Redução e suspensão de contratos podem impactar 35 mil funcionários no comércio e na indústria de Caxias - Economia - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Efeitos da quarentena03/04/2020 | 14h01Atualizada em 03/04/2020 | 14h16

Redução e suspensão de contratos podem impactar 35 mil funcionários no comércio e na indústria de Caxias

Estimativas são do Sindilojas e do Simplás

Redução e suspensão de contratos podem impactar 35 mil funcionários no comércio e na indústria de Caxias Lucas Amorelli/Agência RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agência RBS

Ao menos 35 mil trabalhadores podem ser impactados por suspensão de contrato ou redução de jornada e salários em apenas dois dos principais setores econômicos de Caxias do Sul: o comércio e a indústria do plástico. As estimativas são do Sindilojas e do Simplás, sindicatos empresariais das categorias. O número total de caxienses atingidos, contudo, pode ser muito maior, já que o Simecs, que representa a indústria metalúrgica e material elétrico, ainda analisa os efeitos dessas alternativas. As regras estão previstas na Medida Provisória (MP) 936, que cria o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda e entrou em vigor nesta quinta-feira (2).

Leia mais
Comércio em Farroupilha permanece fechado até terça-feira
Bento Gonçalves achata curva de contágio e anuncia retomada gradual das atividades
Projeto reduz pela metade salários de prefeito, vice e secretários de Vacaria

Conforme a presidente do Sindilojas, Idalice Manchini, a medida traz um alívio para o setor, embora a extensão do prazo de suspensão das atividades preocupe. O comércio atualmente reúne 27 mil empregados na cidade e a estimativa é de que 15 mil possam ser afetados de alguma forma pelas medidas. Isso, se o comércio puder abrir a partir de 15 de abril.

— Acredito que o comércio foi um dos setores mais afetados. A medida do governo vem muito bem pra nós. Pode reduzir o salário sem mudar o valor da hora e o empresário também não precisa desembolsar. Já tem lojista que não tem mais para onde apelar. Não sei se 15 abril não é muito longe — analisa.

A entidade reforçou o atendimento jurídico e vai disponibilizar no site modelos para o encaminhamento das suspensões e reduções, além de outro modelo para solicitar isenção de aluguel. A expectativa é de que a maior parte das negociações do setor ocorra entre a empresa e o funcionários, devido à faixa salarial (entenda abaixo). O Sindilojas já tinha formalizado um acordo que previa redução de 25% nos contratos e ampliação de banco de horas e férias.

— Não é abrindo amanhã que o movimento vai voltar. A população está com medo e dou razão a eles. Damos seis meses para que a economia comece a dar a volta. O ano de 2020 era para ser um ano de recuperação dos anos anteriores e no fim vai ser o pior deles — lamenta.

No Simplás, o assessor jurídico Henry Maggi projeta que pelo menos 20 mil pessoas estejam sujeitas às medidas. A entidade também já havia ajustado medidas compensatórias com o sindicato laboral e deve encaminhar as soluções previstas na medida provisória por meio de convenção coletiva. As conversas estão previstas para começar na segunda-feira (6), com a retomada gradual da indústria.

— Não resta outra alternativa a não ser essas para algumas empresas que já esgotaram outras possibilidades como férias.

A MP prevê redução de jornada e salário em 25%, 50% ou 70%, além da suspensão total dos contratos, desde que sejam seguidas algumas regras.

As reduções de 25% podem ser aplicadas a todos os contratos por acordo individual. Já os demais percentuais dependem da faixa salarial. De R$ 3.135 (três salários mínimos) a R$ 12.202, as mudanças só podem ocorrer por acordo ou convenção coletiva. Fora desse intervalo, é permitido acordo entre trabalhador e empregado.

No caso de redução de contrato, o governo irá arcar com uma parte do salário utilizando o cálculo do seguro desemprego.

Em caso de suspensão do contrato, o funcionário receberá seguro desemprego e terá estabilidade após o retorno da atividade. O período sem trabalhar não pode passar de 60 dias. O pagamento de 100% do seguro desemprego vale para quem trabalha em empresas com receita anual de até R$ 4,8 milhões. Acima disso, o governo paga 70% e o empregador os 30% restantes.

Leia também
Semana Santa terá celebrações transmitidas online na Serra
Após 14 dias, moradores da Vila Jansen, em Farroupilha, saem do isolamento total
Na véspera do fim do período de troca de sigla, pré-candidato a prefeito de Caxias muda de partido

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros