Artigo: Por que é tão difícil inovar? - Economia - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

+Serra16/03/2020 | 05h16Atualizada em 16/03/2020 | 05h16

Artigo: Por que é tão difícil inovar?

Confira a opinião da sócia-fundadora da Palas, consultoria pioneira na implementação da ISO 56.002, de gestão da inovação

Marília Cardoso, sócia-fundadora da Palas, consultoria pioneira na implementação da ISO 56.002, de gestão da inovação.

Inovação já está virando assunto de boteco. As rápidas e impressionantes transformações sociais e dos negócios estão preocupando tanta gente que o tema já não é mais algo exclusivo das reuniões corporativas ou bancos acadêmicos. Duas pessoas reunidas onde quer que seja, já são suficientes para que o papo – e todas as dificuldades e mitos que o cercam — entre em pauta.

Mais que uma modinha passageira, a inovação se tornou um conceito impossível de passar despercebido. Por mais que alguns ainda teimem em manter-se deitados eternamente em berços esplêndidos, mais dia, menos dia, a água vai bater no nariz, obrigando a gente a fazer alguma coisa para não morrer afogado.  

Inevitavelmente, seremos obrigados a rasgar nossas cartilhas, aquelas recheadas de certezas e verdades absolutas que já não servem mais para quase nada. E fazer isso dói. Dói muito! É como se nos perdêssemos dentro de nossa própria identidade, questionando o até então inquestionável. Entramos num ciclo de desaprender para reaprender, sendo obrigados a jogar velhas crenças na lata do lixo.

Por mais que o homem inove desde sempre – caso contrário não teríamos chegado até aqui — o Século 20 trouxe tantas facilidades que acabamos criando falsas zonas de conforto, acreditando que tudo o que precisamos é de um diploma na parede, um bom emprego, contas pagas e um corpo sarado. Não! A vida não se resume em pagar boletos e tentar emagrecer. É preciso ir além.

Para isso, precisamos nos render ao que o psicólogo Hermann Ebbinghaus definiu em 1885 como curva de aprendizagem. Segundo ele, há uma certa negação no início, uma tendência a acharmos que já sabemos o suficiente. Até que chega um momento inevitável, como já está acontecendo com diversas empresas e segmentos profissionais. A partir desse momento, inicia-se a fase de preparação, onde o indivíduo se prepara para aprender coisas novas.

Logo vem a fase chamada de adoção, que é seguida da curva de aprendizado, que muito se assemelha a um vale sombrio e perigoso, já que desperta a sensação de que tudo o que você sabia então não serve para mais nada. É a hora do desespero, da decepção, da derrota. 

Só quando o aprendizado começa a fazer sentido, por meio do chamado aprendizado experiencial, é que a retomada acontece, seguindo uma curva ascendente. Aí, o indivíduo é capaz de encontrar benefícios reais e torna-se melhor do que era antes.

Não por acaso, essa curva é muito semelhante à do luto, definida pela psicóloga Elisabeth Kubler-Ross. No começo, há sempre a negação, a raiva e a barganha. Até que, convencido que a morte é imutável, caímos no vale da depressão. Com o tempo e força de vontade, saímos do limbo para entrarmos na fase de consciência, aceitação e atitude.

Talvez, essa comparação seja a melhor explicação para o fato de inovar ser algo tão difícil e desafiador para a grande maioria dos reles mortais. O processo de aceitar que o que se sabe não é mais suficiente dói tanto quanto a perda de uma pessoa querida. Só que no caso, o que perdemos é um pedaço de nós mesmos. Uma parte que lapidamos com a relevante ajuda dos nossos pais, professores e amigos.

Em suma, quem realmente quiser inovar em sua carreira, sua empresa ou sua vida, precisará encarar de frente a dura realidade de que nada mais será como antes. Será necessário encarar a descida da “desaprendizagem” para que a subida seja, de fato, transformadora. Dói, mas compensa. É melhor chegar ao fundo do poço e subir do que passar a vida inteira fingindo que não tem nada acontecendo. 

Se joga! Erre rápido para aprender mais rápido ainda.

Leia também
Portal Bowling em novo endereço
Arroio do Sal avista dois portos no horizonte
Agências de turismo de Caxias do Sul têm queda de faturamento devido ao coronavírus

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros