Pandemia de coronavírus está adiando eventos e festas para o segundo semestre em Caxias Sul - Economia - Pioneiro

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Consequência da pandemia10/04/2020 | 11h39Atualizada em 10/04/2020 | 14h11

Pandemia de coronavírus está adiando eventos e festas para o segundo semestre em Caxias Sul

Sonhos estão temporariamente adiados

Pandemia de coronavírus está adiando eventos e festas para o segundo semestre em Caxias Sul José Zignani/Divulgação
Sonhos estão temporariamente adiados Foto: José Zignani / Divulgação

Estava tudo pronto para a formatura da Aléxia Vargas. Mas aí começaram os primeiros casos de coronavírus Brasil afora, e a formanda em Arquitetura precisou sentar e reavaliar com outras duas colegas o que fazer. A festa da formatura, com as três amigas, teria acontecido no dia 27 de março, no Cafe de La Musique, para 300 convidados.

— Primeiramente, conversei com as minhas colegas, pois era um evento conjunto. Posteriormente, conversei com meus pais e com a Caro (Caroline Polly, promotora da festa). Foi uma decisão "fácil" pela falta de opção. Visto que havia muitos convidados que se encaixam no grupo de risco. Apesar de fácil, foi uma decisão que nos deixou tristes, pois esperávamos muito por essa data. Mas o momento era mais de cuidar das pessoas que amamos, do que comemorar — defende Aléxia Vargas, 24 anos, formanda do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG).

Aléxia Vargas, 24 anos, formanda do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), iria fazer sua festa de formatura no Cafe de La Music, em Caxias, no dia 27 de março<!-- NICAID(14465279) -->
"Entendemos que o sonho foi adiado, mas não cancelado. Ele ainda vai acontecer, da mesma maneira que planejamos, apenas não nada data que prevíamos", revela a formanda Aléxia VargasFoto: Luis Henrique Bisol / Divulgação

A festa foi reagendada para o dia 28 de agosto, ou seja cinco meses depois do sonhado anteriormente.

— Entendemos que o sonho foi adiado, mas não cancelado. Ele ainda vai acontecer, da mesma maneira que planejamos, apenas não nada data que prevíamos.

O maior impacto para Aléxia nem foi o cancelamento da festa, porque foi inevitável, não tinha clima nem seria possível, em função de decreto da prefeitura de Caxias do Sul, que determinou o fechamento de casas noturnas e locais de aglomerações. O momento de maior ansiedade foram os dias de negociação com a FSG, que defendia a manutenção da formatura, mas sem público.

— No momento que a faculdade divulgou que seria colação sem público, aí sim fiquei triste, pois esse era um momento que esperava muito compartilhar com os meus pais. Mas depois eles mudaram, aí fiquei mais tranquila. A colação teve que ser adiada também, mas ainda sem data prevista — revela Aléxia.

FORMATURAS
Em notas oficiais a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e o Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) pronunciaram-se a respeito das solenidades de formatura.

UCS
"O setor relacionado às formaturas da UCS, informou que o calendário na universidade não foi afetado de modo expressivo, já que as solenidades do período programadas para Caxias, e para a maioria dos campi na região, já tinham sido realizadas anteriormente ao momento de indicação de isolamento. Temos apenas a informação de uma formatura do Campus Universitário da Região das Hortênsias que precisou ser adiada em função das recomendações para o período, já que estava marcada para acontecer na última semana". 

FSG
"O Centro Universitário da Serra Gaúcha informa que as colações de grau seguem suspensas por tempo indeterminado. Para o agendamento de novas datas, a FSG segue no aguardo da posição oficial de órgãos competentes. Com essa definição, a instituição agendará novas cerimônias, conforme acordado com aproximadamente 80 alunos que optaram por aguardar, para que possam comemorar este momento de forma segura com os seus familiares e amigos".

Gerente de Marketing da Don Claudino Casa de Eventos. Case sobre a matéria de econiomia sobre o mercado de eventos em tempos de coronavírus.<!-- NICAID(14463856) -->
Gabriele Piccoli, diretora de eventos da Don Claudino Casa de Eventos diz que deu férias coletivas aos funcionários e vai manter os empregos deles, nem que seja preciso criar um plano BFoto: Everson Almeida / Divulgação

"Graças a Deus conseguimos negociar com todos os clientes", diz diretora de marketing

Desde 14 de março, a Don Claudino Casa de Eventos, de Caxias do Sul, não realiza nenhum evento. Na semana seguinte, a partir do dia 16, segunda-feira, o telefone da Don Claudino não parou de tocar. No outro lado da linha, diversos noivos apreensivos, tristes e ansiosos queriam cancelar seus eventos. 

— Foi um desgaste muito grande, pois tínhamos muitas festas neste período, incluindo um casamento para um casal que veio da Holanda para festejar aqui, foi tudo tão triste. Mas todos foram muito conscientes e, mesmo na última hora, entenderam que, neste momento, o melhor seria desmarcar. Graças a Deus conseguimos negociar com todos os clientes de março e abril a transferência das datas — explica Gabriele Piccoli, 38 anos, diretora de marketing da Don Claudino, empresa que completa 15 anos em 2020.

Gabriele diz que deu férias coletivas aos funcionários e vai manter os empregos deles, nem que seja preciso criar um plano B de atuação. Além disso, tem estabelecido uma parceria com os clientes, através dos cerimonialistas, para amenizar o desconforto de cancelar festas como a de casamento, que sempre gera muita expectativa.

— Tenho dito a eles que estamos adiando o sonho, mas ele vai se realizar _ pormenoriza Gabriele.

A maior parte dos eventos que estavam programados para este primeiro semestre está sendo transferida, a pedido dos clientes, para o final de agosto e setembro.

— Todos estão otimistas que termine antes, mas o que se percebe é que as pessoas estão mais confiantes em marcar a partir de agosto. Só esperamos que as formaturas das universidades não sejam realizadas no mesmo período — argumenta Gabriele.

Pauta sobre o mercado de eventos em tempo de coronavírus. Case Caroline Polly<!-- NICAID(14463852) -->
A promotora de eventos Caroline Polly tem mantido os clientes tranquilos de que todos os eventos transferidos serão realizadosFoto: Robson Nunes / Divulgação

"As festas vão acontecer", garante promotora de eventos

Algumas das festas promovidas por Caroline Polly, 39, contam com cerca de 200 profissionais de diferentes setores e todos estão parados enquanto houver o risco de contágio por coronavírus. Nos últimos dias de março, Caroline teve oito eventos transferidos.

— No dia 21, tínhamos um casamento e uma formatura. Nesses, as pessoas ficaram realmente apreensivas, porque já tinham algumas coisas compradas, como comida e flores… Os clientes acabaram tendo um prejuízo financeiro, além do emocional — observa Caroline.

A promotora de eventos diz que passou por uma situação parecida em 2018.

— Trabalho com eventos há 13 anos e já havia passado por isso antes com a situação da greve dos caminhoneiros, em que tivemos de remarcar duas vezes o mesmo casamento. Mas agora, o tempo me parece maior, estimamos quatro meses de pausa.

Caroline tem mantido os clientes tranquilos de que todos os eventos transferidos serão realizados. O problema daqui para frente é o restante da agenda que contemplaria novos eventos.

— Os fornecedores também estão súper dispostos e nenhum está querendo se aproveitar deste momento, nem sequer cobrando multa de cancelamento. Todos estão com um pensamento solidário.

Luiza Colombo Dutra, presidente da Microempa, escreve artigo para o caderno + Serra sobre proposta do Desafio Jovem Empreendedor que motivou projeto na Câmara de Vereadores para instituição da Semana Municipal de Incentivo ao Empreendedorismo Feminino Jovem. <!-- NICAID(14265804) -->
"Ainda é muito cedo para avaliar com segurança os impactos econômicos", revela Luiza Colombo Dutra, presidente da MicroempaFoto: Julio Soares / Divulgação

Preocupações do setor

Cerca de 15% dos 2,6 mil associados da Microempa atuam direta ou indiretamente com o setor de eventos. Entre eles, organizadores, comunicação, designers, empresas de identidade visual, fotógrafos, decoração, floriculturas, restaurantes, locação de som, estrutura, equipamentos, entre outros. A presidente da entidade, Luiza Colombo Dutra, defende que ainda é cedo para estimar prejuízos:

— Nos últimos dias, consultamos nossos associados do setor de eventos para sentir quais os impactos da covid-19 nos seus negócios. O entendimento é de que ainda é muito cedo para avaliar com segurança os impactos econômicos.

A seguir, Luiza lista os principais cenários elencados pelas empresas do setor, associadas à Microempa, nesta última semana:

— No âmbito de eventos e atividades que reúnam muitas pessoas, a entidade vem trabalhando no sentido de facilitar e incentivar reagendamentos, já que muitos compromissos financeiros já haviam sido feitos e cancelamentos (com reembolsos e pagamento de fornecedores) teriam um impacto significativo no setor.

CRÉDITO EMERGENCIAL

Na última sexta-feira de março (27/3), o governo federal anunciou uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas, a fim de financiar os salários dos empregados, por dois meses. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou que o governo vai injetar R$ 40 bilhões (R$ 34 bilhões do governo e R$ 6 bilhões de instituições financeiras) em dois meses.

O recurso serve para financiar, no máximo, dois salários mínimos por trabalhador. Quem tem rendimento de até dois salários mínimos continuará a receber o mesmo valor. No entanto, para os funcionários que ganham acima de dois salários, a contrapartida ficará a cargo da empresa.

Além disso, informou o presidente do Banco Central, as empresas que contratarem essa linha de crédito não poderão demitir funcionários pelo período de dois meses. De acordo como Campos Neto, a previsão é de que sejam beneficiadas pela medida 1,4 milhão de pequenas e médias empresas do país, num total de 2,2 milhões de pessoas.

 AS REGRAS DO PACOTE

* Financiamento disponível para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano.

* Recurso exclusivo para folha de pagamento.

* Carência de 6 a 36 meses para pagar o empréstimo.

* Taxa de juros de 3,75% ao ano.

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