócio para mais de um canal de venda e distribuição, consolidar parcerias e renovar contratos com relações benéficas para todos (isso é fundamental).

COOPERAÇÃO EMPRESARIAL

O momento reforça ainda mais a necessidade de um bom e constante planejamento e de uma execução assertiva de tudo que foi elencado. O segredo está na sinergia entre ambos. Mais do que uma melhor gestão do seu fluxo de caixa, reservas e geração de oportunidades em momentos de crise, a visão de cooperação e compartilhamento ganha escala. As soluções para a crise estão todas voltadas à cooperação, e os principais caminhos para voltarmos a prosperar como sociedade empresarial também consistem em uma gestão mais aberta para compartilhamentos e para uma efetiva cooperação empresarial.

A sociedade está habituada a presenciar crises. Elas são cíclicas e tendem a criar uma nova economia cada vez mais forte e eficiente. A crise atual parte de um problema de saúde que, por consequência, está impactando diretamente na economia e nos negócios como um todo. O momento demanda, sim, que tenhamos ainda mais empatia e que todos compreendam que as soluções das questões econômicas vão depender, cada vez mais, de cooperação. Não é hora de dificultarmos os negócios e relações, temos que estar fortemente presentes buscando as melhores soluções para todos e nos fortalecermos como sociedade empresarial. Neste momento, quem realmente tiver uma postura coesa e de compreensão vai e deve ser mais valorizado.

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