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Economia11/04/2020 | 14h06Atualizada em 11/04/2020 | 14h06

Em época de pandemia de coronavírus, produtores rurais de Caxias seguem na lida

Muitos abastecem mercados da região e, por isso, não podem parar

Em época de pandemia de coronavírus, produtores rurais de Caxias seguem na lida Antonio Valiente/Agencia RBS
Jair e Marcelo Massuchini moram e trabalham no Cerro da Glória Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Enquanto a maioria dos caxienses está trancada dentro de seus apartamentos por conta do coronavírus, outros milhares que vivem no interior de Caxias do Sul passam a quarentena desfrutando dos belos cenários e produzindo alimentos ao ar livre. Por lá, o medo de não ter o que comer passa longe. 

Na propriedade de Jair Massuchini, localizada no Cerro da Glória, a 20 quilômetros do centro da cidade, é época de bergamotas e limões que serão vendidos na Ceasa e nos mercados da região. E a colheita não pode esperar a pandemia passar. 

—Por aqui a vida segue normal, sem sobressaltos — declara o produtor Massuchini.

Na propriedade, moram duas famílias: a de Jair e a do irmão, Marcelo. Jair tem dois filhos de oito e quatro anos e a esposa é agente de saúde. Os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde são respeitados. Quem vai para a cidade trabalhar ou entregar as frutas, por exemplo, traz o que precisa de mantimentos e usa máscaras e luvas. Na volta, tudo vai para a máquina de lavar roupa.

— Meus pais moram aqui e eles têm 76 e 75 anos. Então, precisamos estar atentos e não permitir que o vírus entre.

Jair lembra que, se a doença tivesse chegado há dois meses, a situação poderia ficar muito complicada. Na safra da uva, a movimentação na propriedade seria muito maior. Por lá, eles também criam seus próprios animais e produzem boa parte da comida que consomem. Feijão, milho, vinho e suco não vão faltar, por exemplo.

Na comunidade onde mora, foram cancelados todos os eventos, a festa em maio e o baile em junho.

— Uma pena. Mas neste momento o que importa é estarmos bem.

A agricultora Ilca Bertotti mora no interior de Galópolis há mais de 30 anos, com o marido, a sogra e os dois filhos. A família produz uva e lida com frangos de corte. A preocupação de que o vírus chegue lá existe. Por isso, tudo o que Ilca precisa da cidade, ela pede para uma amiga levar. 

— Trabalhamos com animais e por isso não tem como ficar trancado em casa. Mas estamos tomando todas as precauções necessárias.

"Aqui ele não vai conseguir chegar" 

Na comunidade da Terceira Légua mora a família de Cláudio Roglio, 68. Por lá, o vírus não chegou e nem vai chegar se depender dos sete moradores das duas casas localizadas na propriedade. 

— Estamos escondidos no meio do mato, não tem como ele nos achar — brinca a esposa, Ivanir, 67.

Embora um dos filhos que trabalha em uma indústria na cidade retorne todas as noites para a propriedade, eles garantem que não têm medo do "bicho". A filha que mora no centro de Caxias do Sul é quem leva os mantimentos necessários para a família nos finais de semana. 

— Não consigo ficar dentro de casa, moramos num lugar tranquilo. Podemos sair ao ar livre, respirar ar puro — comemora Roglio.

Há poucos meses, o produtor precisou fazer uma cirurgia no joelho e passou várias semanas sem se locomover.

—  Não aguentava mais. Fui criado na lavoura. Não tenho medo desta doença. 

Com o fim da safra da uva, carro-chefe da produção familiar, Roglio e o filho, Gustavo, trabalham na construção de postes de concreto para reestruturar os parreirais.

— Por aqui, o trabalho não para. Precisamos preparar as videiras para a próxima safra. 

Notícias sobre o coronavírus, só pelo rádio e televisão.

—Mesmo assim, só de noite. Não tenho muito tempo pra isso, temos mais o que fazer. 

"É preciso abastecer os mercados''

Os hortifrutigranjeiros continuam abastecendo os mercados da região e a Ceasa permanece funcionando. Por isso, quem produz não pode parar. É o caso de Celso Didone, 31, que responde pela produção de mais de 130 toneladas de frutas na comunidade de São Braz. Agora, está sendo feita a colheita do caqui.

 CAXIAS DO SUL, RS, BRASIL (09/04/2020)Como vivem os produtores rurais em tempo de quarentena da pandemia do coronavírus. Na foto, o produtor de hortifrutigranjeiros Celso Didone que mora na Capela de São Brás, interior de Caxias. (Antonio Valiente/Agência RBS)<!-- NICAID(14473424) -->
Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

— O povo não vai deixar de comer. Então, precisamos produzir para alimentar — destaca Didone, que também é dono de uma cervejaria artesanal.

O entra-e-sai de caminhões que buscam a mercadoria é controlado com medidas de precaução, como o uso de luvas, máscara e a higienização das caixas. 

— Fazemos a nossa parte — garante.

Segundo ele, a queda no consumo nos últimos 40 dias foi pequena, cerca de 15%. Mesmo assim, somente quando foi anunciada a quarentena. Agora, as vendas voltaram a subir.

Nos pomares, oito safristas colhem as frutas. Para eles, a safra é época de ganhar o sustento para o resto do ano. 

Com o rádio do trator ligado, eles ficam atentos às notícias sobre a covid-19.  

— Para nos proteger, tentamos manter a distância recomendada. Cada um trabalha em uma planta — diz Inor da Rosa, 42.

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