Restaurantes e casas de lanche de Caxias buscam minimizar perdas estimadas em mais de 60% com serviços de entrega - Economia - Pioneiro

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Coronavírus27/03/2020 | 15h44

Restaurantes e casas de lanche de Caxias buscam minimizar perdas estimadas em mais de 60% com serviços de entrega

Ainda assim, empresários destacaram importância de adoção de medidas visando preservar saúde de funcionários

Restaurantes e casas de lanche de Caxias buscam minimizar perdas estimadas em mais de 60% com serviços de entrega Antonio Valiente/Agencia RBS
Vicente Perini decidiu adotar sistema de takeaway, no qual clientes buscam refeições no restaurante Foto: Antonio Valiente / Agencia RBS

Considerado serviço essencial e, por isso, não interrompido pelos decretos que regram as atividades durante enfrentamento do coronavírus, estabelecimentos que fornecem refeições ainda assim sofrem inevitáveis prejuízos. Além da proibição de receber clientes nos restaurantes, os locais precisam adequar-se a normas de controle de aglomeração dos próprios funcionários e dependem inteiramente do serviço de entregas.

Nas ruas, o movimento majoritário de motoboys, especialmente à noite, dá a impressão de maior demanda de delivery. A percepção, contudo, existe mais pela inexistência do tráfego comum, pois, segundo o presidente do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria Região Uva e Vinho (Segh) Vicente Perini, a demanda continua a mesma.

— Em contato com estabelecimentos, fui informado de que o movimento não aumentou. Continua praticamente o mesmo. Obviamente, mudou para quem não trabalhava com a modalidade de entregas, mas, mesmo com aumento, não compensa as vendas médias diárias que tínhamos antes do isolamento — comenta.

Ele próprio, que é dono do Q Restaurante, informa que não realizava serviço de entrega e passou a adotar o sistema a partir desta semana.

— Entre terça e quarta, vendi mais de 80 refeições. A minha média era 250 refeições ao meio-dia e 50 à noite, mas já dá um alívio e ajuda a me livrar de coisa estocada e girar o capital — avalia.

Vicente diz que pretende passar a realizar o serviço também durante a noite e aos domingos de meio-dia. A tendência, acredita, é a demanda aumentar gradativamente:

—  A partir desta semana, já deve crescer. Muita gente está com coisa estocada naquele susto da última semana — pontua.

Apesar de adotar o sistema de entregas, o Q Restaurante só realiza atendimentos na região no bairro Exposição/Centro e mantém como principal modelo de atendimento o chamado takeaway (ou pegue-e-leve), que consiste na busca do cliente à refeição no próprio restaurante. Em razão disso, os funcionários adotaram diversas medidas extras de proteção sanitária, como uso de luvas, máscaras e higienização das embalagens.

Para o Bar do Luizinho, que não trabalhava com telentrega, a adoção paliativa do modelo tem superado as expectativas:

— A gente servia em torno de 150 refeições ao meio-dia antes do coronavírus. Pela tele agora, na quarta (25), já vendemos em torno de 85, e hoje (quarta) 150 almoços. E cada dia aumenta mais — comenta Leonardo dos Santos, sócio do estabelecimento.

Apesar de surpreender, o atendimento diminuiu em torno de 60% após os decretos, uma vez que o local tinha a melhor movimentação à noite, período em que fecha atualmente.

— Vamos fazer um teste nesta sexta-feira (27) de vendas à noite — revela Leonardo.

Para ter fôlego para aguentar a queda significativa no restaurante, ele afirma que estima ter segurança financeira pelo menos para 30 dias de funcionamento com as limitações impostas.

Pedidos à distância cresceram entre 15% e 20%

Para estabelecimentos que não faturavam com telentrega, todo crescimento é vantagem. No entanto, para casas de lanche que já atuam na modalidade e ela representava uma fatia do caixa, o volume precisaria ser multiplicado ao que o estabelecimento deixou de vender no próprio restaurante.

— O meu movimento de tele aumentou, de buscar também, pois estou levando até os carros, o cliente nem desembarca. Mas não segura minhas contas Eu tinha um grande movimento na loja, que correspondia a 80% do faturamento. A tele aumentou 20%. Ainda tem 60% para alcançar de perdas — avalia Anderson Trevisan, proprietário do Tonico Lanches.

A média de aumento, entre 15% e 20%, é semelhante para os tradicionais Baita-Kão e Xis da Gringa:

— Não houve grandes aumentos de telentrega. Cada um tem seu restaurante, sua preferência, houve um aumento de 10%, 15%, mas nada significativo. A tele, que representava 20% do meu faturamento, continua mais ou menos no mesmo patamar. Isso quer dizer que eu perdi 80% das minhas vendas_ comenta João Antonio Leidens, proprietário do Baita-Kão.

— Hoje a gente atende cerca de 25% do que atendíamos. Caiu 75%.  No final de semana, tivemos cerca de 15% de aumento de telentrega em comparação a dias normais— informa Micael Moura, responsável pelo marketing do Xis da Gringa.

Já durante a semana, destaca ele, há dias que apresentaram aumento considerável:

— Na terça-feira, por exemplo, tivemos grande número de teles. Todos os dias mantêm o equilíbrio. Antes, terça e quarta eram mais calmos. Hoje a gente percebe que está meio uniforme esses números.

A expectativa, projeta, é de que haja aumento gradual com o retorno de pedidos do público fiel. Em decorrência do aumento de pedidos durante a semana, Micael ressalta que precisou aumentar a equipe de entregadores de três para cinco. Se a tendência permanecer, ele deve aumentar para seis nos finais de semana, período de maior demanda.

Na visão de Trevisan, a flexibilização gradual para atendimento presencial é uma necessidade iminente:

— Gradativamente, 30% da capacidade que seja, já ajudaria, porque a tele não se sustenta. A pessoa consome só o que sustenta. No balcão, ela toma um refri a mais, come uma porção de batata a mais.

Na ponta do lápis

"A gente não cogita a hipótese de redução de equipe, pois eles (colaboradores) serão os mais afetados. Temos capital de giro para aguentar nesse período por boa parte de abril e estamos tentando articular oportunidade de financiamento, empréstimo, se conseguirmos, maio também se sustenta. No nosso caso, que não pagamos aluguel, o nosso maior custo é a folha de pagamento. Mas temos plano contingencial para não impactar tanto." Micael Moura, responsável pelo marketing do Xis da Gringa.

"Estou tentando renegociar tudo, aluguel, fornecedor, para tentar não demitir, porque meu funcionário precisa receber para manter uma cadeia, ele recebendo, gasta em outro lugar. Só que a gente está numa guerra e baixas podem existir. Mas eu noto que está havendo compreensão de todo mundo, as pessoas estão mais humanas, estão mais solidárias, abertas à negociação. É uma crise que vai passar. Meu negócio diminuiu 60%, mas não quebrou, só diminuiu. Eu vejo uma luz no fim do túnel, e não é o trem." Anderson Trevisan, proprietário do Tonico Lanches

Atração de novos entregadores

 Cristiano Dias (à frente) e Francisco Souza (ao fundo) esperam que pedidos aumentem no decorrer dos dias.  <!-- NICAID(14462168) -->
Cristiano Dias (à frente) e Francisco Souza esperam que pedidos aumentem no decorrer dos diasFoto: Mateus Frazão / Agencia RBS

Os serviços de aplicativo já se mostravam uma alternativa de alento em época de alto índice de desempregos. A tendência, agora, com a suspensão de atividades que geravam trabalhos indiretos é de que ainda mais pessoas procurem atuar na área para garantir uma fonte de renda.

Caso de Francisco Souza, que até mês passado atuava como DJ, função atualmente inativa no Brasil inteiro. Por isso, decidiu virar entregador.

_ Eu comecei a fazer entregas antes do coronavírus, mas era mais visando ao complemento. Ainda bem que fiz isso, porque agora virou uma obrigação, já que as festas pararam de vez _ relata.

Já no caso de Cristiano Dias, a adesão ao iFood surgiu por mudança estratégica:

_ Fazia Uber, saltei fora porque não é o momento de ficar confinado com ninguém dentro do carro. Financeiramente, motoboy dá mesmo que Uber, mas pelo menos estou ao ar-livre _ destaca. 

Ambos avaliam, entretanto, que as vendas não aumentaram no período de isolamento social, com dias inclusive com redução de entregas. Ainda assim, acreditam que a tendência é de aumento conforme a redução de estoques de comida armazenados pela população na última semana. 

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