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Coronavírus15/04/2020 | 19h34Atualizada em 15/04/2020 | 20h11

Decepção geral: lideranças reforçam cenário de crise extrema com manutenção do comércio fechado na Serra

Prefeitos e presidentes de entidades empresariais alertam para demissões em massa e pedem flexibilização 

Decepção geral: lideranças reforçam cenário de crise extrema com manutenção do comércio fechado na Serra Lucas Amorelli/Agencia RBS
Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS
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As lideranças políticas e empresariais das cidades afetadas pela decisão do governador Eduardo Leite,  que manteve o comércio fechado na Região Metropolitana da Serra em razão do coronavírus, repercutiu negativamente na região. São 14 cidades da região incluídas na medida, entre elas, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Farroupilha. Outras cidades da Serra, como Gramado e Nova Petrópolis, estão fora do decreto e poderiam operar o comércio com algumas restrições.

Em nota, o Sindilojas Caxias afirmou que a informação frustra as expectativas dos comerciantes da região, que acreditavam na flexibilização das medidas. 

 A entidade busca na Justiça a reabertura de lojas na cidade. Na terça-feira (14), o sindicato havia ingressado com uma ação declaratória com pedido de tutela de urgência solicitando a reabertura, seguindo os mesmos critérios das demais categorias que estão permitidas a atuar na cidade. Em despacho nesta quarta-feira (15), o juiz que analisa o mérito do processo resolveu aguardar o pronunciamento do governador do Estado para posteriormente decidir sobre a liminar. 

Agora, o Sindilojas cinco dias para manifestar sobre a continuidade da demanda. O Sindilojas reforça  que enquanto não houver uma decisão judicial, o lojista deve acatar as determinações do decreto estadual.  

Confira a repercussão:

- Estou preocupado por que temos muitas empresas com dificuldades econômicas. Achava que o comércio seriam flexibilizado de 20% a 30% . A partir da semana que vem vamos ter muitas demissões. Não sei se está errado (em prorrogar o decreto), mas é bastante sério. Não sei se paramos antes, se paramos cedo demais. Sei que a doença é complicada, mas a saúde e a economia tem que andarem juntas, caso contrário todos serão sacrificados.
Ivanir Gasparin, presidente da CIC Caxias

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- O comércio poderia estar trabalhando dentro das mesmas normas da indústria, com os grupos de risco ficando em casa. Todo mundo está com mais medo da doença do que do caos econômico. Daqui a 30 dias teremos duas pandemias. A curva da doença estará declinando e da curva das demissões estará aumentando. As demissões vão começar a acontecer em massa. A indústria está recebendo diariamente o cancelamento de pedidos. Queremos preservar emprego e renda e estamos fazendo o maior esforço. É um momento grave e excepcional e todos tem que ceder um pouco.
Paulo Antônio Spanholi, presidente do Simecs

-  Vamos manter o nosso decreto que tem vigência até sexta-feira. Na sexta vou reunir as entidades para avaliar se mantemos o nosso decreto ou acatamos a determinação estadual. O Ministério Público entrou com uma ação contra o nosso decreto e a Justiça negou a liminar. A gente vai tratar o assunto conforme for acontecendo e avaliando cada coisa a seu tempo.
Claiton Gonçalves, prefeito de Farroupilha

- Já abriu tudo em Caxias, menos o comércio. Dez mil empresários estão sendo prejudicados. Estamos implorando a abertura para o prefeito, para o governador. Já mostramos que serão adotados todos os cuidados possíveis, com as lojas atuando com apenas 25% dos colaboradores, com alguém na porta para controlar a entrada do grupo de risco, para permitir que duas ou três pessoas fiquem no ambiente, com o uso de máscaras. Foi dado um tempo para o município abrir o hospital de campanha. Agora temos é que salvar o comércio. O prejuízo é de R$ 3,6 milhões ao dia e vai chegar a R$ 144 milhões no final do mês. Não adianta abrir a indústria se não tem onde vender, onde comprar. Vamos avaliar o que fazer e devemos entrar com uma ação. Precisamos sensibilizar o governador.
Renato Corso, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul

- Lamentável a decisão. Estamos seguindo as regras, temos ficado em casa. Estamos há um mês com as lojas fechadas. O próprio secretário de Saúde (Jorge Olavo Hahn Castro, de Caxias) disse que não entende a decisão, pois há leitos sobrando, não há tanto aumento da doença e principalmente pelo fato da restrição ser para a Região Metropolitana da Serra, não tem lógica. Tivemos uma negativa da liminar na Justiça, pois o juiz quis aguardar o decreto do governador antes de tomar decisão. Agora, vamos apresentar novamente amanhã (quinta-feira) na Justiça e vamos expor desde o depoimento do secretário da Saúde, mostrar que o comércio não terá 100% dos funcionários e sim 25%, que estamos adotando todos os cuidados. Inclusive tentaremos fazer uma reunião amanhã com o governador, em que estará participando o Sindilojas, a CDL, a CIC e o prefeito de Caxias. Queremos mostrar com números e argumentos que ele se equivocou na decisão.
Idalice Manchini, presidente do Sindilojas Caxias

- Vou ver com bastante cuidado (o novo decreto). Vou reunir amanhã (quinta-feira, 16) de novo com as entidades para avaliar o decreto do governador para deliberar o que vamos fazer. Vamos tentar alinhas todos os pontos em comum entre os municípios que representam a região das hortênsias. Aqui, a grande maioria do setor hoteleiro não se sente seguro para retornar as atividades.
João Alfredo de Castilhos Bertolucci, o Fedoca, prefeito de Gramado

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