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Vendas impactadas12/03/2020 | 16h26Atualizada em 12/03/2020 | 16h26

Agências de turismo de Caxias do Sul têm queda de faturamento devido ao coronavírus

Além do medo de contrair a doença, o fechamento de pontos turísticos, o cancelamento de eventos e a alta das moedas internacionais levam à redução na procura por viagens

Agências de turismo de Caxias do Sul têm queda de faturamento devido ao coronavírus Marcelo Casagrande/Agencia RBS
Melissa Matias cancelou viagem à Itália por causa do coronavírus, após meses de planejamento Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A pandemia de coronavírus gera impactos na procura pelos serviços de agências de viagens de Caxias do Sul. Três empresas consultadas pela reportagem apontam que o faturamento caiu 50% devido à doença. O medo de contrair a covid-19, a alta das moedas internacionais, o fechamento de pontos turísticos e o cancelamento de eventos internacionais levam este segmento da economia a ter um ano completamente atípico.

A Milletour Viagens e Turismo viu o movimento despencar, tanto em viagens de passeio quanto nas de negócios, como para a participação de feiras. Além disso, o empresário Milton Corlatti conta que muitos clientes buscam o reembolso.

— As pessoas estão muito assustadas, principalmente em relação à Europa — comenta, ao explicar que a agência costuma vender muitos pacotes para a Itália.

A Sorella Turismo também sente a preocupação com a queda entre 70% e 80% na procura por viagens internacionais. Além disso, vive a incerteza a respeito de viagens agendadas com maior antecedência, como o caso de um grupo que iria em outubro para a China, epicentro mundial do coronavírus.

— É um ano bem atípico. Em 24 anos de mercado, nunca tivemos uma situação assim — conta o proprietário da agência, Antônio Ziliotto.

Diante da imprevisibilidade do cenário de saúde pública mundial, os clientes estão cancelando até mesmo viagens que ocorreriam em meses mais distantes. A empresária Francine Luz, sócia da AGVTur, orienta os consumidores a aguardarem prazos mais próximos para obterem melhores condições de negociação para o cancelamento ou adiamento. Ela exemplifica usando o caso de um grupo que iria para Madri, na Espanha: a companhia aérea ofereceu a possibilidade de reembolso ou renegociação faltando apenas uma semana para a viagem.

— A gente está falando do embarque sempre de 15 dias. Para a frente disso, a gente está esperando — explica, sobre o procedimento adotado pela agência.

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Moradora de Caxias suspende viagem para a Itália

A administradora de empresas Melissa Matias, moradora de Caxias do Sul, cancelou a viagem de duas semanas com amigos que faria no início de abril à Itália, país mais afetado na Europa pelo coronavírus. Ela comenta que o sentimento agora é de frustração, já que o planejamento estava pronto desde setembro. A possibilidade de não conseguir cumprir o roteiro pesou na decisão de permanecer no Brasil, sem remarcar, por enquanto, a data da ida ao velho continente.

— A minha chegada seria em Veneza e, na semana passada, colocaram Veneza como zona vermelha, onde ninguém entra e ninguém sai. Então, eu fiquei com bastante receio de ir a Veneza e não sair, ou ir a Portugal, que era minha conexão, e não conseguir embarcar para Veneza — conta.

Melissa conseguiu obter o reembolso de taxas de serviços da agência de viagens que contratou, dos hotéis em que se hospedaria e dos bilhetes de entrada em atrações turísticas já comprados. No entanto, a companhia aérea diz que irá cobrar 15% do valor total da passagem, que custou cerca de R$ 5 mil, para a transferência de data, ou 35% para o cancelamento da compra.

Procon tem alta procura por informações

O coordenador do Procon de Caxias, Dagoberto Machado dos Santos, diz que tem sido constante a busca de informações no órgão de defesa do consumidor. Segundo ele, cada caso tem de ser avaliado particularmente para saber se o cliente tem direito ao ressarcimento ou ao cancelamento sem pagamento de multas.

— Vai do bom senso de ambos os lados. 80% ou mais está sendo resolvido administrativamente — projeta.

Já o Ministério Público Federal recomendou nesta semana à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que publique ato normativo para assegurar aos consumidores a possibilidade de cancelar, sem ônus, passagens aéreas nacionais e internacionais para destinos atingidos pelo novo coronavírus. No entendimento do MPF, a cobrança de taxas e multas em situações de emergência mundial em saúde é prática abusiva e proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

A medida deve atender clientes de companhias aéreas que tenham comprado passagens até 9 de março, com saída de aeroportos do Brasil. Além disso, deve garantir a possibilidade de remarcação de viagens dentro de um prazo de 12 meses. O MPF também quer que as companhias aéreas devolvam valores que foram cobrados por multas e taxas de consumidores de todo o país que cancelaram as passagens por causa da pandemia.

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